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As Lendas de São Nicolau

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nascido em Patara, Nicolau foi bispo em Mira [Myra] além de ter empreendido peregrinações e viagens de estudo, devoção, atividades evangelizadoras e eclesiásticas. Na figura à direita, uma imagem do Santo com as três bolas de ouro em uma das, símbolo de sua assistência às famílias endividadas.

 

Saint Nicholas, São Nicolau Taumaturgo, o Milagroso, Santa Klaus ou Nicolás de Bari [nome que significa "vitória do povo"] viveu entre 270-280? e 345-352? d.C.. Nasceu na cidade de Patara, Licia, atual Turquia. Seus pais, Teófanes e Nonna morreram em uma epidemia. Desde o nascimento, deu sinais de sua santidade:

Sua mãe, Nonna, após dar à luz, foi imediatamente curada de uma doença. O recém-nascido, quando estava na fonte batismal, ficou de pé por três horas, sem ajuda de ninguém, honrando assim a Santíssima Trindade. São Nicolau jejuava desde a infância, e as quartas e sextas-feiras ele não aceitava leite de sua mãe até que seus pais tivessem terminado as orações da noite.
 

Filho único, órfão, abastado porém piedoso e vocacionado para o sacerdócio, distribuiu sua fortuna com os pobres e buscou instrução religiosa junto a um tio, bispo da cidade. Tornou-se sacerdote aos 19 anos [segundo a Hagiografía escrita por San Metodio, arcebispo de Constantinopla].  Mais tarde, mudou-se para a cidade portuária de Mira, na época, principal cidade da Lícia [hoje, Demre, Turquia]

Bispo de Mira: Há duas versões para a nomeação de Nicolau para o cargo de bispo de Mira. Com a morte do tio teria sido nomeado para a mesma função que exerceu até os 30 anos [lembremos, porém, que o tio era bispo em Patara e não em Mira]. A outra história, mais fantástica  diz que o santo, sendo já muito conhecido em Patara e, por humildade, desejando o anonimato, se instalou em Mira como mendigo.

Ia à igreja logo na primeira hora do dia, todos os dias. Foi quando morreu o bispo de Mira. Os outros bispos das regiões vizinhas reuniram-se para escolher o sucessor; todavia, não chegavam a um acordo. Diante do impasse os religiosos puseram-se a jejuar, meditar e orar pedindo um sinal de Deus. Enfim, o mais velho obteve uma "revelação": o primeiro homem que entrasse na Igreja seria o novo bispo. Como de costume, Nicolau foi o primeiro a chegar para a missa matutina e, assim, tornou-se bispo daquela cidade.
 

Logo depois da nomeação, o governante do Império Romano do Oriente, Diocleciano, mandou prender todos os bispos cristãos que não oferecessem sacrifícios públicos aos deuses de Roma. Nicolau ficou dez anos no cárcere até que Constantino ascendeu ao trono e pôs fim à perseguição aos cristãos.

O bispo Nicolau participou ativamente das discussões teológicas que marcaram a formação da doutrina oficial da igreja no primeiros séculos do primeiro milênio. Estava presente no Concílio de Nicéia, onde por causa de seu gênio, temperamental, agrediu aos tapas Arius ou Ário, defensor da doutrina conhecida como "ariana", que negava a divindade Jesus Cristo.  Foi preso e perdeu a dignidade episcopal *.

* Prudente Nery. Papai Noel. In http://www.prudentenery.pro.br/texto/arquivo/tex17.htm - acessado em 23/12/2008



Mais tarde, pediu perdão dizendo: "Não permitamos que o sol se ponha sobre a nossa ira". Outra versão curiosa relata: "Logo depois do sucedido, alguns dos membros episcopais tiveram uma visão, onde eles podiam ver o Senhor Jesus Cristo entregando a São Nicolau o Evangelho e Nossa Senhora dando-lhe a estola. Os bispos puderam entender o quanto as idéias heréticas de Arius eram incompatíveis com a verdade de Deus e restabeleceram São Nicolau ao título de bispo" *.

* Os Escolhidos: A Vida Dos Santos ─ VI.
Novembro-Dezembro. Bispo Alexander (Mileant). [Trad. por Olga Dandolo]
In http://www.fatheralexander.org/booklets/portuguese/saints_6_p.htm#_Toc84894385 - acessado em 23/12/2008.

 

 

     

 

Santo Casamenteiro & Padroeiro dos Endividados

Havia em Patara [cidade natal do santo] um homem muito rico que faliu perdendo tudo o que tinha. Sobraram-lhe apenas suas três belas filhas. O pai, inconformado com a vida de pobre, começou a engendrar um plano criminoso para ganhar dinheiro: prostituir as moças. São Nicolau ficou sabendo da monstruosidade e decidiu impedir que aquela vergonha se realizasse. Agiu em segredo, atirando um saco de moedas de ouro pela janela.

Ao receber a dádiva, o ex-comerciante resolveu que aquele seria o dote da primeira filha e casou-a decentemente. Pouco tempo depois, outro saquinho de moedas apareceu na casa e a segunda moça também se casou. Na terceira vez, colocou o dinheiro em uma meia que a mais moça tinha colocado para secar diante da chaminé. Essa é uma das origens do Papai Noel que desce pela chaminé ou que coloca presentes nas meias ou sapatinhos das crianças pendurados defronte das lareiras.

A rigor o religioso queria agir anonimamente porém, como não existe segredo que olhos e ouvidos do povo não descubram, logo começaram os boatos de Nicolás, usando sua influência entre parentes ricos, além do próprio patrimônio, era o bem-feitor misterioso de muitos pobres que tinham sido socorridos de forma "milagrosa". Na Europa a lenda das Três Moças Pobres fez de São Nicolau o santo mais solicitado pelas donzelas que buscam marido e pelas famílias endividadas. Por causa de sua caridade, que começou com a distribuição de sua fortuna pessoal,em suas imagens, São Nicolau é representado com três moedas de ouro ou três bolas douradas  em uma das mãos ou, ainda, cercado por três crianças, referência a um milagre de ressurreição [veja adiante].

 

Santo dos Marinheiros

Nicolau viajava por mar com freqüência, entre Mira e Alexandria, onde estudava, ou com destino a lugares santos. Muitas vezes, enfrentou o mal tempo e ficou conhecido pelo seu poder de aplacar tempestades e caminhar sobre as águas, salvando navios e náufragos.

Entre marinheiros e crianças, São Nicolau realizou várias ressurreições e resgates em meio à fúria dos ventos e águas, milagres notáveis que atestam a santidade de um homem:

São Nicolau desejava visitar lugares santos e com esse objetivo pegou uma embarcação em Patara, a qual se dirigia à Palestina. A viagem transcorria tranqüilamente, mas São Nicolau através de uma revelação especial tomou conhecimento da iminência de uma tempestade. Isso foi comunicado aos companheiros. Dito e feito; logo rebentou uma terrível tempestade e a embarcação transformou-se em um brinquedo indefeso das enormes ondas desenfreadas. Sabendo que São Nicolau era um sacerdote, todos pediam que ele orasse pela salvação. Através da oração do santo o vento logo diminuiu e veio uma imensa tranqüilidade. Um dos marinheiros que foi atirado pelo vento da vela sobre o convés morreu. São Nicolau o ressuscitou através de sua oração. [Mileant]

Certa vez um navio estava navegando do Egito para a Líbia, levantando-se uma terrível tempestade e o navio começou a afundar. Algumas pessoas lembraram-se de São Nicolau e começaram a pedir sua ajuda em oração. E eis que eles o vêem caminhando rapidamente sobre o mar revolto, subir para o navio e assumir o leme. A tempestade se acalmou e o navio chegou perfeitamente ao porto. [Idem]

 

 

Santo das Crianças

Sua ligação com as crianças, mais tarde, reforçou a identificação com as características do Papai Noel: premiava as que se aplicavam ao catecismo e se comportavam bem. Assim, também é protetor dos estudantes, tal como é cultuado em Guimarães, Portugal.

Não somente cuidava dos estudantes mas de qualquer criança em situação de perigo. Conta-se que, em certa ocasião, estando o bispo Nicolau de passagem por uma região, hospedou-se em uma estalagem. Era um tempo de carestia e fome. O estalajadeiro, homem malévolo e ávido de lucros, como não tinha refeição para servir aos clientes, seqüestrou três crianças a fim de transformá-las em bifes e ensopado. Matou-as, esquartejou-as e armazenou as partes em um barril de salmoura. O bispo, descobrindo o crime horrendo, reuniu os membros cortados e ressuscitou as crianças. É o santo do socorro em variadas situações, inclusive em calamidades sociais, comunitárias:

Nessa mesma época, quando a fome castigava a Lícia, São Nicolau apareceu em sonho a um comerciante, o qual estava carregando seu navio de pão na Itália, lhe deu moedas de ouro e ordenou que rumasse para a cidade de Mira, em Lícia. Ao acordar e encontrar em sua mão moedas de ouro, o comerciante se apavorou e não ousou desobedecer às ordens do santo. Ele levou seu pão ao país em crise de fome e contou ao povo sobre sua maravilhosa visão, graças à qual ele chegou até eles. [Mileant]

 

Culto e Atributos

O São Nicolau histórico é lembrado e reverenciado entre Católicos, Cristãos Ortodoxos e várias igrejas Luteranas e Anglicanas. Foi adotado como patrono de várias categorias de pessoas: marinheiros e pescadores [até porque sua família possuía uma frota de pesca], mercadores, arqueiros, crianças; dos estudantes, como em Guimarães, Portugal e também na Grécia, Bélgica, Romênia, Geórgia, Rússia, República da Macedônia, Eslováquia, Sérvia e Montenegro.

Na Armênia protege os guardas-noturnos. Na Itália, é padroeiro de várias cidades, como  Bari, onde estão seus restos mortais e onde é o santo dos coroinhas, e ainda: Veneza, Veneza, Verona, Merano, Ancona, Sassari. Também é santo patrono de Barranquilla [Colômbia], La Rioja [Argentina], Amsterdam [Holanda], Beit Jala - onde passou 4 anos de sua vida de peregrino na Terra Santa, Liverpool [Inglaterra] e, desde 1809, Nieuw Amsterdan ou seja, Nova Iorque. Em todo o mundo, mais dois mil templos, capelas, igrejas são dedicados a São Nicolau.

O martiriológio romano tem dois dias dedicados a São Nicolau: 06 de dezembro, data da sua morte em ano incerto, entre 345 e 352 d.C., e 09 de maio, dia em que suas relíquias mortais foram transladadas para a cidade italiana de Bari, que tão logo recebeu as recebeu adotou São Nicolau como padroeiro, no lugar de São Sabino, erigindo para ele uma grande e rica basílica [LEONARDI/RICARDI].

 

A troca de patronos provocou polêmica. Mas Nicolau era um santo "de primeira ordem" e possuir relíquias dessa estirpe era o tipo de coisa que fortalecia Igreja Católica, romana, em disputa com os cristão ortodoxos orientais pela liderança das almas da cristandade. A mudança dos padroeiros agradava o povo e estimulava a lucrativa movimentação de peregrinos e não haveria de se perder a  massa de devotos de São Sabino. Além disso, o episódio da mudança das relíquias de Mira para Bari estava envolto em um mais um milagre, um milagre póstumo:

"Quando os sarracenos devastaram Lícia ─ [invadindo cidades e saqueando templos cristãos] ─ em 1087, São Nicolau apareceu em sonho para um padre virtuoso da cidade de Bari (Itália) e ordenou que suas relíquias fossem transferidas para essa cidade" [MILEANT, 2004]. Prontamente, 62 soldados de Bari incumbiram-se da missão e resgataram o tesouro santo. 

Depois disso, o prestígio do Santo ganhou a Europa e relatos de seus milagres multiplicavam-se: na Espanha, no Natal de 1583, enquanto devotas rezavam para que são Nicolau socorresse os necessitados, "um [misterioso] senhor de feições muito serenas e muito firmes" percorreu a casas pobres das cidades, desafiando o inverno rigoroso, distribuindo o "pão bento".

Tal como o próprio Nicolau, seu mito atravessou terras e mares, alcançando países distantes, conquistando a devoção e a imaginação de diferentes povos. Os holandeses chamaram-no Sinterklaas e foi assim que ele chegou, no século XVII [anos 1600] à Inglaterra e no século XIX [anos 1800] à antiga Nieuw Amsterdan, Nova Iorque. Com o tempo, a fonética da língua inglesa/norte-americana transformou Sinterklaas em Santa Claus.

Foi entre Inglaterra e Estados Unidos que a figura do Santo, dotada de tantos atributos sobrenaturais, foi se transformando no protagonista provedor das graças, regalos natalinos. o clima de esperança, recomeço, irmandade entre os homens etc., todos esses valores emocionais/espirituais ganharam representação física: são os presentes de Natal [e, entre eles, o presente político-institucional, o décimo terceiro salário...].
 

Esq.: Representação popular, folclórica do Pai Natal [Father Christmas] montado em um bode. Sua provável origem é a criatura mítica Tomte ou Nis [na Noruega e Holanda], do folclore escandinavo, paganismo nórdico. Seu nome é sueco. Protege os camponeses, sua casa, sua família. Defende contra infortúnios e perigos, especialmente à noite, enquanto os pessoas dormem. Ele é pequeno, idoso, barbudo e veste-se como seus protegidos, como um camponês nórdico.Todavia, tem o poder e mudar de aparência e tamanho ou ficar invisível. O bode não é qualquer bode, ele é o Yule-goat, que na tradição de muitas regiões norte européias, é o portador dos presentes.

Dir: Todos os anos, no dia 05 de janeiro [Epifânia cristã] a Befana de Barga, Itália, percorre as ruas da cidade cavalgando seu fiel burrinho, distribuindo doces e presentes para o aglomerado de crianças ansiosas pela "aparição" da personagem [FOTO: 05/12/2005]. A Befana é típica do folclore italiano e seu nome, possivelmente deriva de corruptela de "Epífânia" em italiano, algo como "Befania". Sua caracterização é o que restou de uma divindade Sabino-romana chamada Strenia, que presidia as festas de Ano Novo.

Regente da paciência e perseverança, a Befana-Strenia, visitava as crianças da noite, véspera do dia 06 de janeiro. Tal como o Papai Noel, a relação de Befana com as crianças envolvia o merecimento: os bem comportados recebiam doces e presentes, que eram colocados dentro [junto] de suas meias ou sapatos; o indisciplinados, rebeldes, encontrariam somente pedaços de carvão ou um doce escuro imitando o carvão. Ela também distribuía figos, tâmaras e mel. Na aparência, assemelha-se a uma bruxa: velha, desloca-se voando em uma vassoura envolta em seu xale negro e suja de fuligem, porque entra nas casas através da chaminé. Para completar, usa um saco ou um cesto onde carrega as prendas.

A Befana é um mito complexo e muito antigo. Os antropólogos italianos Claudia e Luigo Manciocco, em Una Casa Senza Porte [Uma Casa Sem Porta], rastrearam a origem de Befana em crenças e práticas neolíticas. O historiador Carlo Ginzburg relaciona Befana a várias divindades mais antigas, como a escocesa Nicevenn, [também conhecida como Dame Habonde, Abundia - na Alemanha, Satia, Bensozie, Zobiana, Nicheven, ou Herodiana).

Ao longo de incontáveis mutações culturais, essas "deusas" viraram os arquétipos das bruxas medievais e de todos os tempos. A velha senhora representa o "Ano Velho", que será queimado, superado pelo Ano Novo. Em muitos países europeus ainda existe a queima de uma boneca-Velha Senhora nas festividades de entrada de ano. No norte da Itália, a boneca é chamada Giubiana e tem clara origem celta.

 

A "Noelização" de São Nicolau

São Nicolau foi o modelo de santo que as igrejas cristãs encontraram [além do apelo à lenda dos Três Reis Magos], para absorver [encontrar uma forma de tolerar] elementos culturais pagãos, apropriando-se das tradições que falavam de criaturas mágicas, encantados, duendes, elfos e divindades que distribuíam dádivas nas festividades bárbaras que marcavam os ciclos da natureza, sazonais, climáticos, agrários: começo do verão, começo do inverno etc.. Festas que evocavam a fortuna, a abundância, os celeiros abarrotados, a colheita dos frutos.

Hoje, embora as referências das sociedades pós-modernas, no ambiente cultural globalizado, não sejam mais referências ligadas à economia da agricultura e ao pastoreio, o fim do ano do calendário Gregoriano, padrão da maior parte do mundo ocidental ─ dezembro, continua a ser, seja começo de inverno, seja começo de verão, conceitualmente, convencionalmente e mesmo religiosamente [na esfera da noética, da metafísica, psicologicamente], momento de conclusão, reflexão , recompensa ou castigo, balanço "contábil" da vida de pessoas e nações, pelas labutas e negligências dos últimos doze meses.

 

Com a evolução da ciência técnica da propaganda associada à semiologia [estudo dos signos] aplicada ao design, a imagem de Santa Claus sofreu a estilização que consiste em uma composição de signos representativos dos anseios, tradições e cultura da época, entre os séculos XIX  e XX, anos 1800 e 1900, cenário da segunda Revolução Industrial [o tempo da produção em série, para "massas"]: um mundo de grandes cidades habitadas pela crescente multidão das primeira gerações do "homo consumista non sense", que precisa urgentemente dos últimos lançamentos da indústria em geral e, em especial, dos produtos da indústria cultural.

O vermelho dos trajes eclesiásticos, depois de dúvidas entre o marrom e o azul, foi mantido: suscita a idéia de vivacidade, alegria e materialidade. O gorro é herança tanto do chapéu episcopal quanto dos gorros dos encantados das florestas européias, com seus calções, botas e jaquetas debruados com peles. A figura gorda e rosada é, certamente, muito distante da pessoa real de Nicola de Bari ─ que jejuava sempre. O Papai Noel, o Santa Claus do século XX e, ainda no começo deste XXI, é o patriarca bem nutrido [fartura] com a respeitabilidade de um tipo de avô que, possivelmente, está em extinção. Meditemos...

 

Esq.: Representação singela de São Nicolau, vestido com seus trajes eclesiásticos, com seus atributos típicos de protetor dos pobres e oprimidos: as bolas de ouro, lembrando que socorria os devedores, o saco de maçãs, porque acudia aos famintos. No centro o Papai Noel de Thomas Nast, criador do tipo bonachão, em 1863, em uma ilustração para a revista Harper's Weekly. Nessa outra versão de Nast, para a mesma revista, em 1881, o bom velhinho nem parece tão bonzinho assim, politicamente incorreto nos dias atuais, ele é fumante, seu chapéu tem algo de pagão e o sorriso que ostenta é um tanto malicioso. Dir.: O Papai Noel tradicional, muito bem paramentado tal como pode ser visto em dezembro, carregando placas promocionais nas ruas de comércio ou tirando fotos com criancinhas em shopping centers de todo o mundo.

 

Toda essa simbologia, a troca de presentes e a Ceia de Natal são a atualização [ou Adaptação, como diria o ocultista Papus]  das práticas mais que arcaicas da popular "magia simpática" ou magia por simpatia, baseada no princípio metafísico subatômico [quântico] da atração entre os semelhantes [diferente do princípio físico-químico atômico da atração entre os opostos].  Na prática: fortuna atrai fortuna, fartura tarai fartura.

Os presentes também têm uma forte significação na esfera social, no planos das relações mais próximas entre as pessoas, no âmbito da comunidade [no meio profissional, na rua ou no prédio onde mora, escola etc.] e da família. O presente é o símbolo, manifestação do afeto. Significa: "Eu me lembro de você, eu te vejo, você existe para mim, você tem certa importância para mim".

Ao mesmo tempo, o Natal deflagra uma onda global de intensificação das ações de solidariedade, despertando um certo sentido de oportunidade de praticar a fraternidade anônima, gratuita, gesto inspirado, em muitos casos, pela cultura religiosa que fornece inspirações, como a biografia de São Nicolau. E ao menos uma vez por ano, as sociedades, países, nações, Estados, acionam ao máximo seus mecanismos de assistência social a fim de minorar as necessidades desesperadas dos que vivem, diariamente, a condição da miséria. Eis, então, que o objetivo do menino-Deus não morreu e os homens ainda são capazes, eventualmente, de tentar salvar o mundo...

BIBLIOGRAFIA

BEST, Ben. The History of Christmas - 21/12/2007, acessado em 23/12/2008. In REVELATIONS
LEONARDI, Claudio e Andrea, RICCARDI, Diccionario de los santos. In Google Books, p 1757 ─ Ed San Pablo, 2000

MILEANT Bispo Alexander. Os Escolhidos: A Vida Dos Santos ─ VI. Novembro-Dezembro, 2004. [Trad. por Olga Dandolo]
 In  http://www.fatheralexander.org/booklets/portuguese/saints_6_p.htm#_Toc84894385 - acessado em 23/12/2008.

São Nicolau o Taumaturgo. In Orthodox Church in America [Trad. Edward Wolf] In Ortodoxia Brasil - publicado em 26/12/2007 | acessado em 23/12/2008

WIKIPEDIA ENGLISH La Befana ─  acessado em 23/12/2008.
................................. Santa Claus ─  acessado em 23/12/2008.
................................. Saint Nicholas ─  acessado em 23/12/2008
WIKIPEDIA ESPANHOL Nicolás de Bari ─  acessado em 23/12/2008.


 




      

 

edições: Sofä da Sala
L. Cabús dezembro de 2008
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