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história, arqueologia, antropologia

31/03/2007

OS DESCENDENTES DOS ROMANOS NA CHINA

tradução: Lygia Cabus

 

 

 

Cai Junnian, seus olhos verdes lhe valeram o apelido de "Cai, The Roman".

 

Residentes de uma remota vila chinesa, distante 200 milhas da cidade mais próxima, aguardam o resultado de um teste de DNA que pode comprovar, como fato histórico, aquilo que, para muitos, não passa de lenda da cidade de Liqian (ou Li Jien ̶ 骊靬;), a noroeste da China, província de Gansu, nos limites do deserto de Gobi, onde muitos acreditam que são descendentes de legionários romanos, da Antiguidade.


 


Cientistas colheram amostras de sangue de 93 pessoas. Eles procuram uma explicação para as evidentes características ocidentais dos moradores do local: olhos verdes, cabelos louros, narizes pronunciados, misturados com feições chinesas tradicionais.

 

 

"Eu  acredito que nós somos descendentes dos romanos ― diz Song Guorong, 48 anos (em 2007), cabelos ondulados e nariz pronunciado. Aqui existem muitos moradores com feições diferentes e existem também os registros históricos sobre estes ancestrais que aqui viveram há muitos séculos atrás.

 

A conexão com os romanos foi apontada, pela primeira vez, nos anos de 1950 pelo professor de história da China, Homer Dubs, em Oxford que encontrou registros históricos confiáveis sobre a localidade de Liqian e sua fundação, por soldados romanos que haviam sido capturados em situação de guerra entre 53 a.C. e  36 a.C., durante a expansão romana rumo ao oriente.

 

 

 

 

A história diz que 145 romanos, prisioneiros de batalha, habitaram a região por anos e o profº Dubs teoriza: poderiam ter se estabelecido como mercenários, repassando as técnicas e estratégias bélicas romanas para militares chineses. Gu Jianming, que vive próximo a Liqian, ficou  surpreso com a ascendência européia, mesmo quando sua primeira filha nasceu com os cabelos louros. Jianming é de uma família pobre e nada sabe sobre seus antepassados.

 

Outro morador, Cai Junnian, conta que seus olhos verdes lhe valeram o apelido de "Cai, The Roman". Ele se tornou uma celebridade local e, recentemente, foi ao consulado italiano, em Shangai, para encontrar seus supostos parentes. A hipótese de Dubs demorou quase 40 anos para chegar à China. No período Maoista, a ancestralidade estrangeira não era bem vista e foi suprimida da história. Cai diz que seu avô contava sobre a existência de tumbas romanas nas montanhas Qilian.

 

Os testes de sangue são parte de  um projeto conduzido por cientistas e historiadores depois que as autoridades locais passaram a permitir a pesquisa genética. Os resultados serão publicados em um jornal científico.

 

 

MISTÉRIOS

 

 

Neste monumento, três culturas são representadas: chinesa, romana e muçulmana.

 

Liqian ou Li Jien  ̶  nome da cidade, pouco mais que um vilarejo, pronunciado "Lee Jien" já foi o antigo nome chinês para o Império Romano. Ali existe um monumento de concepção estética romana (abaixo). Foi construído recentemente e os aldeões afirmam que é uma homenagem aos seus ancestrais, romanos chegaram no lugar no ano remoto de 55 a.C..

 



Registro escritos chineses falam de um confronto entre o exército chinês com uma tribo bárbara do noroeste chamada de Nu Hsiung. Os chineses conseguiram vencer os intrusos mas seus militares notaram algo incomum na estratégia de formação dos guerreiros. Eles organizavam sua infantaria de modo a formar um escudo "de escamas".

 

Os chineses chamaram essa formação justamente de "escamas do peixe". Além disso, os bárbaros instalaram-se em um reduto fortificado com paliçadas duplas. Ambas as práticas, "escamas de peixe" e paliçadas duplas foram um recurso tipicamente utilizado por legiões romanas.

Apesar disso, é fato que os Ni Hsiung eram uma tribo nômade de cavaleiros, aparentados com os hunos e os mongóis. Sempre lutaram à cavalo e jamais preocuparam-se em fortalecer suas posições ou organizar uma infantaria que atacasse à pé. Diante disso, os historiadores chineses concluíram que esse grupo de guerreiros Ni Hsiung tinham recebido uma influência estrangeira.

 

Todavia, escavações na região não revelaram nada de origem romana. Mas foram encontrados fragmentos de metal de elmos com escritas gravadas: "Um Chao", uma expressão que era usada para designas prisioneiros capturados.

 

 

DE LEGIONÁRIOS A MERCENÁRIOS

Então, pesquisadores italianos desenvolveram uma teoria: Quando o Império Romano invadiu a Pártia (ou Pérsia, Parthia-Roma, guerras  ̶, 66 a.C - 217 d.C), em meio às inúmeras batalhas que foram travadas, os romanos  sofreram a pior derrota militar de sua história em pleno deserto.

 

 

Dos 20 mil soldados envolvidos nos conflitos, ao menos 10 mil foram aprisionados e levados para a Ásia Menor, para uma cidade chamada Merv, hoje situada no norte do Afeganistão.

Em Merv, os arqueólogos encontraram, de fato, moedas romanas. Acredita-se, ainda, que muitos desses romanos foram levados para o norte da China, onde, atuando como guerreiros mercenários, lutaram em Li Jian contra os chineses. Vencidos, teriam se oferecido para defender a fronteira norte da China e, eventualmente aí estabeleceram-se integrando-se ao império chinês.

 

 

CONTROVÉRSIAS

 

Porém, há controvérsias: o professor da Beijing Normal University, Yang Gongle, contesta afirmando que a aldeia, hoje condado de Liqian foi fundado em 104 a.C., meio século, portanto, antes da suposta investida dos soldados romanos.

 

Além disso, Gongle argumenta que a formação "escamas de peixe" em infantaria e as paliçadas duplas de madeira jamais foram uma exclusividade da arte bélica romana sendo conhecidas e amplamente utilizadas na Ásia Central e Índia na mesma época.

 

Mas o professor Xie Xiaodong, um geneticista da Lanzhou University, adverte contra o entusiasmo precoce. "Se eles forem descendentes de Roma isso não significa que seus ancestrais eram soldados. O Império cobria um território enorme; muitos soldados eram recrutados localmente e qualquer coisa é possível.

 

FONTES

SPENCER, Richars. Roman descendants found in China?

IN Telegraph/UK, publicado em 02/02/2007.

Acessado em 23/07/2012.

[http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/1541421/Roman-descendants-found-in-China.html]

White Chinese - Ancestors Of The Roman Empire?

IN CHARIWEB, publicado em 27/01/2012. Acessado em 23/07/2012.

[http://www.chariweb.com/2012/01/white-chinese-ancestors-of-roman-empire.html]

 








 

 


 









 




 






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