SABEDORIA MILENAR
Ninguém, jamais – está realmente sozinho
Meditemos...

 



 

23/12/2006
reportagem, teologia

QUANTAS VEZES JESUS VEIO AO MUNDO?
por Lygia Cabus


    

Krishna e Jesus: épocas diferentes, lugares, culturas

diferentes e uma só verdade: amor pela pela humanidade.

 

Nos anos de 3.500 a.C., (ou seja há cinco mil anos trás) na Índia, nasceu de uma virgem, conforme dizia a profecia Vedanta, o menino Krishna, concebido pelo "espírito divino". Foi chamado Khrisna Jazeu ou nascido da fé. Pastores foram adorar o recém-nascido. Ele era o Salvador e deveria reinar sobre o mundo. Um rajá com medo de perder sua posição mandou matar todos os nascituros daquele ano na esperança de acabar com a vida do pequeno herdeiro.

Escapando sempre de seus inimigos, Krishna ressuscitou mortos e curou doentes. O próprio Krishna ressuscitou depois de morrer "num madeiro" supliciado por seus inimigos. O "filho de Mahadeva" deve morrer "para que o mundo creia em sua palavra":

 

–  Eis os arqueiro de Cansa, que te procuram: mestre, defende-te!


Mas Krishna, ajoelhado junto do grande cedro, não interrompeu sua meditação. Os arqueiros chegaram... Eram soldados rudes... Ao depararem com a figura extática do santo... começaram por arrancá-lo de seu êxtase, endereçando-lhe perguntas, injuriando-o e arremessando-lhe pedras. Nada, porém, o fez sair de sua imobilidade. Então precipitaram-se sobre ele e acorrentaram-no ao tronco de cedro. Krishna deixa fazerem tudo.. Depois, os arqueiros, colocando-se à distância, atiram sobre ele... À primeira flecha que o trespassa, o sangue brota-lhe da carne ferida... O corpo de Krishna foi queimado... A multidão julgou ter visto o Filho de Mahadeva sair dentre as labaredas com um corpo de luz...
(SCHURÉ, 2003)

 

Essa é a história de Khrisna, Avatar de Vishnu, pessoa da trindade indiana, o Filho do Pai, o filho de Brahma, o Mahadeva. As semelhanças com a história de Jesus, o Cristo judeu, é evidente. Krishna não o único. Ao longo da história humana conhecida contemporaneamente, entre mitos e registros, muitos outros personagens se destacaram significativamente como "Salvadores do Mundo". 

 

A recorrência é tanta que o fato não pode mais ser desprezado como coincidência sem importância. É evidente que "alguém", capaz de atravessar eras milenares, preocupa-se "conosco". Esse alguém tem um identidade que aparece em seu modo de ser, no discurso, na conduta, na mensagem que sempre deixa entre povos que receberam sua visita e até na biografia extraordinária desde o seu nascimento, concebido por uma virgem, até sua morte, sacrificado, perdoando para que os pecados (erros) dos homens sejam sejam perdoados.

O Buda Sakyamuni nasceu de modo sobrenatural, concebido sem o intercurso de relação sexual. Nascido príncipe, Sidarta Gautama do Clã Sakyamuni, sua missão de salvador do mundo foi profetizada quando ele era um bebê. Foi uma criança prodigiosa que suplantou os mestres da escola no primeiro dia de aula.

 

Abandonou a vida nos palácios depois do 30 anos. Jejuou e meditou durante quarenta dias e quarenta noites durante os quais foi impiedosamente tentado pelas forças do mal; depois de resistir a todas as tentações recebeu a iluminação de saber o caminho que resgata o homem de todo o sofrimento da vida terrena: o desapego que despreza todos os desejos da carne. Seu sermão mais famoso é o "Sermão da Montanha". Falou por meio de parábolas: comparou a fé a um grão de mostarda e caminhou sobre as águas.

Krishna e Buda não são os únicos a apresentar esse espantoso "parentesco biográfico" com Jesus. Hórus (Egito), Mitra (Pérsia), Baco e Adonis (Grécia), Buda Sakyamuni (Índia), Átis, na Frígia; Balenho, entre os celtas; Joel, entre os germanos; Fo, entre os chineses; Quetzocoalt, entre os pré-colombianos (Olmecas, Maias), todos nasceram de virgens, morreram sacrificados, seu sangue "purifica" e abençoa, eles ressuscitaram, e sua herança é o amor incondicional ao Criador de todas as coisas; amor que se manifesta amando as criaturas.


Quantas vezes Jesus Veio a Terra?

A maior parte dados abaixo, sobre os "salvadores do mundo", foram obtidos de maneira curiosa: estão comodamente resumidos em dois livros, ensaios que pretendem provar que "Jesus Cristo nunca existiu". Jesus Cristo não Existiu, de Alfredo Bernacchi e seu quase homônimo, Jesus Cristo Nunca Existiu, de La Sagasse, são obras contemporâneas, estão disponíveis em português na internet e defendem a tese de que Jesus Cristo é uma personagem folclórica, uma montagem, personalidade fictícia criada a partir da mistura de variadas tradições religiosas, de diferentes povos, mais antigos que o advento do Messias judeu. 

 

 

 

Horus, do Egito e Quetzacoalt, do México pré-colombiano:

filhos de virgens que morreram e ressuscitaram pela humanidade.

 

Os dois autores fundamentam sua tese exatamente na multiplicidade de mitos muito parecidos engendrados pela "imaginação" popular durante milhares de anos. Em sua dissertação e enumeração desses mitos, os autores, sem perceber, reforçam a autenticidade de Jesus ao enfatizar as repetição de uma saga em culturas distantes entre si, no espaço e no tempo mas tão igualmente necessitadas de "iluminação noética" - orientação espiritual da relação entre ética e senso de humanidade.

A argumentação, ao invés de desacreditar a historicidade de Jesus Cristo, apenas expande a extensão de seu poder. É um Jesus que transcende espaço e tempo. Ele aparece quando uma enorme massa humana necessita que Ele apareça. Não é o caso de se pensar que Jesus cristo nunca existiu.

 

A evidência de tantos "Cristos" remete a outra questão: quantas vezes o Cristo, o Chrestos, o Escolhido, Ungido-apontado por Deus, veio à Terra? Muitas vezes, possivelmente, Ele viveu e penou entre os homens para que os homens pudessem avançar em sua condição de homens. Abaixo, alguns desses "salvadores" e sua peculiaridades biográficas.

 

HORUS

Hórus foi o Deus solar e o redentor do egípcios.
Hórus nasceu de uma virgem.
O nascimento de Hórus era festejado em 25 de dezembro.
Hórus também era considerado a luz, o bom pastor.
Hórus realizava feitos milagrosos.
Hórus teria 12 díscipulos (uma alusão aos 12 signos de zodiaco governados pelo sol).
Hórus ressuscitou um homem de nome Elazarus (Cristo ressuscitou Lázaro).
Um dos títulos de Hórus é "Krst" (Cristo?). (BERNACHI)

MITRA

Era o intermediário entre Ormuzd (Deus-Pai) e o homem. Era chamado de Senhor e nasceu em uma gruta, no dia 25 de dezembro. Sua mãe também era virgem antes e depois do parto. Uma estrela teria surgido no Oriente, anunciando seu nascimento. Vieram os magos com presentes de incenso, ouro e mirra, e adoraram-no. Teria vivido e morrido como Jesus. Após a morte, a ressurreição em seguida.

Fírmico descreveu como era a cerimônia dos sacerdotes persas, carregando a imagem de Mitra em um andor pelas ruas, externando profunda dor por sua morte. Por outro lado, festejavam alegremente a ressurreição, acendendo os círios pascais e ungindo a imagem com perfumes. O Sumo Sacerdote gritava para os crentes que Mitra ressuscitara, indo para o céu para proteger a humanidade.

(LA SAGESSE)

O
MITRAÍSMO era praticado em grutas e locais subterrâneos e o cristianismo primitivo [o dos essênios] também. Nos ritos mitraícos havia ritos com pão e vinho. ...As refeições comunais, a destinação (dia do sol) para descansar também faziam parte de ritos do Mitraísmo que foram sincretizados pelos Cristãos. As vestimentas dos sacerdotes católicos são cópias das roupas ritualísticas dos sacerdotes de Mitra. (BERNACHI)


QUETZALCOALT

Diz-se que foi engendrado no preciso momento que sua virgem mãe engoliu uma pedra preciosa (símbolo da perfeição e da Luz); outras versões ainda mais remotas afirmam que veio de Vênus. Sua inocência e pureza eram tão grandes que os demônios (almas primitivas) não toleravam sua presença e continuamente o submetiam à tentações. [Quetzalcoat introduziu uma religião que apregoava paz para todos os homens. Ele era totalmente puro, inocente e bom. Nenhuma tarefa era humilde para ele. Ele até varria os caminhos para os deuses da chuva, para que eles pudessem chegar e fazer chover -

[In LENDAS DO LOBO DO CERRADO].

Como o divino jovem não tinha ainda percebido seu corpo, puseram-no à frente de um espelho e, ao ver tal imagem, seu coração encheu-se de amargura e tristeza, pois considerava esse corpo feio, imperfeito e carente de harmonia. Os tentadores, aproveitando seu desconsolo, ofereceram-lhe uma bebida embriagante, e do espelho fizeram surgir uma imagem feminina. O jovem asceta perdeu sua virginal pureza, caindo no mundo vulgar.

Quando o efeito do álcool já se estava diluindo, achou-se fora do palácio; entrou num sarcófago de madeiro, e ali permaneceu 4 dias. Ao fim destes levantou-se, dirigiu-se, ao mar, fez uma fogueira e queimou-se nela. Então surgiram no horizonte aves que levaram suas cinzas até o céu em forma de pirâmide e a alma, de Quetzalcoatl volta à sua pátria, Vênus.

BACO

O deus do vinho, [nascido da virgem Sêmele que foi fecundada por Zeus, que entrou em seus aposentos em forma de fogo], Baco também foi um deus salvador. Teria feito muitos milagres, inclusive a transformação da água em vinho e a multiplicação dos peixes. Em criança, também quiseram matá-lo. (LA SAGESSE)


OUTROS MITOS

Adonis era festejado durante oito dias, sendo quatro de dor e quatro de alegria; As mulheres faziam as lamentações, como as carpideiras pagas de Portugal. O rito do Santo Sepulcro foi copiado do de Adonis. Apagavam todos os círios, ficando apenas um aceso, o qual representava a esperança da ressurreição. O círio aceso ficava semi-escondido, só reaparecendo totalmente no momento da ressurreição, quando então o pranto das mulheres era substituído por uma grande alegria. Também os fenícios, muitos milênios antes, já tinham o rito da paixão, do qual copiaram o rito da paixão de Cristo. Todos os deuses redentores passaram pelo inferno, durante os três dias entre a morte e a ressurreição. Isto é o que teria acontecido com Baco, Osíris, Krishna, Mitra e Adonis. (BERNACHI)

A idéia de um único salvador do mundo não é compatível com a realidade espaço-temporal do homem e também não combina com a concepção de um Deus-Criador-de-Todas-as-Coisas infalivelmente justo e bom. Seria arrogante supor que apenas um povo, uma nação, um reino, teria "direito" à "mensagem que salva" em uma época determinada da tão longa história humana.

Um Messias que vem ao mundo muitas vezes, atendendo a diferentes momentos históricos e às necessidades de diferentes culturas, é um Messias que fala a linguagem adequada a cada meio que o recebe. Na Índia, usando signos que comunicam mais facilmente com os hindus; na Palestina, "falando aramaico" com o respaldo das escrituras judaicas e assim por diante. É uma estratégia inteligente para fazer uma idéia alcançar, passo a passo, todos os quadrantes da Terra; e a inteligência, com toda certeza, deve ser um dos atributos do verdadeiro Deus. 

 

A idéia de um único salvador do mundo não é compatível com a realidade espaço-temporal do homem e também não combina com a concepção de um Deus-Criador-de-Todas-as-Coisas infalivelmente justo e bom. Seria arrogante supor que apenas um povo, uma nação, um reino, teria "direito" à "mensagem que salva" em uma época determinada da tão longa história humana.

Um Messias que vem ao mundo muitas vezes, atendendo a diferentes momentos históricos e às necessidades de diferentes culturas, é um Messias que fala a linguagem adequada a cada meio que o recebe. Na Índia, usando signos que comunicam mais facilmente com os hindus; na Palestina, "falando aramaico" com o respaldo das escrituras judaicas e assim por diante. É uma estratégia inteligente para fazer uma idéia alcançar, passo a passo, todos os quadrantes da Terra; e a inteligência, com toda certeza, deve ser um dos atributos do verdadeiro Deus.

FONTES
BERNACHI, Alfredo. Jesus Cristo não existiu. In NOVA ERA: acessado em 23/12/2006
LA SAGESSE. Jesus Cristo nunca existiu. In ATEUS.NET: acessado em 23/12/2006
MOUFARRIGE, Emilio. QUETZALCOATL: A Lei do Centro. Revista Thot - Número 6 Julho/Agosto de 1976 In Instituto de Pesquisas Psíquicas Imagick - acessado em 23/12/2006.
SCHURÉ, Édouard. Khrisna. [Trad. Domingos Guimarães. São Paulo: Martin Claret, 2003.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 




      

 

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