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antropologia, rússia

17/11/2007

RÚSSIA  ̶  FAMÍLIA APRISIONADA

tradução: Lygia Cabus

FONTE: Father organizes Nazi camp for his wife and five children in Russia 

IN PRAVDA ENGLISH | publicado em 15/11/2007

 

 

Anatoly Titsky Viver na taiga não é selvageria. Selvageria é viver entre os homens

 

RÚSSIA. Há dois anos, o russo Anatoly Titsky, 47 anos, construiu uma prisão de segurança máxima no meio de uma floresta e ali encerrou sua família, mulher e cinco filhos: um rapaz de 17 anos, Sasha e quatro garotas; Vera 14 anos; Valentina, 12 e Kristina, 5 anos.

 

O lugar é cercado com arame farpado, delimitado com bandeiras vermelhas e guardado por 20 cães ferozes. Na "entrada", o aviso: "Área Restrita".

 

"Os cachorros davam o alarme infalivelmente se a mulher ou os jovens ou, ainda, pessoas de fora, se aproximassem dos limites da cerca. Os prisioneiros não tinham qualquer chance de fuga", contou Nadezhda Shestakova, chefe do departamento de delinqüência juvenil da cidade próxima, Tashtagol.

 

A polícia foi ao local depois da denúncia de um coletor [ou catador] de cogumelos que relatou às autoridades sua espantosa descoberta: "Eu vi a coisa de perto. O lugar parece uma prisão com aquelas bandeiras vermelhas marcando os limites e os cachorros espumando. Então, vi crianças atrás da cerca de arame e pensei que talvez, ali, estivesse escondido algum desses molestadores de crianças".

 

Os policiais passaram quase todo o dia procurando a "prisão" e quando encontraram foram rechaçados pelos cães. Foi necessário chamar reforços de homens e armas. A essa altura, Titsky escondeu-se com a família em um compartimento subterrâneo. Mas foram achados.

 

Titsky ainda tentou uma reação; mandou as crianças correrem para a floresta. Dentro do abrigo, porque não era uma "casa", o cheiro era nauseabundo e o cenário, um pesadelo. Galinhas e gansos dividiam o espaço exíguo de 15. Havia uma mesa improvisada e um beliche.

 

Ao ser interrogado, Anatoly Titsky explodiu em lágrimas e alegou que confinava a mulher e os filhos na floresta por razões de segurança e disse mais: "Viver na taiga não é selvageria. Selvageria é viver entre os homens. O homem é o lobo do homem. Este mundo está cheio de malícia e ódio".

 

Perguntaram a ele: "Você percebe que condenou sua mulher e filhos a uma vida de miséria"? - Ele respondeu: "Os Lykov, os Crentes antigos, também escolheram viver na taiga naquele tempo. Eu decidi fazer o mesmo; educar meus filhos da minha maneira".

 

Este russo achava que estava preparando os filhos para enfrentarem as situações mais cruéis da vida submetendo-os a uma rotina de campo de concentração. Entretanto, enfim, admitiu que tinha sido duro demais com seus métodos [!].

 

A família se conformou com medo de morrer nas mãos de Titsky. Suas ordens eram inquestionáveis. As crianças trabalhavam todos os dias no cultivo de 4 acres de terra onde plantavam batatas e abóboras.

 

O dia começava e terminava com orações. Todas as noites, Titsky passava horas lendo sermões morais da Antiga Igreja Eslavônica e a família era obrigada a ficar ali e escutar, ao ar livre, ainda que estivesse chovendo ou nevando.

 

As crianças foram instaladas em um orfanato. Pela primeira vez, em dois anos, tomaram um banho quente, comeram refeições decentes e dormiram em camas, com travesseiros e cobertores. Anatoly Titsky pôde visitá-los e pediu que o esquecessem. ainda assim, as autoridades acham que, no futuro, a família poderá se reunir novamente.

 
 






 

 



 




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