CURSO DE MAGIA - PAPUS: Tratado Elementar de Magia Prática - VOL. III / PARTE 3 - MAGIA PRÁTICA

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TRATADO ELEMENTAR DE MAGIA PRÁTICA
Gerard Anaclet Vincent Encausse
Papus - [trad. d E.P.]
São Paulo: Ed. Pensamento, 1995

PAPUS (OU Papi)

Ocultista destacado do século XIX, 

médico brilhante, reuniu tradições mágicas 

e conhecimentos científicos 

em obras fundamentais 

para estudantes de Ciências Ocultas.

PAPUS
(1865-1916)


VOLUME III/PARTE 3 DO ESTUDO - PRÁTICA

TRECHOS SELECIONADOS & COMENTÁRIOS

      

Cap. VI - Meditação

6.1. Exercícios de Papus

6.2. Ciência das Analogias

6.3. Fortalecendo a Vontade

6.3. Reações do Ser Impulsivo

Cap. VII - Realização da Vontade

7.1. Educação do Olhar: Espelho Mágico

7.2. Educação da Palavra

7.3. Educação do Gesto

7.4. Educação do Andar

APOSTILAS ANTERIORES

ESTUDO PARTE 1

ESTUDO PARTE 2

ESTUDO PARTE 4

CAPÍTULO VI
meditação



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A sensação é o alimento do ser psíquico. Sendo assim, uma sensação deve sofrer uma espécie de processamento para sua completa assimilação, tal como acontece com os alimentos que passam pela digestão antes dos nutrientes poderem ser utilizados pelo organismo.

Fisiologia da Meditação

1º) Filtração das sensações pelos orgãos dos sentidos, primeiro passo para a produção de idéias.

2º) Fixação das idéias.

3º) "Digestão" das idéias, origem do pensamento.

Os órgãos dos sentidos representam, para a sensação, o que a boca, o estômago e os intestinos representam para os alimentos: órgãos de separação e de primeira transformação. Uma vez produzidas, as idéias, análogas ao quilo, são condensadas na memória, como o quilo é condensado, em grande parte, no fígado. Chardel definiu a memória como uma reação da inteligência sobre a sensibilidade. Transcendendo a inteligência condicionada e a memória, começa a ação do magista, que considera a memória, tão cara aos pedagogos atuais, como uma faculdade puramente passiva.

A digestão das idéias é muito mais complicada que a digestão dos alimentos. Ao que sente, segue-se a ação daquele que PENSA, ação muito mais elevada, característica exclusiva de seres humanos.

"Ter idéias, disse Fabre d'Olivet, é sentir; ter pensamentos é criar". Ora, a meditação é o exercício do pensamento; é a origem do dom das faculdades remotas (ou latentes) do homem, inclusive o dom da profecia e o êxtase.

O desenvolvimento especial da memória não é absolutamente necessário ao exercício da meditação e a profecia, por exemplo, se desenvolverá mais provavelmente na alma de um pastor contemplativo da natureza que no espírito de um erudito carregado de diplomas e preconceitos. A instrução é um instrumento, um meio e, muitas vezes, um perigo quando incompleta; jamais um fim, exceto para o Ocidental que se autodenomina "um homem prático".

É pelo exercício progressivo da meditação que se chega, pouco a pouco, ao desenvolvimento das faculdades psíquicas superiores, de onde derivam três ordens de fenômenos que os autores antigos classificaram como: arroubo, êxtase e sonho profético. O decorre da meditação das coisas espirituais combinada com um ritmo respiratório caracterizado pela expiração voluntariamente retardada.

O procedimento produz catalepsia do corpo físico e iluminação do corpo astral que pode entrar em contato telepático com o plano espiritual embora "permaneça no físico". O ÊXTASE se manifesta exteriormente pelos mesmos fenômenos: catalepsia, olhar fixo, ritmo respiratório peculiar etc.) mas, neste estado, ocorre o deslocamento do corpo astral além da visão à distância.

O SONHO PROFÉTICO não se confunde com o sonho da psicologia da personalidade, que processa fatos, visões e idéias vividos e que ocuparam a mente durante um dia ou por longos períodos. O sonho profético independe, inclusive do estado de sono. É desencadeado por uma súbita iluminação da alma, um estado de consciência no qual há percepção do plano astral. Sobre

Aquele que quiser ter sonhos divinos deve estar fisicamente disposto e preparado e não ter o cérebro sujeito a vapores nem o espírito às paixões; não deve cear neste dia nem beber coisa alguma que o possa atordoar.

Que seu quarto esteja muito limpo e seja mesmo exorcizado e consagrado, queimando-se nele algum perfume. Sob o travesseiro, colocará uma figura sagrada e tendo invocado a divindade por meio de santas orações, o operador deve deitar-se com o pensamento fixo naquilo que quer saber; pois é assim que ele terá sonhos muito verdade rios e certos. PAPUS, p 337

Da mesma forma que os diversos processos que descrevemos aqui auxiliam o treino do que SENTE em nós, o exercício da meditação desenvolve rapidamente e com segurança o que PENSA. Mas o que é preciso fazer para praticar a meditação? — perguntareis. Goethe, quando desejava penetrar um segredo da natureza relativo à anatomia, por exemplo, tomava o crânio de um animal qualquer e, sentando-se no jardim, contemplava longamente o objeto de suas investigações.

Exercícios

1º) O primeiro exercício psíquico que deveis praticar consiste em SUBSTITUIR SEMPRE as respostas e as idéias puramente reflexas, saídas da memória, por respostas refletidas e comedidas. Não mais terrível inimigo dos esforços da meditação que a massa flutuante das idéias "que se têm muito sabidas".

2º) Evitar discussões: as discussões contraditórias e polêmicas devem ser cuidadosamente evitadas. Não passam de exercícios puramente inúteis, ferem quase sempre o adversário sem nenhum proveito e excitam o amor-próprio despertando o orgulho, anulando a serenidade. Deixe que os impulsivos discutam à vontade. Aprendei a guardar silêncio sempre que uma discussão violenta comece em vossa presença. Leia com freqüência os Versos Áureos de Pitágoras: ensinai, dizei, porém, respeitai-vos o bastante para não discutir NUNCA. É um emprego inútil das faculdades intelectuais.

3º) Buscar OLHAR mais que somente VER os fatos do dia a dia. É preciso encontrar a idéia oculta que se esconde sob a sensação visível, material.

4º) Quando, pela reflexão sobre as sensações for um hábito, depois de habituar-se a reconhecer o invisível, a idéia revelada pela forma, o esotérico que se oculta sob o véu do exotérico, é preciso ir mais longe e procurar as relações das idéias entre si.

 

Ciência das Analogias

A meditação está estreitamente relacionada com o chamado raciocínio analógico. Plantas, pedras, que para o leigo não têm significação, manifestam ao magista as assinaturas astrais que ligam aquela pedra ou planta a tal ou qual animal ou situação planetária.

Esta habilidade de estabelecer analogias é o grande segredo dos "curandeiros" e dos feiticeiros de aldeia. A Magia é a ciência das relações das coisas, disse Kircher. Investigar por si mesmo, além dos livros, as analogias naturais, tal deve ser um exercício constante para o magista.

A essência da meditação é a reflexão profunda sobre objeto ou objetos. Além da Natureza e seus recantos tão propícios, recomendamos a contemplação das obras de arte. É útil dedicar várias sessões de atenção voltada para uma determinada peça sem nunca consagrar a mesma sessão a duas obras diferentes. Quando se trata de uma produção literária é preciso proceder da mesma forma. Deter-se em um livro, um texto e evitar a leitura simultânea de escritos diferentes.

 

Fortalecimento da Vontade
para quem tem dificuldade em tomar decisões



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Todas as manhãs, ou — ao despertar, e tanto quanto possível, ao nascer do dia, envolver-vos-eis em um cobertor de lã cobrindo até a cabeça. Sentado no leito, concentra o pensamento nos trabalhos a empreender durante o dia. Atenta para o corpo, observando as impressões fornecidas pelo sentido interno. Fareis este exercício de meditação, a princípio durante 20, depois 20 minutos a cada manhã. Durante este tempo a respiração será lenta e profunda. Observa a respiração, respeita seus ritmos até que se torne regular.

 

Reações do Ser Impulsivo

O exercício da Vontade não é fácil. Cada afirmação do poder da vontade é precedida e seguida de uma reação em sentido contrário. O ser impulsivo pode se tornar muito enérgico instaurando desânimo e lassidão quando o indivíduo estava aparentemente firme em sua disposição para um trabalho. Com efeito, o trabalho intelectual só se pode obter à custa da submissão absoluta do Homem Impulsivo ao Homem de Vontade. Um treino especial é necessário e o fracasso significa completa impotência para realizar operações mágicas ou mesmo tarefas ordinárias.

Suponhamos que após uma crise de preguiça e de pessimismo, venceste estes sentimentos e vos entregais ao trabalho. Nem bem começa a escrever ou desenhar e surge um forte desejo de sair, de andar. Se não estiveres prevenido para resistir, abandonareis neste momento seu objetivo e em um instante estarás na calçada. O que sucede é que o Ser Instintivo, cujo modo de ação habitual é o exercício de andar, vos engana e zomba de vossa vigilância. Porém, vós resistis, empenha-se no trabalho, vence a primeira tentação e logo uma enorme sede manifesta-se em vós.

É uma outra astúcia do centro instintivo, pois cada gole de líquido absorvido rouba uma parte da força nervosa e com isso a disposição necessária à realização projetada. Mais uma vez, dominas o mecanismo de fuga e que estás mesmo já completamente empenhado em sua proposta. Eis então a terceira tentação: emoções que se manifestam. Imagens de fatos passados, afeições, ambições. A mente é tomada por devaneios que colocam a perder toda a concentração.

As reações são muito pessoais mas todos os magistas experimentam tais obstáculos. Contra esta tendência de dispersão somente a disciplina da resistência pode surtir efeito. Para resistir, o conhecimento das reações do Ser Impulsivo é indispensável. A paciência e a perseverança opostas a este Ser Impulsivo permitem atingir rápida e seguramente um objetivo, o qual não se deve perder de vista nem por um instante. Lembrai-vos da lenda das sereias.
p 165

 

Capítulo VII
realização da vontade



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Working Magician by Esther S. Wetzel

IN http://elfwood.lysator.liu.se/art/s/o/songbird/magus.gif.html

introdução

Este é um Capítulo dedicado ao ensino objetivo do modos, do como realizar atos mágicos. É um texto sobre técnicas. Nos capítulos anteriores ao autor deixou claro que Magia é a ciência da força de Vontade, no sentido de ser o conhecimento que permite ao homem possuir o completo domínio sobre sua capacidade de querer e realizar. O aprendiz de magia precisa saber dirigir esta força metafísica, essencialmente mental e provavelmente ligada à realidade subatômica, ao universo das partículas.

A Alta Magia ocidental de mestres como Papus e Eliphas Levi insiste neste ponto: a iniciação mágica começa com o aprendizado de algo que a maioria das pessoas considera um instinto ou um impulso atávico: QUERER. Enquanto a filosofia discute o livre arbítrio, multidões fazem coisas sem querer e sem pensar todos os dias, movidas por sugestões estampadas em telões.

Querer coisas parece ser uma mera manifestação de necessidades que não precisa ser ensinada. Mas não é assim. Primeiro porque há uma grande distância entre QUERER, que é estabelecer um objetivo, ou toscamente DESEJAR, movido por instintos vulgares comuns a todo reino animal ou pior, o desejo das multidões é ainda mais primário que o desejo de qualquer bicho porque é o desejo corrompido pelos pela busca de identidade cultural e aceitação social.

O querer do cotidiano é um ato reflexo, um impulso inconsciente. É assim que as pessoas se abandonam a "quereres" dos mais insensatos e mesmo nocivos; e comem demais, bebem demais, fumam demais, compram demais. Aprender a querer, alcançar a liberdade do querer, o querer consciente, está na base dos pré-requisitos indispensáveis à realização de qualquer ato mágico, ou seja uma ação exercida por meio do uso da força metafísica de um pensamento definido e verdadeiramente livre.

O desenvolvimento da Vontade começa com os diversos exercícios fisiológicos e psíquicos e evolui para o treinamento dos recursos de expressão do homem: o olhar, a palavra, o gesto e o andar ou ação em geral. Em Magia, cada um desses recursos de expressão está associado a instrumentos potencializadores e símbolos da Vontade.

O espelho mágico, por exemplo, serve, sobretudo, para a educação do olhar; o bastão, a espada, o traçado de figuras pentaculares e o artesanato de talismãs, para a educação do gesto; as fórmulas orais, evocações e preces exercitam a magia das palavras; os círculos e passeios concorrem para a educação da capacidade de agir no meio físico. Ao mesmo tempo, lidar com todos esses instrumentos e obedecer a fórmulas rituais favorece o desenvolvimento da capacidade de concentração (concentrar a atenção, a mente) em todas as coisas que se faz. p 179

 

Educação do Olhar
espelhos mágicos



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IN http://www.davidparr.com/mirrorreview.html

Os espelhos mágicos, usados em exercícios de educação do olhar, são instrumentos de condensação da luz astral; por isso, o carvão, o cristal, o vidro e os metais são empregados no artesanato, na confecção dos espelhos mágicos. O mais simples dos espelhos mágicos é um copo de cristal cheio de água pura. Ele deve ser colocado sobre um guardanapo branco com uma luz colocada por trás.

Outro tipo, consiste em um simples quadrado de papel granulado (papel para desenho) enegrecido com carvão ou com fusain (carvão vegetal empregado em desenho). Experimentamos também um espelho mágico trazido da Índia: era uma bola de cristal posicionada de maneira a refletir luz.

Todos estes espelhos são objetos que possuem em comum a propriedade de concentrar em um ponto uma parcela de luz astral estabelecendo uma conexão entre o Ser individualizado em cada um de nós com a vida universal que abriga todas as formas.

O exercício com o espelho mágico é simples porém não é fácil. A maior dificuldade reside em manter o olhar fixo, sem piscar, completamente entregue à contemplação da luz refletida. No começo do exercício, o estudante se posiciona confortavelmente e olha fixamente para o espelho. Logo sentirá picadas nos olhos, agonia, ressecamento que convida a baixar as pálpebras um instante.

Ceder a esse impulso é anular qualquer esforço feito até então. A tendência a pestanejar é apenas um hábito do ser impulsivo, é reflexo. Para manter os olhos abertos é preciso desenvolver uma tensão de vontade. Obtido esse resultado, vencido o desconforto da imobilidade dos olhos, opera-se em simultâneo a saturação do sentido da visão em nível físico.

O resultado é a abertura do canal de visão metafísica: o espelho começa a apresentar coloração diferente. Serão vislumbrados eflúvios vermelhos e azulados semelhantes aos eflúvios elétricos e, lentamente, as formas aparecerão, ou seja, visões de pessoas, entidades, mundos ou acontecimentos que estão registrados ou contidos na luz astral, onde grandezas como espaço e tempo não existem.

Além de proporcionar experiências de vidência, o exercício com o espelho mágico desenvolve a capacidade de PROJEÇÃO DA VONTADE por meio do olhar. O olhar fixo canaliza, direciona um pensamento, uma vontade, do operador em relação a um receptor.

Trata-se de um fenômeno denominado FASCINAÇÃO. Na fascinação, o olho do fascinado é o espelho e olhar-pensamento do fascinador é a LUZ. O fascinado RECEBE impulsos emanados do olho do fascinador.

A utilização dos olhos-olhar como instrumentos de fascinação são parte de um processo mais amplo: a magnetização ou gerencia de fluxos magnéticos. Pode=se "imantar" algo ou a si mesmo, situação de absorção, condensação e concentração de energia; ou pode ser o caro de irradiar, transmitir, enviar energia.

O magnetizador é um acumulador de prana ou ENERGIA VITAL, força trans-utilitária pois serve a diferentes operações. Destas, destacam-se as curas de enfermidades, a repulsão metafísica de inimigos, a reversão de situações negativas.

Em espanhol, querer quer dizer, ao mesmo tempo, amar e desejar. Esse é o segredo do magismo curativo. Um pensamento firme, intenso, dirigido é fundamental para a realização das operações magnéticas (concentrar-irradiar) porém é preciso aprender sobre fazer um pensamento ser firme e constante sem necessariamente estar presente, todo o tempo, na mente consciente que realiza suas pequenas tarefas do dia-a-dia. Por isso os magos advertem que é preciso aprender a querer.
texto adaptado das pgs 179 a 182

 

O Espelho Negro de John Dee

Sobre espelhos mágicos, um curioso episódio é registrado na vida do misterioso ocultista John Dee (1527-1608) e mencionado no livro de Jacques Bergier, Os livros malditos. John Dee, considerado por muitos como charlatão, fez estudos brilhantes em Cambridge onde trabalhos com robótica lhe valeram a expulsão da Universidade, acusado de feitiçaria. Foi astrólogo, especialista em línguas antigas e criptolólogo. Em 1581, John Dee sofreu uma estranha experiência:

"Um ser sobre-humano, ou ao menos não-humano, apareceu-lhe. Dee chamou-o "anjo". Esse anjo deixou-lhe um espelho negro que existe ainda (o autor escreve em 1971) no Museu Britânico. É um pedaço de antracite extremamente bem polido. O anjo lhe disse que olhando naquele cristal veria outros mundos e poderia ter contato com raças não-humanas ...O museu Britânico não autoriza (em 1971) exames na pedra negra".

(BERGIER, 1980 - p 65)

 

Educação da Palavra

A palavra é o instrumento de geração do espírito. A palavra cria. "Falar é criar" (LEVI, 1995) e "no princípio, Era o Verbo" (Gênesis). Uma velha lenda cristã diz que o diabo é incapaz de tomar pensamentos enquanto não tenham sido materializados pela palavra. A Ciência Oculta ensina que toda vibração no plano físico determina mudanças de estado particulares no plano astral e no plano psíquico e, portanto, é certa e considerável a influência que o verbo humano exerce sobre todos os planos da natureza. A emissão da voz compreende três efeitos simultâneos:


1º) uma vibração, uma onda vibratória que se propaga no plano físico da natureza.

2º) Emissão de certa quantidade de fluxo vital pondo em ação o plano astral.

3º) A liberação e criação de uma entidade psíquica que é a IDÉIA à qual O SOM DÁ CORPO e a articulação dá a vida.

Cada idéia assim realizada e manifestada no mundo material age, durante um certo tempo, como um ser verdadeiro; depois extingue-se e desaparece progressivamente... A duração da ação desta idéia depende da tensão cerebral (concentração do pensamento e firmeza da locução) com a qual ela foi emitida. Quando um homem sacrifica sua vida em benefício da idéia que defende, criam-se no astral e sobretudo no mundo divino, correntes de uma potência considerável.

Existe uma ciência do Verbo conservada por duas escolas iniciáticas: a oriental, com seus mantrans e a ocidental, com suas fórmulas cabalísticas em língua hebraica. Na ciência do Verbo, a locução obedece ritos estabelecidos e as palavras ou frases são como vestimentas de idéias, fórmulas que comunicam ao astral a Vontade humana.

É pela intensidade vital da imaginação que a palavra torna-se um instrumento de poder. A maior dificuldade na prática desta ciência é ocorrer da ser palavra cortada por uma violenta emoção; por isso, o magista deve ter bastante domínio sobre seu Ser Impulsivo a fim de evitar este acidente que poderia trazer conseqüências funestas. p 183-184

 

Educação do Gesto



Imagem: Howard Schatz: Water Dance

http://www.nandu.hu/Deutsch/Diplomarbeit/WDance_3.jpg

O olhar e a palavra, considerados como órgãos de expressão, têm como defeito o não serem permanentes. Eis aí a importância a importância do gesto como recurso para a fixação de idéias. O gesto é o produtor do desenho, da escrita, da pintura, da escultura, da dança e de todas as artes que deixam às gerações futuras um sinal permanente de suas realizações.

A escrita, o desenho, são materialização de idéias. A Ciência Oculta ensina que as formas existem, em essência, no astral antes de serem realizadas no plano físico. O plano astral é extremamente susceptível a ser impressionado pelas FORMAS, especialmente os esquemas lineares que esquematizam uma estrutura.

A imagem sintética de uma potência física, o esquema desta potência, é linguagem no plano astral e influi sensivelmente, comunicando idéias, informando os seres que habitam este plano.

Um homem visto através da limitação visual dos olhos do corpo é um conjunto visual que inclui o traje, a cor do olhos, o porte; porém os olhos do corpo não vêem o a imagem do Ser Moral. No estado astral, ao contrário, somente se percebe este SER MORAL.

Ali, o homem aparece como um ser mais ou menos luminoso, conforme sua elevação psíquica. A imagem humana, no astral, se compõe de linhas fluídicas de diversas cores cuja reunião representa muito bem a figura do pentagrama mágico (estrela de cinco pontas).

Diante de um pentagrama, certas potências astrais reconhecem a figura de um homem dotado de uma Vontade poderosa; porque, no plano astral, a imagem do homem se converte no esquema da estrela de cinco pontas; na esfera astral só se percebem esquemas sintéticos. Tal é a origem dos signos bizarros denominados assinaturas astrais e que se vêem figuradas sobre a maior parte dos talismãs: são resumos, grafo-sínteses de princípios da mais alta importância.

Para que um gesto atue sobre o astral não é preciso ser fixado sobre um suporte físico e o Sinal da Cruz, figurado por um simples movimento de mão, como fazem os cristãos, é um talismã de potência singular quando executado com verdadeira vontade e grande fé; é um sinal milenar, anterior ao próprio cristianismo, que carrega todo o poder de uma crença alimentada pela fé de milhões de praticantes e correntes de pensamento. O Sinal da Cruz é um dos sinais mais eficientes como significativo da união do homem com Deus e funciona bem contra os impulsos nocivos e situações de aflição psíquica-psicológica.
p 185-186

 

Educação do Andar



Imagem: 

http://chass.colostate-pueblo.edu/history/seminar/fabri/pilgrim.gif

O deslocamento do corpo físico no plano material é acompanhado de um deslocamento de envoltórios fluídicos no astral. A cada passo, o homem atrai ou repele fluidos que se cruzam sem cessar no plano de formação da natureza. A maior parte das pessoas não tem nenhuma consciência deste fato. Aquele que, depois de Ter posto em tensão sua vontade, empreende uma marcha particular, deixa sobre a estrada que seguiu um rastro fluídico e dinâmico de sua passagem.

O magista que descreve um círculo e que reforça seu poder volitivo tornando duas vezes sobre o caminho percorrido eleva, no espaço, uma muralha perceptível pelos videntes e intransponível para seres astrais. Antes de colher uma planta, antes de penetrar em um lugar terrível e no qual se quer encerrar as potências malfeitoras, o magista formulará sua vontade pelo tríplice círculo fluídico.

Um exercício recomendado por Eliphas Levi e que tem um valor considerável consiste em vencer a fadiga resultante de uma marcha prolongada para realizar sua vontade sobre um objeto material qualquer.

Assim, se vos acontece de entrar em casa numa hora adiantada da noite, após uma caminhada fatigante, quando todo o vosso ser reclama um repouso revigorante, tornai a sair e vai a lugar situada a meia hora de vossa casa. Ide apanhar a primeira pedra que lá encontrar ou qualquer outro objeto que seja, depois, retorna à tua casa.

Este objeto, símbolo do esforço voluntário, é um talismã pessoal mais eficaz que todos os amuletos que puderes comprar. Todo o segredo da ação psíquica das peregrinações está na prática deste exercício do andar. p 201-202

Sobre o andar, mencionamos ainda um pequeno texto extraído de O diário de um mago, do ocultista e escritor Paulo Coelho. É o Exercício da Velocidade:

"Caminhe durante vinte minutos em passos vagarosos, com metade da velocidade que usa habitualmente em seus deslocamentos a pé. Preste atenção a todos os detalhes, pessoas e paisagens que estão à sua volta. Observe seu próprio ritmo respiratório. O exercício pode ser praticado em qualquer hora ou circunstância e com regularidade."
(COELHO, 1990)

      

FIM DO VOLUME III | PARTE 3 DO ESTUDO

   

 

 

 



 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 




      

 

edições: Sofä da Sala
MAIO 2005

pesquisa - seleção de textos
adaptação e comentários: Lygia Cabus

ligiacabus@gmail.com

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