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antropologia arcaica, ocultismo

11/03/20007

antropologia arcaica
A VERDADE ESOTÉRICA DO PECADO ORIGINAL

por Lygia Cabus

 

      

 

 

Adão e Eva, mito judaico-cristão para explicar as agruras da vida ― ou "o Sofrimento". O casal simboliza "A Humanidade"; a Tentação, as Escolhas ― e o Pecado, é a "escolha errada". A primeira tentação é a tentação de SER. O primeiro pecado é ESCOLHER SER HUMANO, ser sujeito de conhecimento, ter percepções e juízos e a penitência, o preço, é sofrer.

 

 

 

 

 

A maçã, supostamente é o fruto proibido porém não nenhuma prova histórica de que seja este o fruto do conhecimento do bem e do mal. EM CIMA: Sir Isaac Newton, segundo a lenda, concebeu a Lei da Gravitação Universal ao observar a queda de uma maçã, de uma macieira, naturalmente... Mais uma vez a maçã envolvida no avanço dos "saberes" dos homens.

 

 

 

Para falar sobre o pecado original seria proveitoso começar apresentando o trabalho minucioso publicado no site www.talkorigins.com que pacientemente relaciona nada menos que 96 histórias míticas de "Dilúvios" pertencentes a tradições pesquisadas em todo o mundo.

 

O "Dilúvio" é, portanto, um mito de todos os povos da Terra. Algumas poucas e básicas histórias são assim; são contadas em todos os cantos do planeta. A essência, sempre a mesma; as palavras, os nomes das personagens podem variar. O mito não. Vê-se de longe que o mito é o mesmo.

 

O "Pecado Original" é uma dessas histórias recorrentes. Repete-se em todas as línguas, reveste-se de todas as cores mas o pecado permanece. A memória de um grande erro renovando a enorme culpa perplexa e incompreensível. Qual foi, afinal, o grande crime da humanidade? De quantas humanidades?

 

A culpa da humanidade católica, a culpa dos judeus, a culpa dos muçulmanos, as culpa dos brâmanes e dos budistas, a culpa da ignorante massa de hinduístas, de fetichistas curandeiros das tribos incultas da África... O quê fizeram essas multidões para carregarem todas a lembrança de sua incompetência ontológica?

 

As escrituras mais antigas e tradições orais mais bem preservadas dizem que "o homem pecou", de um pecado que são se limita ao mero erro de conseqüências reversíveis. Ao contrário, cometeu um "erro fatal", escolheu um caminho sem volta.

 

O Gênesis judaico-cristão, em linhas alegóricas gerais, descreve esse erro como uma desobediência: o homem comeu o "fruto proibido". Era proibido comer; comeu, lascou. Não teve remédio. O "homem" acabou com alegria de toda a humanidade de todos os milênios seguintes.

 

 

ADÃO & EVA

 

A história de Adão e Eva, além de ter sido adotada por correntes religiosas periféricas ao judaísmo e ao cristianismo, possui numerosas releituras em todas as nações, caso muito semelhante à "História do Dilúvio de Noé".

 

Tal como Noé, que muda de nome mas a identidade permanece a mesma, Adão e Eva também aparecem sob as mais exóticas roupagens culturais around the world mas sempre cometendo o pecado original.

 

"Original" porque foi o primeiro, origem da série de pecados que seriam cometidos depois. Antes disso, nos Gênesis, sejam gregos ou católicos, os homens eram "puros", seja lá o que PURO possa significar!

 

Mas eram puros e pelo que se pode deduzir dos relatos, ser puro era algo que incluía a "incapacidade" (?) ou a "não-disposição" e, ainda, talvez, não-habilitação (?) para cometer erros.

 

É uma condição complexa. Não "poder" cometer erros implica não escolher nunca, nada, em hipótese alguma porque a origem do erro está na possibilidade de escolha. Mais ainda, não errar nunca, pressupõe não agir nunca, posto que toda ação é manifestação de escolha. Uma dor de cabeça isso tudo!

 

Mas o fato é que no modelo padrão judaico-cristão, um homem, com o auxílio do desserviço fundamental de sua mulher, pecou! Eles viviam no Jardim do Éden, o paraíso!

 

Em meio à liberdade do vento nos cabelos saltitando pelas campinas somente uma, uma só proibição havia: não comer do fruto de única árvore em um lugar repleto de jardins e pomares; uma regra apenas, e o jeca (mentecapto, retardado) do Adam conseguiu, na primeira escolha de sua vida eterna (!) optar pela decisão mais que terrivelmente errada!

 

 

É de conhecimento amplo que a mulher Eva, começou a derrocada moral do casal quando colheu o fruto e, mais, quando mordeu o fruto, assim o fez com a intenção deliberada de praticar ação contrária à única advertência que o magnânimo Criador fez àqueles que deveriam ser a glória de sua Criação.

 

Eva comeu e, ato contínuo, ofereceu a fruta ao companheiro, instituindo a máxima comportamental que diz: "Quem se ferra tem a incontornável tendência de ferrar o próximo que é para não se ferrar sozinho".

 

Ora, Adam não tinha nenhuma força coerciva obrigando-o a decidir-se pelo erro. Sim, também ele sabia que comer o fruto daquela árvore era proibido e, no entanto, comeu!

 

Milton, em Paraíso Perdido (um poema enorme!) procura minorar a conduta de flagrante desprezo a um imperativo; o Adam de Milton questiona, considera, medita, se lamenta, faz crochê mas acaba comendo a fruta; e, comeu, danou-se...

 

O ouvinte primário dessa história perguntar-se-á, a essa altura, que porra de diabo (com o perdão da expressão pouco  elegante) de fruta é essa afinal! Há controvérsias; as versões mais ingênuas acreditam que tratava-se de uma maçã.

 

Todavia, o que há de mais revelador sobre esse fruto é o nome da árvore: trata-se da árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. Pronto, essa informação singela é suficiente para iluminar todo o mistério dessa alegoria.

 

 

Arca de Noé, a imagem mais popular do mais popular dos Dilúvios, dentre as dezenas de "tradições de Dilúvio" que fazem parte das crenças das mais diferentes nações. Uma Arca ou Barca carregando as "sementes" de toda a vida da Terra é uma alegoria que se refere à preservação da herança biológica do planeta Terra através de priscas eras, sobrevivendo, apesar dos mais horrendos cataclismos.

A Arca também é o abrigo dos "justos", os que serão poupados sempre que a iniqüidade dos homens tornar-se tão grande que os "deuses" resolvam exterminar toda uma raça. Contudo, a semente dos justos frutifica depois da treva da tempestade, em um mundo renovado, lavado e "enxaguado" nas águas da terra e do céu. O Dilúvio, os terremotos e outras catástrofes naturais seriam, então, mecanismos naturais de renovação da vida; marcos de fim de ciclo e começo de nova era.

 

SEXO

 

O primeiro efeito produzido pela ingestão do fruto proibido foi, de fato, um conhecimento: "conheceram que estavam nus" ― ainda que jamais tivesse visto alguém vestido; foi um "conhecimento inato" de que estavam nus! E pior! Sentiram vergonha!

 

Esconderam-se do Senhor! Essa nudez, assim relacionada com o conhecimento [em si mesmo] + o conhecimento ESPECÍFICO! de que estavam nús + o sentimento de vergonha suscita, imediatamente a pergunta: Vergonha de quê? Resulta na conclusão inevitável que:

 

1. Sendo a vergonha uma sensação desagradável

 

2. Sendo constatado que esta vergonha é, obviamente, decorrente do saberem-se nús!

 

3. Segue-se que EXISTE ALGO na nudez (em si?) que PRODUZ vergonha e se a vergonha é ruim LOGO nudez é ruim. Estar pelado é mal, muito mal! E em algum momento dessa meditação socio-bio-antropológica o Adam e Eve DESCOBRIRAM que o mal da nudez está no SEXO!!!

 

 

A nudez expõe o sexo e mais! e pior! A nudez expõe o sexo e as zonas erógenas (parte do corpo cuja estimulação tátil faz a pessoa pensar em sexo)...  Expõe às intempéries, à curiosidade seguida de apreciação (ou depreciação) estética de terceiros, expõe a estímulos decorrentes de contato eventual com outras pessoas e coisas e consigo mesmo etc., ou seja, estar, andar por aí pelado é um apelo ao despertar do desejo sexual. Um perigo!

 

Porque a prática do sexo conduzirá, em algum momento ou circunstância, à ocorrência de gravidez. A gravidez produzirá um terceiro ser humano onde antes havia dois e isso, a reprodução dessa má idéia que é o ser humano, isso foi ― é ― e será um grande erro, um pecado, realmente!

 

Mas esse não é o principal objeto deste ensaio tão delicado; o objetivo aqui é revelar o sentido esotérico, a realidade escondida na alegoria do "pecado original". Uma verdade muito mais significativa do que o mero exercício do instinto de reprodução em um instante fugaz de prazer sensual. [Ui!]

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A QUEDA

 

 

Anjo Caído, de Gustave Doré. Os "anjos caídos" estão presentes nas mitologias de civilização de inúmeros povos. Estes "anjos" são sempre instrutores, mestres da humanidade nas artes e na cultura, ciências e tecnologias. Não raro, suas lendas incluem punições, perseguição e culpa justamente por terem dividido os "saberes divinos" com simples  mortais. É o caso de Prometeu, o Titã grego e de toda a Legião de seguidores do Lúcifer cristão.

 

 

ESTÁ NA BÍBLIA: Naquele tempo havia anjos sobre a Terra ― o Livro do Gênesis não foge à regra mitológica global. A tradição de um tempo remoto quando "deuses" viviam entre os homens faz parte do acervo de lendas de todos os povos. Deuses, anjos e outras criaturas fabulosas, personificação de forças da natureza e/ou de valores culturais. Esses deuses da Antiguidade são extremamente humanizados, sofrem paixões, prazeres e angústias.

 

Os anjos do Gênesis bíblico são pecadores. Não bastasse o pecado da humanidade... Também os deuses sucumbiram à tentação: "enamoraram-se das filhas dos homens". Segundo o poeta Milton (em O Paraíso Perdido), uma reflexão do "Anjo Caído" explica a queda dos Anjos:

O reinar justifica a ambição,
Inda que seja no próprio inferno!
É preferível reinar no inferno
Que servir como escravos no céu!

Mais uma vez, o sexo, o desejo sexual, despertando tais pensamentos, está centro da questão. Esses anjos engendraram uma "Raça" de híbridos, meio-divinos, meio-humanos.

 

Em teologia cristã há muitas quedas; a primeira "queda" é do homem-humanidade no episódio "Adão e Eva"; a segunda "queda" é a "Queda dos Anjos". A queda de Adão, obra de Satanás [o inimigo dentro da pessoa, a vacilação]; a queda dos anjos, obra da liderança "do mais belo dos anjos".

 

 

Lúcifer ― o Portador da Luz, conduziu os "anjos rebeldes". No caso de Adão-humanidade, a atitude pecadora ainda pode ser atribuída a uma "perda temporária dos sentidos"... Adão, realmente, não tinha experiência! Mas, no caso dos anjos, foi uma contravenção mesmo, violação de lei, submissão dos divinos ao desejo ― vil, muito vil! ― de "se misturar" com o humano pelo mais intimo [e IMPURO!] modo, a relação sexual.

 

O pecado original, a queda de Adão é essencialmente igual à queda dos anjos: queda na matéria ou, mais especificamente, queda do status, de SER ESPIRITUAL para SER CARNAL. O espiritual é, a priori, superior ao carnal. Possivelmente isso se deve ao fato da MATÉRIA ESPIRITUAL ser mais resistente, durável, que a MATÉRIA CARNAL, efêmera, deteriorável, pulverizável, putrefável.

 

 

Ambas são também chamadas de "queda na geração", porque ao sexo segue-se, eventualmente, a geração de semelhantes, os filhos - ou, a perpetuação da espécie. A procriação sexuada é a decadência da Criação. Mas é decadente no sentido de passar a SER em um grau INFERIOR de MODO DE VIDA ― Vida Carnal. Dizem os esotéricos que esse grau se refere à freqüência de VIBRAÇÃO da ENERGIA que CONSTITUI a matéria ― ou 


ALTA FREQÜÊNCIA  ► PARA estado de SER ESPÍRITO ..........    [particular, quântico]

BAIXA FREQÜÊNCIA  ► PARA estado de SER CARNAL   ........    [orgânico-celular-molecular-atômico]

 

A Queda significa uma mudança de ESTADO ONTOLÓGICO. Caiu de condição predominantemente espiritual para condição predominantemente carnal. Nas escrituras antigas, essa queda aparece como uma mudança para pior.

 

Mudar é uma escolha dessas unidades energéticas pensantes que são "os espíritos" [ou as mônadas]. A escolha resulta da avaliação das perdas e ganhos implícitos na mudança. Adão-humanidade "tendeu" para a carne. Os "anjos rebeldes" assumiram a disposição de pagar o preço da carne: sofrimento, dor, limitações e outros incômodos.

 

 

starway to heaven

A ESCADA QUE VAI AOS CÉUS
É A MESMA QUE DESCE AOS INFERNOS

 

No Universo, espaço infinito, subir e descer, direita ou esquerda, simplesmente não existem. O que existe é mudança de posição em relação a pontos de referência. A queda, como mudança de estado de ser representa, em termos de ciências naturais, o movimento característico e contínuo de todas-as-coisas.

 

Ao invés de ascensão e decadência, o que acontece é um movimento circular [e, dizem, circular em espiral], de um estado a outro, do denso ao sutil, do sutil para o denso:

 

 

ESPÍRITO ―> MATÉRIA ―> ESPÍRITO

 

O "pecado" de cair adquire a conotação negativa em função do sofrimento decorrente da mudança de estado de matéria espiritual para ser espiritual-carnal.

 

Textos religiosos de todo o mundo, com destaque para os orientais-asiáticos, muito antigos, falam da gradação distintiva dos seres, mais ou menos grosseiros. Na teologia cristã a hierarquia reconhece anjos, arcanjos, tronos, potestades, querubins etc..

 

As tradições indianas e tibetana se refere a esta gradação de seres distinguindo as seguintes categorias:

 

1. Budas [Iluminados]

2. Devas [anjos, deuses]

3. Asuras [semi-deuses, heróis e vilões] 

4. Homens

5. Raksashas [demônios, revoltados]

6. Pretas [infelizes, almas penadas]

7. Vegetais e seres brutos minerais.

 

 

O caminho da elevação do SER começa no reino do bruto e do vegetal e ascende à condição de Deva ou, mais refinado ainda, a condição de Buda (ser metafísico em Unidade com o Todo). Cada condição de ser é um degrau dessa escada. Os espíritos levam uma eternidade ― ou maha-avatara, manvatara, longo período de atividade do TODO ― para percorrer todos degraus. Eventualmente, pode ser necessário fazer um retorno no caminho para avançar com segurança depois.

 

 

PECADO NATURAL

 

O "pecado", a queda na carne, é um fenômeno natural, de caráter noético (espiritual, volitivo, metafísico),  bio-fisio-químico e, até onde se sabe, absolutamente inevitável. Homens e anjos caem na matéria densa seguindo o mesmo processo pelo qual, no espaço cósmico, a matéria mais sutil e gasosa, girando em torno de um centro, passa de massa nebular, a esfera ígnea, a planeta hidroterrestre.

 

Também o espírito-SER HUMANO, começa a existir como massa sutil informe e etérea, condensa-se paulatinamente, "ganha corpo" e depois sutiliza-se novamente retornando à condição de SER ESPÍRITO. No começo do processo era espírito puro e ignorante-inconsciente; no final, deverá ser espírito puro de sabedoria-consciente - em sânscrito, um Bodhisatva [corpo de sabedoria].

 

Essa teoria ou visão que recusa ao pecado qualidade de maldição faz parte do pensamento teosófico (budismo esotérico ocidental) e da doutrina hindu-budista de uma realidade regulada por uma lei de justa retribuição ou, mais tecnicamente, lei de ação-reação.

 

 

O sexo é pecado porque é a principal característica das Humanidades que se encontram no estágio espiritual mais grosseiro; as humanidades encarnadas em corpos orgânicos, pesados, incômodo com seus apelos sensoriais que sugerem necessidades a todo instante. As doutrina arcaica ensina que a antropogênese é-foi simultânea à "cosmogênese" ou melhor dito, a Geogênese; a primeira humanidade começando a existir ao mesmo tempo em o planeta Terra começa a existir.

 

Ao planeta no modo globo incandescente corresponde o homem informe incandescente ― ETÉREO. A queda na matéria começa pela matéria mais difusa e sutil, leve ― depois despenca mesmo em corpos materiais cada vez mais densos, o homem encarna-se (e ossifica-se) e padece os desconfortos das vidas para finalmente começar a eterizar-se, novamente e novamente... Também os planetas, evaporam-se lentamente... "Do pó ao pó" ― Meditemos.

 

SOFRO, LOGO EXISTO

 

O pecado original é original porque é origem da primeiríssima manifestação SER-ESPÍRITO-MATÉRIA. É pecado pela relação entre transformação-mudança-movimento com um sofrer, e sofrer no sentido de experimentar ou, ainda, conhecer.

 

Conhecer é experimentar; experimentar é sofrer; sofrer é pecar e pecar cansa. Por isso, todo pecador, um dia, vencido pela exaustão, quedar-se-á na imobilidade de um não-ser voluntário que é voltar a ser absolutamente solitário e puro, puríssimo.

 

      

 


 




      

 

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