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TRATADO ELEMENTAR DE MAGIA PRÁTICA
Gerard Anaclet Vincent Encausse
Papus - [trad. d E.P.]
São Paulo: Ed. Pensamento, 1995

PAPUS (OU Papi)

Ocultista destacado do século XIX, 

médico brilhante, reuniu tradições mágicas 

e conhecimentos científicos 

em obras fundamentais 

para estudantes de Ciências Ocultas.

VOLUME I - PARTE 1 DO ESTUDO - PRÁTICA

TRECHOS SELECIONADOS & COMENTÁRIOS

***

1. Cap. I - Definição de Magia

2. Cap. II - O Homem

2.1. Sobre Meditação

2.2. Saúde e Equilíbrio

2.3. Força Nervosa

2.4. Sobre o Sono

2.4. Sobre Embriaguês

2.4. Sobre a Loucura

Cap. III - A Natureza

3.1. Homem e Microcosmo

3.2. Astrologia

3.3. Natureza Inteligente

3.4. Memória das Formas

Capítulo IV - O Arquétipo

4.1 Homem e Deus 

ESTUDO PARTE 2

ESTUDO PARTE 3

ESTUDO PARTE 4

 

 

 

Capítulo I

DEFINIÇÃO DE MAGIA

Magia — cavalos — carruagens e cocheiros

— Vistes alguma vez um fiacre (coche, carruagem) transitando pelas ruas de Paris? ... se observares atentamente este fiacre, estareis em condições de aprender rapidamente a mecânica, a filosofia, psicologia e sobretudo, a magia. Se minha pergunta ... vos parece absurda é que não sabeis ainda observar.

Olhais, mas não vêdes; experimentais passivamente sensações, mas não tendes o costume de as analisar, de procurar as relações das coisas. ... Todos os fenômenos físicos que ferem nossos sentidos, não são mais do que reflexos das vestes de princípios mais elevados: as idéias. ...

Voltemos ao nosso fiacre. Uma carruagem, um cavalo, um cocheiro, eis toda a filosofia, eis toda a magia. ... Se o ser inteligente, o cocheiro, quisesse pôr em movimento seu fiacre sem o cavalo, o carro não andaria. ... [Entretanto] muitos supõem que magia é a arte de fazer mover fiacres sem cavalos ou, traduzindo em linguagem um pouco mais elevada, de agir sobre a matéria pela vontade e sem intermediários de espécie alguma. ...

Observastes que o cavalo é mais forte que o cocheiro e que, por meio das rédeas, o cocheiro domina a força bruta do animal que ele conduz? O cocheiro representa a inteligência e, sobretudo, a VONTADE, o que governa todo o sistema ... A carruagem representa a matéria, o que é inerte ... O cavalo representa a força.

Obedecendo ao cocheiro e atuando sobre a carruagem, o cavalo move todo o sistema. [O Cavalo] é o princípio motor ... elo intermediário entre a carruagem e o cocheiro, elo que prende o que suporta (matéria) ao que governa (pensamento, inteligência). [Em outras palavras] ... O cocheiro é a VONTADE HUMANA, o cavalo é a VIDA (FORÇA VITAL) ... sem a qual o cocheiro não pode agir sobre a carruagem.

... Ora, quando nós nos encolerizamos ao ponto de perder a cabeça, [dizemos que] o sangue "subiu à cabeça" {ou, a força vital, o cavalo descontrolado apoderou-se da mente], isto é, o cavalo "desboca-se" e, céus! Nesse caso, o dever do cocheiro é [manter o pulso firme nas rédeas], e pouco a pouco, o cavalo, dominado por essa energia, torna-se calmo. O mesmo acontece com o ente humano: seu cocheiro — a vontade, deve agir energicamente sobre a cólera, as rédeas que prendem a força vital à VONTADE devem ser mantidas em tensão [sob controle] ...

A magia sendo uma ciência prática, requer conhecimentos teóricos preliminares, como todas as ciências práticas. Entretanto, há diferença entre um engenheiro mecânico, que passou por um curso universitário e um mecânico técnico ou leigo, que fez um curso rápido ou aprendeu na lida do dia a dia da oficina. Em muitos lugarejos, há leigos em magia que, de fato, produzem fenômenos curiosos e realizam curas, porque aprenderam a fazer estas coisas vendo como eram feitas pelos mais velhos, repetindo tradições cujo fundamento, geralmente, se perdeu. Esses "magos leigos" são os chamados FEITICEIROS ...

Sendo prática, a magia é uma ciência de aplicação. Mas, o quê o operador vai aplicar? SUA VONTADE ... o princípio diretor, o cocheiro do sistema. Perguntamos ainda: em quê, em qual objeto será aplicada esta VONTADE? Na MATÉRIA?

Nunca! Seria como um cocheiro agitando-se na boléia da carruagem enquanto o cavalo ainda está na estrebaria! Um cocheiro AGE SOBRE um cavalo, não sobre a carruagem. ... Um dos grandes méritos da ciência oculta é justamente ter fixado este ponto: que o espírito não pode agir sobre a matéria diretamente; o espírito age sobre um AGENTE INTERMEDIÁRIO, o qual, por sua vez, reage (repercute) sobre a matéria.

O operador deverá, pois, aplicar sua VONTADE não diretamente na matéria, porém naquilo que modifica a matéria incessantemente, [seu mediador plástico] que, a ciência oculta chama PLANO ASTRAL ou PLANO DE FORMAÇÃO DO MUNDO MATERIAL.
p 17-18-19-20-21

Antes de comandar as forças em ação em um grão de trigo, aprendei a comandar aquelas que agem em vós mesmos e lembrai-vos que antes de ocupardes uma cadeira de Mestre na Sorbonne, é preciso passar pelo Liceu e pela Faculdade. p 21

 

2. DEFININDO MAGIA Magia é ... a aplicação da VONTADE às forças HIPERFÍSICAS (ou metafísicas) da natureza. Estas forças HIPERFÍSICAS diferem das FORÇAS FÍSICAS no que se refere à sua essência energética: as forças físicas são puramente mecânicas enquanto, as hiperfísicas são psico-orgânicas. Nas palavras de Papus, as forças hiperfísicas "... são produzidas por seres vivos em vez de o serem por máquinas" (PAPUS, 1995 - p 22, 23).

São exemplos de forças FÍSICAS: calor, luz, eletricidade. São forças que tocam os sentidos físicos e se relacionam às percepções comuns dos olhos, ouvidos, tato, olfato e paladar. Já a força hiperfísica manifesta-se especialmente por meio do PENSAMENTO-VONTADE capaz de controlar a vitalidade ou fluxo de energia vital. "Reichenbach provou, desde 1854, que os seres animados e certos corpos magnéticos desprendiam, na obscuridade, eflúvios visíveis para os sensitivos.

Estes eflúvios constituíam para Reichenbach a manifestação de uma força desconhecida que ele chamou OD. ...Há, na Índia, seres humanos adestrados ...no manejo destas forças hiperfísicas ... (Idem, p 23). Papus descreve a experiência de um faquir capaz de promover o desenvolvimento de uma semente em planta adulta em poucas horas usando tão somente seus eflúvios vitais.

"A vontade do faquir pôs em jôgo uma força que anima em algumas horas uma planta, que só um ano de cultura poderia conduzir ao mesmo resultado. Ora, esta força não tem dez nomes para um homem de bom senso; ela chama-se simplesmente VIDA.

...A vontade do faquir atuou sobre a VIDA ADORMECIDA NO vegetal e não só pôs esta força vital em movimento como também lhe forneceu elementos de ação MAIS ATIVOS que aqueles que fornece habitualmente a natureza.

O faquir nada fez de SOBRENATURAL. Ele apenas PRECIPITOU um fenômeno natural: fez uma experiência mágica, mas nada produziu de contrário às leis da Natureza. Mas que meios utiliza o faquir para ATIVAR uma força latente na planta? A ciência oculta ensina que o faquir utilizou SUA PRÓPRIA FORÇA VITAL. Isso demonstra que A VIDA PODE "SAIR" DO SER HUMANO E AGIR À DISTÂNCIA."
(PAPUS, 1995 - p 23, 24)

Pelo exposto podemos dizer que magia é "a ação consciente da vontade sobre a vida". ...Para distinguir as forças de que se ocupa a Magia das forças físicas chamaremos as forças mágicas de FORÇAS VIVAS.

A Magia é a APLICAÇÃO DA VONTADE HUMANA, dinamizada (concentrada e direcionada) à evolução rápida das forças vivas da Natureza (direcionada para a produção de fenômenos coerentes com as leis da natureza)." p 26

CAPÍTULO II — O HOMEM



Esquema da constituição setenária do homem:

quatro planos terrenos, três planos divinos.

IMAGEM IN: http://technosanity.7gen.com/

 

O homem é triplo: nele, tudo se manifesta em três esferas ontológicas (de ser), seja no aspecto físico ou psíquico. O homem e triplo e triuno, três em um porque os três não existem em separado, porém interados. Somente um homem plenamente desenvolvido consegue dominar a complexidade de seu próprio ser.

No plano terreno ou meramente físico, o homem, como ensina a magia tradicional, é um resumo da Natureza e contém em si o SER MINERAL, o SER VEGETAL e o SER ANIMAL. Porém um ser humano é também um ser metafísico, ele é o SER QUE PENSA, o pensante, o racional.

Este homem também é trino: sua essência inferior é o

1. Espírito, aquele que tem consciência do "Eu Sou"; seu corpo metafísico, que abriga o Espírito, é

2. Buddhi, o Veículo e a essência superior do homem é aquilo que no humano se confunde e coexiste com o Criador,

3. Atman, o Homem-Deus. O estudante de magia deve atentar especialmente ao animal que existe em todos nós. Papus denomina esse animal humano de o SER IMPULSIVO.

...o homem é triplo e tudo nele se manifesta sob uma aparência trinária. O mesmo se dá com sua constituição psicológica. ... O homem é triplo e mesmo triuno quando ele está completamente desenvolvido, psicologicamente falando. Quantos homens, porém, não têm desenvolvido senão um ou dois de seus centros intelectuais... O primeiro fim da Magia será pedir, antes de tudo, ao estudante consciencioso que aprenda a analisar seus impulsos, sabendo excitá-los ou inibi-los conforme as circunstâncias. (PAPUS, p 48-49)

 

O HOMEM IMPULSIVO

O homem sofre a influência do exterior pelos órgãos dos sentidos e age sobre o exterior pelo olhar (olhos), pela palavra (laringe), pelo gesto (braços) e pelo movimento ou ação (pernas e todo integrado). ...Os olhos pertencem propriamente à pessoa, ao homem de vontade (e não ao animal humano) que tem o olhar como meio de expressão. Por isso, o olhar será o primeiro a ser modificado pela loucura, pela embriaguês etc..

...Ora, todos estes órgãos de expressão podem obedecer quer ao homem de vontade, quer aos atos reflexos (o animal). ...Domina-se um reflexo como se domina um animal: pelo hábito porém o ideal de certos homens consiste em fazer-se substituir por seus reflexos em todas as ocupações da vida. E dizem, então, que são felizes.

...O grande inimigo da magia é o homem impulsivo. É ele que é preciso saber dominar, apesar de seus protestos em cada um de nós, pois é dele que vêm todos os compromissos e todas as fraquezas — visto que ele é mortal, como nos ensina Platão no Timeu — e só o HOMEM VERDADEIRO é imortal. Aquele que submete o imortal ao mortal, materializa-se...

O HOMEM IMPULSIVO pode apresentar-se-nos como SENSUAL, SENTIMENTAL ou INTELECTUAL. Seu caráter fundamental, porém, é a passividade. Ele obedece a uma sugestão habitual ou de uma outra vontade, mas não age nunca por si mesmo. É um sujeito sonambúlico que pode ser inteligente, mas não é um homem.

 

INSTINTIVO SENSUAL — Animal Faminto

Depois de uma sensação, um homem puramente instintivo manifesta unicamente NECESSIDADES. É um ser guiado por apetites. O ideal da vida dele será comer, beber e dormir. E este ser amará, mas somente como um macho pode amar uma fêmea. Onde está sua RAZÃO? Ele não é um louco todavia sua razão está no presa ao instinto e um homem instintivo não é um verdadeiro homem.

INSTINTIVO EMOTIVO — Animal Apaixonado

Um homem mais elevado que o precedente vai além de necessidades culturais de fundo biológico. O animal emotivo é movido por suas paixões. É a esfera sentimental que predomina neste tipo. ...Em tal homem o sentimento ocupa o lugar principal. Para estes, a maior alegria é o amor bucólico sob a frondosa sombra de um copado arvoredo, um bote e um pouco de música.

INSTINTIVO INTELECTUAL — Animal Inteligente!

A terceira encarnação do homem impulsivo é o INTELECTUAL. A primeira pergunta que nos farão é a seguinte: como admitis que um homem possa manifestar intelectualidade fora da ação da alma imortal? Tal como o animal dominado por desejos e o animal submisso a emoções, existe igualmente o animal inteligente, capaz de aprender truques!

O intelectual não bebe, não tem fortes apetites sexuais nem gastronômicos. É uma pessoa judiciosa , um modelo de cidadão. Entretanto, não é um homem, é uma máquina. Nele, o raciocínio fútil substitui o amor; o cálculo a propósito de minúcias, substitui a música. O dinheiro ocupa um lugar de máxima importância em sua vida.

...A vida real decorre entre 1.200 francos e a Cruz da Legião de Honra; a felicidade calculada, a casa de campo e os coelhinhos. Ele é uma máquina de idéias criada pelo Estado para seu uso, muito útil à sociedade, pois as faculdades desenvolvidas à força de professores e à custa de castigos, são as mais elevadas que o homem impulsivo pode produzir.

Estas faculdades são: dedução, análise, comparação, memória. Porém, ele não é um homem no sentido psicológico e, sobretudo, mágico da palavra: é um organismo votado ao cálculo a tal ponto que seu vício preferido, aquele que distrai esta espécie de seres, não o vinho nem a mulher: é o jôgo.

...A mola que move a máquina intelectual do homem é o número. Daí provém a obediência a horas; a faculdade que quase todos nós possuímos de despertar na hora certa, pensando nela com insistência. Não há nada de extraordinariamente inteligente nestas coisas se compreendemos bem as três esferas de ser do animal humano como ensinaram Pitágoras, Platão, hermetistas e ocultistas de todas as épocas.

Aí está o perigo terrível das funções administrativas, das carreiras que incrustam no indivíduo hábitos inveterados... Ao lado do ofício que põe em movimento a parte mecânica de nosso ser intelectual, é preciso, portanto, que todo homem digno deste nome tenha uma OCUPAÇÃO LIVREMENTE ESCOLHIDA. Descansa-se do trabalho físico pelo trabalho intelectual, descansa-se o intelectual pelo lúdico, pelo artístico porém JAMAIS o descanso se confunde com o ÓCIO.

  p 50-51-52-53-54-55-56

 

O HOMEM DE VONTADE

Dominando todos os impulsos, percebendo-os e julgando-os, existe uma potência maravilhosa mais ou menos desenvolvida em cada um de nós; a VONTADE HUMANA, o Homem real, verdadeiro. O homem de vontade pode agir diretamente sobre as incitações reflexas da sensação, do sentimento ou do intelecto; ele pode agir pelo olhar, pela palavra, pelo gesto e pela ação sobre os outros homens e sobre a natureza.

O homem verdadeiro encarna em si uma três potências do Universo. Este homem se relaciona com a Natureza em igualdade de condições. O homem de Vontade é o imperador do mundo da matéria, do mundo das idéias, é o inventor e fundador das cidades, o explorador audaz e o revelador da verdade eterna; sabe sofrer, abster-se e morrer quando for preciso porque ele domina seu organismo, não é dominado por ele. É um senhor e não um escravo.

 

Meditação

O homem que adquiriu o hábito de agir sobre suas impressões não se contenta em experimentar passivamente a sensação, ao contrário, desde que ela se produz, apodera-se da sensação e sujeita a impressão recebida a um trabalho todo particular que chamaremos meditação. A meditação consiste na digestão psíquica da idéia produzida pela sensação. A idéia primitiva, submetida à meditação, resulta em um juízo. ...O uso da meditação é a preliminar obrigatória no estudo da magia no que se refere ao domínio da Vontade. (p 59)

Saúde & Equilíbrio

No homem, o equilíbrio entre corpo e espírito se estabelece através de um princípio intermediário: vida, mediador plástico ou CORPO ASTRAL. Tanto a saúde física quanto a saúde psíquica dependem desse equilíbrio. O que chamamos de saúde para o corpo físico é um equilíbrio, uma resultante de várias forças. As doenças orgânicas surgem por excesso ou falta de princípios nutrientes. No primeiro caso há congestões; no segundo, anemias.

Mas não somente o corpo físico adoece. De forma análoga, há doenças do CORPO ASTRAL e do ESPÍRITO causadas por desequilíbrios. Esquematicamente e metaforicamente: o corpo é o veículo; o Espírito é a vontade inteligente que conduz o veículo.

Entre o veículo e o condutor, há um elemento intermediário, um conector que transmite o comando, do condutor para o veículo. O homem comanda seu veículo por meio de fluxos de energia que denominamos FORÇA NERVOSA. A força nervosa é o cavalo de uma carruagem. Essa força é o laço que prende o espírito ao corpo material. É a vitalidade que produz ações e reações.

 

Força Nervosa

A força nervosa é a energia intermediária por meio da qual o espírito atua sobre o organismo e sobre o mundo exterior. ...Lembremo-nos que o ser humano compreende, além deste corpo físico, simples suporte, um outro princípio encarregado de mover e animar tudo: o CORPO ASTRAL.

Este corpo astral age quase sempre conforme a lei dos reflexos, o que significa que a irritabilidade orgânica é a causa de quase todos os movimentos do ser psíquico-impulsivo.

...Ora, o centro psíquico impulsivo (o animal) pode ser mobilizado quer por uma excitação vinda do mundo exterior, quer por uma excitação vinda do espírito consciente. Graças à provisão de fluido nervoso que o espírito tem sempre à sua disposição, no estado de vigília, ele pode excitar diretamente um centro psíquico no sentido que ele julgar preferível; é assim que o espírito pode deter um movimento reflexo.

 

Sono

No estado de vigília o espírito dispõe de uma certa quantidade de fluido nervoso. Ao longo de um período de atividades físicas e/ou mentais, o fluido se esvai. Quando o nível deste fluido torna-se muito baixo as relações do espírito com o corpo perdem sua intensidade.

Os membros se entorpecem, o indivíduo já não tem forças para manter-se de pé, seus olhos pesam, fecham-se, os órgãos dos sentidos perdem sua precisão e o SONO NATURAL se produz. O sono é causado pela diminuição progressiva da quantidade de fluido nervoso. Daí a perda da sensibilidade exterior e da volição: as relações entre o espírito consciente e o organismo são interrompidas momentaneamente.

Durante o sono, o corpo astral, que pertence à esfera do homem físico, repara as perdas orgânicas dos centros nervosos conscientes e produz uma nova quantidade de fluido nervoso. Quando o nível de fluido nervoso disponível atinge novamente um nível ótimo, a comunicação entre o organismo e o ser consciente se restabelece: o sujeito acorda. (p 70)

 

Embriaguês

O homem que se embriaga com substância alcoólica dá ao seu sangue um dinamismo maior que o ordinário. Todos os órgãos são excitados e o mesmo se dá nos centros nos quais está condensada a reserva de força nervosa. A embriaguês se desenvolve em três fases:

Primeira fase: no início, o espírito parece dotado de maior vivacidade. O animal intelectual é o primeiro a ser excitado. A imaginação funciona mais do que nunca, tendo à sua disposição uma considerável quantidade de fluido nervoso. É a fase excitante do álcool sobre o corpo físico.

Segunda fase: A seguir, os centros impulsivos de desejo e emoção começam a se fortalecer e se impor sobre o intelecto e sobre o espírito consciente. Apetites e emoções subjugam o racional. Perde-se o senso comum, a razão, a sagacidade e o equilíbrio, inclusive o equilíbrio físico. Os movimentos são vacilantes. Nesta fase, uma idéia fixa, geralmente absurda, pode tornar-se único móvel dos atos do bêbado. Todos os maus instintos, as más paixões são despertadas e podem conduzir o homem à perdição.

Terceira fase: Se o indivíduo continua ingerindo mais álcool, toda a força nervosa disponível ao espírito é dissipada e a conexão entre corpo e espírito se desfaz. O sujeito cai mergulhado em profundo sono e se a separação entre corpo e espírito foi muito rápida ou muito completa, o resultado é a morte.
(p 71)

 

Loucura

A loucura é uma embriaguês permanente. Na loucura o ser impulsivo prevaleceu definitivamente sobre o ser consciente. ...O gênero de loucura dependerá do centro impulsivo que predomine sobre os outros. Se o centro intelectual domina, a loucura das grandezas, a idéia fixa e persistente aparecerão (mitomania, por exemplo).

Se o centro anímico predomina (paixões) veremos a loucura extática em suas variadas formas. Enfim, se é o centro instintivo que atingido, a hipocondria e a melancolia prevalecerão sobre todas as outras manifestações.

Convém notar que a separação absoluta é pouco freqüente e muitas vezes o louco passa de um período para outro, ao acaso dos movimentos do ser impulsivo. Um louco é quase sempre um ser meio morto, quando não o é completamente. Swedenborg afirma essa conseqüência tirando dela sombrias conclusões acerca do vampirismo. (p 76)

 



IMAGEM FONTE:

http://www.ron521.homestead.com/files/Breath_of_Gaia.jpg

Breath of Gaia from a calendar by Josephine Wall

IN www.ron521.homestead.com/ImagesofGaia.html

 

CAPÍTULO III - A Natureza

Este seixo que está aqui na minha frente, a árvore sob a qual eu estou e a erva que a circunda, os insetos e pássaros que vejo, tudo isso constitui manifestação da natureza em seus três reinos: mineral, vegetal e animal.

Mas a terra sobre a qual tudo se apóia, a água que torna esta terra fecunda, o ar que eu respiro e que alimenta minha vida, da mesma forma que o calor, a luz, a eletricidade, modificações em graus diversos do fogo sutil constituindo o sol, isto tudo ainda é a natureza.

...Conceber, porém, a natureza como o conjunto do mundo visível e estudá-la sob este ponto de vista, equivale a não ver no homem mais que seu aspecto visível, exterior; é expor-se a tomar o hábito pelo monge. A natureza é, portanto, também outra coisa além deste mundo visível que nos rodeia, da mesma forma que o homem real é outra coisa além deste corpo que estamos habituados a confundir com ele. p 81-82


Ora, na natureza, todos os seres... quaisquer que sejam sua forma ou constituição ...são animados por um mesmo princípio que circula em todo o planeta, como o sangue circula em todos os pontos do organismo humano. ...

Efetivamente, a célula orgânica é banhada pelo sangue, o homem é banhado pela atmosfera; resta sabermos que fluido banha a Terra ...A Terra, como todos os planetas do nosso sistema, é banhada pelo fluido solar ... força misteriosa que preside a vida em toda a natureza. Porém, o fluido solar não é, por si mesmo e materialmente falando, a vida universal, assim como o sangue, por si mesmo, não é a força vital, antes, é condutor da força vital. p 85

A Terra, considerada do ponto de vista mais externo e tangível, compõem-se de uma caraça mineral, que também compreende as massas líquidas (mares, rios, fontes,lagos etc.) e gasosas. Sobre esta base evoluem os vegetais e os animais, formando os dois outros reinos.

...Cada um dos seres minerais, vegetais ou animais que vivem sobre a Terra é análogo a cada uma das células do homem. O ar atmosférico que banha todos estes seres é análogo ai sangue e os fluidos solares e astrais que, a toda parte, levam o movimento, são análogos ao fluido nervoso. ...A Terra deve ser concebida pelo magista como um organismo, isto é, como uma máquina animada cujo fluido nervoso são as emanações vindas dos astros que circundam nosso globo. p 86-87

 

Homem-Microcosmo



IMAGEM FONTE

SHAMANIC FLIGHT by Gus St. Anthony
 
http://gusgallery.homestead.com/files/StoneArt__9_small.jpg

http://gusgallery.homestead.com/GusStAnthonyGallery.html

O corpo humano representa, realmente, o reino mineral por sua ossatura; o reino vegetal, por sua vida vegetativa, cujo centro está no abdômen e o reino animal, por sua vida anímica, cujo centro está no peito. Há porém um quarto homem, o homem divino, a alma imortal cuja sede está na cabeça.

...O homem, assim concebido é, de fato, um resumo da natureza, o pequeno mundo, o microcosmo, contendo em si não somente os três reinos físicos mas ainda a centelha divina que lhe permitirá agir de igual para igual com a natureza.

O homem torna-se senhor da natureza quando começa a agir conscientemente sobre seu próprio organismo ...Quando a Vontade, por meio do fluido nervoso domina o organismo e o dirige, está agindo sobre a luz astral e, por conseguinte, sobre as forças da natureza.

O homem, porém, que não dominou suas paixões; o homem susceptível aos reflexos do organismo, é completamente subjugado pela natureza e se converte em um escravo do seu próprio corpo. ...Todas as palavras mágicas do mundo, todos os talismãs, todas as cerimônias postas em uso por tal homem, o escravo, só produzirão efeitos nulos ou ridículos porque um cavalo de raça não tem o hábito de deixar-se conduzir por meninos inexperientes. p 94-95-96-97

Astrologia

Em primeiro plano colocaremos o fluido solar ...Mas quando a ação do Sol e de seu fluido deixa de ser preponderante sobre um ponto da Terra, quando o fenômeno da noite se produz, a emanação do centro so sistema é substituída pela do reflexo deste centro e o FLUIDO LUNAR entra em ação.

...A marcha da vida sobre a Terra está estreitamente ligada aos influxos astrais e se os fenômenos das marés nos indicam uma ação física destes astros, uma observação mais atenta indicará bem depressa outras influências, não somente físicas mas ainda psíquicas.

Como no homem, que possui um centro predominante no seu sistema ontológico (de ser), na natureza a acontece o mesmo. O Sol é o centro do nosso sistema planetário, porém, com este centro se relacionam vários outros, os planetas, os quais, não somente a influência do Sol mas também agem uns sobre os outros. A Terra não escapa a esta regra e portanto sofre influência dos astros que lhe são próximos. Destes, sete são de especial interesse para a magia. Na astrologia dos antigos, cada dia da semana é associado a um dos sete astros: p 90-91

DOMINGO — Sol
SEGUNDA — Lua
TERÇA — Marte
QUARTA — Mercúrio
QUINTA — Júpiter
SEXTA — Lua
SÁBADO — Saturno

Enquanto percorrem suas órbitas, os astros assumem posições diferentes e relações espaciais diferentes entre si. Estas diferenças resultam em variações da influência que estes astros exercem sobre o globo terrestre. "Consideramos estes astros como verdadeiros órgãos do mundo."

No organismo humano, quando um acidente ou uma doença destruiu um certo número de células mas os centros simpáticos permaneceram intactos, o inconsciente repara os órgãos e isto em suas formas primitivas. ...Da mesma forma, no estado normal é ainda este inconsciente que preside o jogo das funções nutritivas e respiratórias

...A escola de Paracelso deu a inconsciente o nome de CORPO ASTRAL. ...O instrumento (matéria-prima) empregado por este corpo astral é o fluido nervoso. ...Na natureza, a substância análoga ao fluido nervoso é o FLUIDO ASTRAL. ...Toda evolução dos seres terrestres se fará sob a influência do influxo astral.

... Cada organismo individualiza (detém) uma porção desta luz astral, a qual, condensada nos centros nervosos, torna-se o corpo astral do organismo e desenvolve as formas materiais do mesmo. ...O corpo físico é como uma "tradução material" (realidade perceptível) dos aspectos do corpo astral.

Estudando as formas de um corpo material pode-se determinar a qualidade do corpo astral que presidiu a evolução deste corpo e logo remontar à influência do astro dominante no momento da individuação daquele corpo astral. ...Em cada organismo, o mago reconhece a assinatura de um ou dois astros. A esta ciência de adivinhação denomina-se estudo das assinaturas astrais. p 94-95

Um ser terrestre, uma planta, por exemplo, sofre a influência astral quando o astro que se desloca encontra-se em relação atrativa com esta planta. ...Haverá momentos em que uma planta, sofrendo uma influência astral particular, estará em um estado especial. Colhida neste instante, ela terá propriedades diferentes das que possuía habitualmente ou, ao menos, muito mais acentuadas. p

p 94 e 99

Natureza Inteligente

O psíquico existe Natureza tanto quanto no homem... A Natureza concebida como ser vivente, deve também ser concebida como ser inteligente. ...Nossos estudos contemporâneos, baseados no materialismo, entendem o Universo como um imenso cadáver movido por forças exclusivamente físicas. A concepção de um Universo povoado de inteligências, agindo segundo impulsões do destino, parece uma coisa bizarra.

Os críticos delicados consideram esta concepção algo poético. A magia, entretanto, ensinou sempre a teoria do Universo vivo e inteligente em lugar da teoria do universo-cadáver. Os físicos encaram os astros como enormes blocos materiais cujo movimento só pode ser concebido como resultado da aplicação das forças físicas à periferia do astro.

Os magistas ensinam, ao contrário, que os astros se movem sob a influência de forças que atuam do interior para o exterior e que a ação do núcleo de cada astro não é, em coisa alguma, diferente da ação do núcleo de uma célula orgânica qualquer. p 107 - 108

Memória das Formas

Aqueles que estão familiarizados com o ocultismo sabem que toda realização no plano físico é produto de ação do plano astral sobre a matéria. No corpo humano, quando uma leve incisão destrói um pouco da pele da ponta dos dedos, o ferimento recupera-se naturalmente e todo o tecido é recomposto inclusive as delicadas impressões digitais.

Ensina a fisiologia que são as células nervosas do gânglio simpático eu presidem o processo de regeneração. Se o ferimento for muito profundo danificando filetes nervosos ou o próprio gânglio, o tecido não recupera sua constituição primitiva e uma cicatriz persistente se produz. O fenômeno da regeneração dos tecidos sugere que existe uma MEMÓRIA DAS FORMAS. O que se passa no homem, se forma análoga acontece em toda a Natureza.

A forma dos seres terrestres que se perpetua através de gerações é também resultado da ação constante do plano astral e dos seres que o povoam sobre a matéria. Os sujets em estado de visão lúcida (os videntes) ...distinguem perfeitamente este mundo das inteligências atuando sobre a matéria, mundo velado aos olhos físicos.

É atuando sobre estas inteligências que se pode fazer evolucionar rapidamente as formas; porém, há limites. Não é dado ao homem modificar os resultados normais dos processos da Natureza. Um faquir poderá fazer germinar uma planta em duas horas; mas é impossível que obtenha pêras de uma videira. Isto seria sobrenatural ou não-natural e o sobrenatural é tão impossível como os milagres. p 108 - 109

 

Conclusão do Capítulo III

Todas as percepções que eu experimento neste momento vêm da Natureza física, do MUNDO das FORMAS MANIFESTADAS. Porém, estas formas são apenas a vestimenta que envolve cada parcela da força conservadora do Universo (UNO & DIVERSO). No seixo que está diante de mim, na árvore, nas ervas, nos pássaros, nos insetos, vejo que uma mesma força circula.

Esta força que circula em mim e que preside também à elaboração da seiva nesta árvore é a VIDA. A vida, fonte das ilusões deste mundo cujo móvel secreto é o amor e que eu todos os seres criados pela cadeia sutil da correspondências. E quando todos os seres terrestres parecem estranhos uns aos outros, por suas formas, aquele que possui a ciência das correspondências saberá encontrar o laço vital que faz da Criação uma unidade paradoxal que admite aquele que sendo UNO é, em simultâneo, DIVERSOS. p 111

 

CAPÍTULO IV - O ARQUÉTIPO

Quando queremos figurar o homem, é sempre a imagem de seu corpo físico que se apresenta primeiramente em nosso espírito. Porém, este corpo físico não faz senão suportar e manifestar o homem verdadeiro, o espírito que o governa. Pode-se retirar milhões de células deste corpo físico, cortando um membro, por exemplo e a consciência não sofre danos. O homem-mente que nós somos é inteiramente independente dos órgãos, os quais não são mais que suportes e meios de comunicação. p 111

Homem e Deus

O conjunto dos seres e das coisas revela a existência de Deus, como o corpo físico do homem revela e determina a realidade de seu espírito. As relações do espírito humano com o corpo humano são análogas às relações entre Deus e a Natureza.

Deus, embora se manifeste na Humanidade e em todas as coisas da Natureza não se confunde com com estes seus aspectos infinitos; antes, possui uma existência metafísica independente de toda a Criação. ...Deus é, de fato, o conjunto de tudo o que existe assim como o homem é o conjunto de todos os orgãos e de todas as faculdades que possui.

O homem verdadeiro, porém, o Espírito (ou a Mônada) é distinto do corpo físico, do corpo astral e do ser psíquico (a personalidade efêmera) ...Da mesma forma, Deus-em-Unidade é distinto da Natureza e da Humanidade. Em termos vulgares, a Natureza é o corpo de Deus e a humanidade é sua vida em mais alto grau de autoconsciência. No homem, o organismo é o corpo material denso do homem e o corpo astral e o ser psíquico são seus princípios vitais.p 115


O Universo concebido como um todo animado é composto de três princípios: a Natureza, o Homem e Deus ou, empregando a linguagem dos hermetistas: o Macrocosmo, o Microcosmo e o Arquétipo. O homem é chamado Microcosmo, o pequeno Mundo, porque ele contém analogicamente em si as leis que regem o Universo.

...O homem influindo sobre a Natureza pela ação, sobre os outros homens pela palavra e elevando-se até Deus pela prece e pelo êxtase, constitui o elo que une a Criação ao Criador. ...Os fatos são do domínio da Natureza; as Leis, do domínio dos Homens e os Princípios, são o domínio de Deus. p 120

ESTA É UMA SÉRIE DE ESTUDOS DO LIVRO TRATADO ELEMENTAR DE MAGIA PRÁTICA DE PAPUS - UM TRABALHO RECUPERADO RECENTEMENTE NOS ARQUIVOS MORTOS DA NOSSA REVISTA. ESTAMOS REEDITANDO O MATERIAL.

SÃO SETE VOLUMES QUE ESTÃO SENDO REFORMATADOS. ESTE FOI O PRIMEIRO. ENFATIZAMOS QUE ESTE NÃO É O LIVRO COMPLETO MAS, O FICHAMENTO E ESTUDO DO LIVRO PASSO A PASSO. SIGNIFICA QUE INCLUI COMENTÁRIOS E REÚNE TRECHOS DE DIFERENTES PARTES - DISPERSAS NO LIVRO MAS SE COMPLEMENTAM VERSANDO POSTO QUE RELACIONAM-SE A UM MESMO TEMA.

NOS PRÓXIMOS DIAS, SOFÄ DA SALA PUBLICARÁ TODAS AS PARTES DESTE ESTUDO E COMPREENDE TODO O LIVRO. É UM ESTUDO LONGO, UM TEXTO PARA ESTUDIOSOS. NA PRÓXIMA PUBLICAÇÃO...

VOLUME II

Cap. V - Introdução
A realização do homem
5.1. Alimentação
5.2. Vegetarianismo
5.3. Regime Animal
5.4. Excitantes Materais
5.5. Álcool
5.6. Café
5.7. Chá
5.8. Haschisch
5.9. Respiração
5.10. Respiração II: dicas de Papus
5.11. Educação do Ser Psíquico
5.12. Educação do Homem Mineral-Vegetal
5.13. Educação do Homem Animal
5.13. Educação do Homem Racional
5.14. O Amor na Formação do Mago
5.15. Sexo & Castidade

 

 

 

 

 

 




 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 




      

 

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