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mistérios

06/12/2007 - Etiópia
Os Guardiões da Arca Perdida
Keepers of the Lost Ark?
por Paul Raffaele
IN Smithsonian magazine
December, 2007

tradução: Lygia Cabus

 

 

O Antigo Testamento fala claramente dos super-poderes da Arca da Aliança. Quando foi roubada pelos filisteus, estes, trataram de se livrar logo dela posto que que seu povo foi penalizado com uma praga terrível: tumores cancerígenos.

 

A queda das muralhas de Jericó também é atribuída aos poderes da Arca. Pessoas que tocaram inadvertidamente o objeto, morreram imediatamente. Somente poucos escolhidos poderiam carregá-la, usando os suportes das extremidades.

 

O próprio Moisés tinha uma das faces marcada e passou a usar um véu depois da construção da Arca. Estes poderes espantosos levaram muitos estudiosos a concluir que a Arca da Aliança continha algum tipo de material radioativo, como um pequeno reator nuclear, o que explicaria desde as doenças até as curas miraculosas atribuídas ao misterioso objeto.

 

 

Farão uma arca de madeira de acácia [Êxodo, 25:10] - foi a instrução de Deus a Moisés, no Livro do Êxodo, depois que o patriarca libertou o povo hebreu de 400 anos de escravidão no Egito. E os israelitas confeccionaram a Arca que foi banhada a ouro por dentro e por fora. Dentro desta arca Moisés depositou as Tábuas, que continham os Dez Mandamentos da Lei, gravados na pedra pelo próprio Deus no alto do monte Sinai.

Desde então, os judeus reverenciam esta Arca como uma manifestação terrena da Divindade e símbolo da Aliança entre Deus e o "povo escolhido". O Antigo Testamento descreve os poderes fabulosos deste objeto mítico: resplandecente em fogo e luz, capaz de deter a correnteza dos rios, destruir armas ou derrubar as muralhas de Jericó.

 

No Livro dos Reis, Salomão construiu o primeiro templo de Jerusalém para abrigar a Arca da Aliança e ali ela foi venerada durante todo o reinado, de 970-930 a.C. e além. Entretanto, de acordo com a história e a tradição, a Arca da Aliança desapareceu quando o templo foi saqueado pelos babilônicos em 586 a.C..
 

Ao longo de muitos séculos, enquanto os judeus acreditaram e ainda acreditam que a Arca estava/está perdida, os cristão da Etiópia [antiga Abissínia] têm afirmado que a verdadeira Arca da Aliança existe e está guardada em uma capela na pequena cidade de Aksum.

 

Dizem as lendas que a Arca sagrada chegou à Etiópia há 3 mil anos atrás e tem sido protegida por uma sucessão de sacerdotes virgens que, uma vez escolhidos, nunca mais põem os pés fora da capela, até a morte.

 

 

 

Um mural em Aksum, típico, cujo tema pode ser visto em outros murais em toda a Etiópia, representa o encontro da rainha Sheba com o rei Salomão.  FOTO: Paul Raffaele

 

 

De Jerusalém a Aksum, a trajetória da Arca da Aliança está ligada à figura de Menelik, filho da rainha Sheba, mais conhecida como rainha de Sabá, com Salomão, o rei sábio dos judeus.

 

A história é contada no Kebra Negast ou o Livro da Glória dos Reis que contém a crônica da linhagem real de Salomão em terras etíopes. Segundo o Kebra Negast, a rainha Sheba viajou até Jerusalém a fim de conhecer os segredos da sabedoria de Salomão.

 

Ao que parece, a rainha partilhou mais que conhecimento com o rei: na viajem de retorno ao seu país, ela deu à luz um filho do monarca, Menelik.
 


Adulto, Menelik foi visitar o pai e, três anos depois, na volta à Etiópia foi acompanhado pelos filhos primogênitos da nobreza israelita. Estes judeus, sem que Menelik soubesse, tinham roubado a Arca. Menelik considerou a gravidade do fato mas concluiu que, sendo a Arca tão poderosa, se não havia destruído os ladrões, devia ser porque era da vontade de Deus que o objeto sagrado ficasse com ele em seu país.

 

[Outra versão afirma que a Arca foi confiada a Menelik pelo próprio rei Salomão; outra ainda, diz a Arca levada por Menelik, que deveria ser uma cópia, foi trocada pela original].

 

 

Muitos historiadores, como Richard Pankhurst, um pesquisador britânico que viveu na Etiópia por quase 50 anos, datam o manuscrito do Kebra Negast no século 14 [anos 1300].

 

As crônicas, em idioma copta, teriam sido copiadas de originais ainda mais antigos. O livro foi escrito para validar a reivindicação dos descendentes de Menelik que se consideram herdeiros da realeza de Salomão e, portanto, governantes do país [ou reino] por "direito divino". Alegam que a linhagem salomônica etíope jamais foi quebrada.

 

 

Sua Santidade Abuna Paulos, patriarca da Igreja ortodoxa Etíope [2007] desde 1992, PhD em teologia pela Princeton University [USA], sentado em um trono de ouro, explica:

 

Nós temos mil anos de judaísmo seguidos de dois mil anos de cristianismo. Nossa religião tem suas raízes no Antigo Testamento. Seguimos a mesma dieta dos judeus, segundo as leis estabelecidas no Levítico. Os pais fazem circuncidar os meninos e escolhem os nomes dos filhos entre os personagens do Antigo Testamento. Muitos observam o descanso do sábado, o Sabbath.

 

Sobre a rainha Sheba, o patriarca diz: A rainha Sheba visitou o rei Salomão em Jerusalém há três mil anos. O filho dela com o rei, Menelik, aos 20 anos, foi a Jerusalém de onde trouxe a Arca da Aliança para Aksum. Ela tem estado na Etiópia desde então.

 

 

Abuna Paulos, que não põe em dúvida a tradição, nunca viu a Arca. O objeto é tão misterioso que nem o patriarca tem esse direito. O guardião da Arca é à única pessoa no mundo que tem essa honra.

 

A Arca não permaneceu continuamente em Aksum ao longo da História. Monges mantiveram-na escondida por 400 anos  e sempre que houve risco da relíquia cair em mãos profanas. O monastério que abriga a Arca fica em uma ilha no Lago Tana, 200 milhas a noroeste do caminho para Aksum.

 

 

 

Monge Abba Haile Mikael, do lado de fora de sua cabana com o crucifixo e o Livro Santo, na ilha de Kirkos, Lago Tana, um dos possíveis refúgios da Arca da Aliança.

 

 

O Lago Tana [ou T'ana, ou ainda Tsana] é a fonte do Nilo Azul. O maior lago da Etiópia, localizado a 1.840m de altitude, tem cerca de 3.500 km² de superfície e misteriosas ilhas que aparecem e desaparecem conforme sobe ou desce o nível das águas. Ali, pescadores ainda utilizam embarcações primitivas, feitas de papiro, tal como os egípcios dos tempos dos faraós. A ilha onde, supostamente, encontra-se a Arca da Aliança chama-se Tana Kirkos.

 

A primeira visão da ilha é um paredão de pedra com 150 metros de altura e meio quilômetro de largura.O barco acerca-se de um pequeno cais que dá para um caminho feito na rocha.

 

Um monge, vestido de amarelo, aguarda e logo vistoria o barco para certificar-se de que não há mulheres à bordo. O monge á Abba ou Pai Haile Mikael informa que na ilha residem 125 monges e mais alguns noviços. As mulheres foram banidas há séculos porque sua presença colocava em risco a virtude dos homens.

 

Sobre a Arca, outro monge, Abba Gebre Maryam explica: A Arca veio de Aksum para esta ilha a fim de ser preservada de inimigos saqueadores. Isso, muitos antes do nascimento de Jesus. Naquele tempo, nosso povo seguia a religião judaica. Durante o reinado de Ezana, há 1.600 anos, a Arca retornou a Aksum.

 

O reino de Ezana estender além do mar Vermelho alcançando a península Arábica. Aquele monarca converteu-se ao Cristianismo em 330 d.C..

 

Segundo Abba Gebre, Jesus e Maria passaram 10 dias na ilha durante seu longo exílio das terras de Israel [refere-se, portanto, ao período infância-juventude de Jesus, não mencionado na Bíblia católica]. existe até uma pedra que, segundo a tradição, serviu de repouso para a Virgem Maria e seu filho.

 

 

 

A bandeja de bronze, sob a guarda dos monges de Tana Kirkos, teria sido retirada do Templo de Jerusalém pelo príncipe Menelik e viajou para a Etiópia junto com a Arca e outros objetos de culto.

 

 

A ilha também guarda suas Tabots, réplicas das Tábuas da Lei mosaica, em uma igreja antiga, construída com madeira e e rocha, em forma circular, como é tradicional na Etiópia.

 

Todas as igrejas etíopes possuem suas próprias réplicas, que são consideradas como a credencial necessária para santificar os templos. Sem as Tabots, uma igreja é tão sagrada quanto um estábulo, esclarece Abba Gere. A cada 19 de janeiro, na festa chamada Timkat ou Epifânia, as tábuas saem das igrejas e são levadas pelos fiéis pelas as ruas das cidades em procissão.

 

 

 

 

Na festividade da Epifânia, Timkat, 19 de janeiro, padres, diáconos e outros religiosos, vestidos com suas belas e coloridas túnicas, ornadas com finos brocados, saem às ruas em procissão levando sobre as cabeças as réplicas das Tábuas da Lei Mosaica, aquela que contém dos Dez Mandamentos da lei de Deus, recebidos por Moisés, diretamente de Deus, no alto do Monte Sinai. As tábuas são envoltas em veludo negro bordado com fios de ouro.

 

A ilha também guarda suas Tabots, réplicas das Tábuas da Lei mosaica, em uma igreja antiga, construída com madeira e e rocha, em forma circular, como é tradicional na Etiópia.

 

Todas as igrejas etíopes possuem suas próprias réplicas, que são consideradas como a credencial necessária para santificar os templos. Sem as Tabots, uma igreja é tão sagrada quanto um estábulo, esclarece Abba Gere. A cada 19 de janeiro, na festa chamada Timkat ou Epifânia, as tábuas saem das igrejas e são levadas pelos fiéis pelas as ruas das cidades em procissão.

 

Como prova da conexão Jerusalém-Salomão-Etiópia, Abba Gebre mostra uma antiga bandeja de bronze que também teria sido trazida por Menelik, para Aksum,  junto com a Arca e outros objetos de culto, em seu retorno à Etiópia, depois da visita ao pai, o rei Salomão, em Jerusalém. O sacerdotes judeus usavam as bandejas para o recolher o sangue de animais sacrificados.

 

A reverência dos etíopes pela Arca é bem ilustrada pela cerimônia sagrada que acontece na cidade de Gonder. Ali, o Arcebispo Andreas, líder local da Igreja Ortodoxa Etíope lembra que a história da Arca na Etiópia tem atravessado gerações ao longo de milênios; esta é uma evidência de fato reforçada pela sacralização das Tabots, as réplicas das Tábuas da Lei presentes em todos os templos cristãos etíopes, uma característica ritual que aparece na liturgia de outras nacionalidades cristãs.

 










 



 


















 









 




 

 

Em Gonder, na Festa de Timkat ou Epifânia, o Arcebispo, portando as Tábuas de sua Igreja, abre a procissão seguido de dúzias de padres, diáconos e acólitos. São acompanhados por centenas de pessoas. Cantos, hinos, preces, são entoados. A este séquito, ao longo do trajeto nas ruas, reúnem-se outros clérigos de outras sete igrejas, todos levando suas Tábuas. A Timkat prolonga-se por três dias, entre missas e outras celebrações.

 

Em Aksum existe um grande reservatório de água, a superfície coberta de espuma verde. É chamado de banho da Rainha Sheba e muitos acreditam que suas águas são amaldiçoadas. Em meio ao mistério que envolve a Arca, outra tradição afirma que a relíquia está em uma capela, Capela de santa Maria do Sião, em Aksum, atualmente [2007] sob os cuidados do padre Nerbuq-ed. [A confusão pode ser proposital, como medida de segurança]. De acordo com Nerbuq, o guardião ora constantemente diante da Arca, queima incensos como tributo a Deus.

 

O único homem do mundo autorizado a olhar para a Arca da Aliança israelita é escolhido pelos altos sacerdotes de Aksum e pelo guardião vivo. O guardião não entra em contato com leigos. Somente os líderes religiosos podem vê-lo ou falar com ele. Uma vez o escolhido, o guardião abandona seu próprio nome e passa a se chamar "Guardião da Arca" ou Atang.

 

Outras fontes, porém, como a reportagem publicada pela National Geographic, assinada por Candice S. Millard, informam que o Guardião é o sacerdote Abba Mekonen, cerca de 70 anos [em 2006], no posto há pouco mais de 3 anos na missão que só termina com a morte. Ele nunca sai da área da capela. aos curiosos que insistem em ver a Arca, os sacerdotes, tanto em Aksum como na ilha do Lago Tana respondem: "Quem poderá contemplar a face de Deus?"

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