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  alquimia, mistérios
 
A PEDRA FILOSOFAL

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 [+] LENDAS DA PEDRA FILOSOFAL

 

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

Entre os temas mais fascinantes da História das Ciências Ocultas, destaca-se a lendária busca da Pedra Filosofal. De fato, são quatro dos grandes objetivos dos Ocultistas que, muitas vezes, dedicaram vidas inteiras às pesquisas interdisciplinares.

 

Os quatro objetivos são: 1. descobrir o segredo da medicina universal; 2. desvendar o mistério do movimento perpétuo; 3. encontrar ou obter em laboratório a Pedra Filosofal e, finalmente, 4. alcançar a realização da Grande Obra (reinar sobre a Natureza terrena possuindo a Pedra Filosofal).

 

Existem alguns objetos encantados no fantástico mundo da magia, como a vareta ou bastão mágico, a espada, a lâmpada, o espelho, o cristal etc.; porém a Pedra Filosofal é a mais cobiçada destas preciosidades, possivelmente porque pode realizar, por sua própria e única virtude, tudo o que os outros objetos e encantamentos realizam:  transubstanciar a matéria e conferir juventude e vida eternas.

 

Quase todos os ocultistas, dos mais eruditos aos feiticeiros de almanaque, em trechos de seus escritos, Grimórios, tratados, em algum momento arriscaram-se a falar sobre a Pedra Filosofal sem que nenhum deles viesse a esclarecer satisfatoriamente o que vem a ser tal coisa e/ou como, de que forma, onde obtê-la, sintetizá-la.

 

Toda informação sobre a Pedra Filosofal vem sempre envolta em simbologias: metáforas, alegorias. A desculpa para essa linguagem codificada é sempre a mesma: proteger o segredo da Grande Obra [alcançar esta Pedra Filosofal] da avidez dos incautos gananciosos.

 

PARACELSO fala da Pedra como algo que, na verdade, mesmo sendo material, corpóreo, físico; mesmo sendo forjada  a partir de palpáveis elementos naturais, a Pedra, para ser obtida, dispensa complicações de operações da química, do laboratório. Antes, possuir a Pedra depende unicamente da essência do Operador, do mago: ...O próprio homem filosófico deve converter-se, si mesmo, em substância [ou, um ser] mercurial de modo que ele próprio é a Pedra  [PARACELSUS, 2009 – p 110].

 

 

 

HERMETISMO & FÍSICA QUÂNTICA

 

Essa importância-chave da Natureza do operador significa que a química da Pedra Filosofal considera como princípio objetivamente válido o chamado Primeiro Princípio Hermético [ou, primeiro princípio da Alta Magia], o Princípio do Mentalismo: Tudo é Mental [O CAIBALION/TRIMEGISTO].

 

Pode parecer espantoso mas tudo indica que os Alquimistas conheciam e controlavam bem o que hoje é conhecido com Princípio da Incerteza um dos mais ousados e complexos conceitos da Física Quântica segundo o qual o observador interfere no comportamento da coisa observada.

 

O Caibalion, obra muito antiga de autor desconhecido mas atribuída ao mitológico Hermes Trimegisto,  verdadeira bíblia do Hermetismo, afirma categoricamente que a Pedra não é um objeto material:

 

 

Nos primeiros tempos [Antiguidade] existiu uma compilação de certas Doutrinas básicas do Hermetismo, transmitida de mestre a discípulo, a qual era conhecida sob o nome de "Caibalion"... Estes preceitos nunca foram escritos ou impressos [até recentemente]... Eram simplesmente uma coleção de máximas, preceitos e axiomas, não inteligíveis aos profanos, mas que eram prontamente entendidos pelos estudantes [de Ciências Ocultas]...

 

Estes preceitos constituíam realmente os princípios básicos da Arte da Alquimia Hermética que, contrariamente ao que geralmente e se crê, baseia-se no domínio das Forças Mentais, em vez de no domínio dos Elementos materiais; na Transmutação das Vibrações mentais em outras, em vez de na mudança de uma espécie de metal em outra. As lendas da Pedra Filosofal, que transformava qualquer metal em ouro, eram alegorias da Filosofia Hermética perfeitamente entendidas por todos os estudantes do verdadeiro Hermetismo.

 

 

 

Intensificando ainda mais tanto mistério, o ocultista francês Eliphas Levi, em seu Dogma e Ritual da Alta Magia acrescenta mais o que pensar sobre o fascinante enigma:

 

Sim, podemos real e materialmente fazer ouro com a pedra dos sábios, que uma amálgama de sal, enxofre e mercúrio combinados três vezes em azoth por uma tríplice sublimação e uma tríplice fixação.

 

Sim, a operação é, muitas vezes, fácil e pode ser feita num dia, num instante; outras vezes, exige meses e anos. Mas para ter sucesso na Grande Obra é preciso ser divinus... é indispensável ter renunciado ao interesse pessoal, às vantagens das riquezas... [LEVI, 1993 – p 210]


 

 

 

 

O MISTÉRIO DA TRANSUBSTANCIAÇÃO

 


Transubstanciação.

Jesus na Bodas de Canaã:

transformando água em vinho

 

 

Seja qual for a fórmula secreta da Pedra Filosofal a investigação indica que esse objeto pode, fato, existir concretamente, e não somente como metáfora alegórica para se referir a uma transformação espiritual. Existe uma transubstanciação da matéria que é estágio avançado de um amplo processo de Iniciação nas Ciências Ocultas.

 

A TRANSUBSTANCIAÇÃO é a operação Magna da Magia. Transubstanciar é um poder reservado a criaturas que os homens deste mundo consideram possuidoras da natureza dos deuses. Um Mago que despertou, verdadeiramente, a divindade é um homem raro capaz de transformar chumbo em ouro ou água em vinho, como fez o Cristo Jesus, por exemplo, no episódio das Bodas de Canaã.

 

Um Mago assim é um Espírito antigo, muito antigo, que já percorreu toda a árdua trilha dos Ensinamentos. Praticou todas as disciplinas. Este mago converteu a si mesmo em Pedra Filosofal e seus pensamentos são o pó de projeção. O Mago mercurial não precisa de varetas, de espadas, laboratórios, ou rituais. Porque dispensa intermediários e age diretamente trabalhando com o poder de sua Vontade.

 

A obtenção da pedra filosofal por meios alquímicos consiste, justamente, em obter uma substância capaz de reagir quimicamente com outras matérias transformando-as em outras. Chumbo em ouro, sim; mas também, doença em saúde, velhice em juventude e a morte certa em vida eterna em meio físico terreno. Não é um milagre, um fenômeno sobrenatural: é uma ciência. Ciência dos Alquimistas.

 

 

 

 

PÓ DE PROJEÇÃO E LONGA VIDA

 

Freqüentemente, quando se fala de Pedra Filosofal, a virtude primeiramente lembrada desse objeto encantado é a transubstanciação dos minerais, da conversão de chumbo e outros metais ordinários em ouro. Todavia, a Pedra tem outra virtude ímpar: propiciar a longa vida; e em boas condições físicas.

 

Significa que, através da Pedra, é possível realizar transformações ainda mais espantosas. Porque a Pedra é a matéria-prima para a síntese do mitológico Elixir da Longa Vida. E o Elixir não concede apenas vida o triunfo sobre a morte. Esse elixir transubstancia até a carne; a matéria gasta do corpo converte-se em tecidos novo, eliminando doenças e sinais da passagem do anos.

 

Todavia, é preciso esclarecer: a Pedra, uma vez obtida, para operar suas maravilhas, não é usada como Pedra. Antes, é pulverizada. A Pedra Filosofal é a fonte do Pó de Projeção dos Alquimistas. O Pó de Projeção, este sim, é o ingrediente-chave tanto para se obter a transmutação de metais quanto para produzir o Elixir da Vida.

 

 

 

FÓRMULAS

 

Apesar de todo sigilo que envolve própria definição e fórmula da Pedra Filosofal os Alquimistas concordam em alguns pontos deixando, assim, a possibilidade de se entrever uma parcela de verdade objetiva. Concordam, sobretudo que, mesmo mal explicada, a tal pedra existe também como coisa física, objeto, mesmo.

 

Além disso, entre floreios e figuras de linguagem, uma substância [ou assim parece] e dois elementos químicos são recorrentemente citados: O Sal, o Enxofre e o Mercúrio.

 

Para nomear esses três ingredientes da fórmula os ocultistas, não raro, utilizam metáforas ou simbologias, códigos: o Sal é matéria lunar, o Enxofre, matéria solar e o Mercúrio é prata viva. Sal e Enxofre também também podem se referir a procedimentos tais como aquecer, esfriar, comprimir, rareificar, fixar, sublimar e assim por diante.

 

Em meios aos numerosos livros que os mestres alquimistas deixaram como Guias, alguns, poucos, falam de modo um tanto mais revelador e, ainda, empreendendo estudo comparado dos mestres, pode-se chegar a desvendar alguns dos enigmas ocultos nas fórmulas publicadas.

 

 

 

Em O Tesouro dos Alquimistas, Jacques Sadoul consegue esclarecer várias questões relacionadas com o mistério da Pedra. Especialmente no que diz respeito ao decifrar os verdadeiros significados por trás dos elementos e procedimentos mencionados nas fórmulas, começando pelos três elementos químicos que são o Sal, o Mercúrio e o Enxofre.

 

Os três são sempre tratados como algo além do entendimento ou diferente do que são para a Química acadêmica. São Sal, Enxofre e Mercúrio mas... dos Alquimistas tal como o Ouro a ser obtido é, igualmente, o Ouro dos Alquimistas [ver box]. E não somente dos Alquimistas mas, dos Ocultistas da Alta Magia, de modo geral, desde de tempos muito recuados.

 

 

 

QUÍMICA DOS ALQUIMISTAS

 

SAL – Não é o sal da cozinha; não. Não se trata do Cloreto de Sódio, a substância composta, NaCl (apesar dessa substância ser, de fato, item obrigatório no kit-básico de qualquer ocultista-experimentador). Entre Alquimistas a palavra Sal refere-se a um conjunto de elementos químicos. Conforme as pesquisas de Sadoul:

 

Os alquimistas acreditavam que os metais, longe de serem corpos simples, eram, bem ao contrário, compostos e continham todos os três elementos dos quais somente as proporções variavam, a saber, o mercúrio dos filósofos, o enxofre dos filósofos e o sal ou ARSÊNICO. [Tal como o mercúrio] ...o enxofre e o sal não correspondem... aos corpos químicos [elemento e substância composta] que trazem estes nomes mas, trata-se apenas de nomes simbólicos.

 

* O Arsênico ou Arsenium, em latim, é um elemento químico, seu número é 33, é um semi-metal ou, ou metalóide. Seu símbolo → As. Foi descoberto em 1250 por Alberto Magno

 

...tais nomes, enxofre, mercúrio e sal... representavam [também] certas qualidades bem precisas da matéria. O mercúrio... elemento feminino, simbolizava o elemento propriamente metálico, a causa do brilho, da ductibilidade e da maleabilidade dos metais. O enxofre... elemento masculino, indicava seu grau [grau da matéria-prima dos filósofos] de combustibilidade e sua cor; o sal (arsênico), mais que um terceiro elemento, representava um meio de união entre o enxofre e o mercúrio.

[SADOUL, 1970 – p 30]

 

 

 

 

A FÓRMULA DE PHILALÈTHE *

* Philalèthe significa amante da Verdade

 

A Pedra Filosofal é um enorme mistério. Tratados ocultistas, alquímicos, antigos e modernos oferecem fórmulas ou parte de fórmulas que supostamente descrevem o processo para a obtenção, em laboratório, desse mítico objeto.

 

Porém essas fórmulas aparecem sempre em uma decepcionante linguagem incompreensível ou mesmo sem sentido, ao menos é o que parece. Em todos os casos, os autores justificam a linguagem, de fato hermética, pela necessidade de proteger "o segredo".

 

Entre inúmeros desses textos, o pesquisador Jacques Sadoul escolheu o ensinamento de Philalèthe para reproduzir em seu estudo O Tesouro dos Alquimistas.

 

Irineu Philalèthe*, nascido Thomas Vaughan [ou Eirenaeus Philalethes, Eyrénée Philalèthe,1612-1665] nascido anglo-americano, educado na Inglaterra, foi médico, cientista e alquimista. Seu trabalho influenciou pensadores como Isaac Newton, John Locke e Leibniz.  Sobre a Pedra Filosofal, eis alguns trechos do pequeno tratado que o alquimista escreveu sobre o assunto: Para dirigir as operações da Obra hermética...   * Há muita controvérsia sobre a identidade deste alquimista. Veja ANOTAÇÕES.

 

 

 

 

1. Não vos entregueis nunca à empresa da Grande Obra [guiado] pelas regras que os ignorantes... poderiam sugerir-vos.


2. Não vos entregueis às murmurações [cale-se sobre a Obra]... O Ouro vulgar está morto ...mas da maneira como o preparamos, ele se revifica... Após seis semanas o Ouro que estava morto, torna-se nossa obra, viva, vivente e espermático... Podemos portanto chamá-lo de nosso Ouro...


3. ...o Ouro... é o corpo... funciona como elemento masculino em nossa Obra... [É necessário, ainda]... um outro esperma, que é o espírito, a alma ou a fêmea; esse esperma é o Mercúrio fluido... Prata-viva comum... limpo, puro.

 

5. O segredo desta preparação consiste em tomar um mineral que se aproxime do gênero do Ouro e do Mercúrio [aqui, parece referir-se ao material que será transmutado]... O Mercúrio deverá ser purificado pelo menos sete vezes.

 

6. Depois de sete a dez vezes o Mercúrios purifica-se mais e mais e torna-se, assim, mais ativo... mais aquoso. Mas se a purificação exceder o necessário, o Mercúrio, tornar-se-á muito ígneo e ao invés de dissolver o corpo ele próprio se coagularia e o Ouro não se fundiria nem se dissolveria.

 

7. O Mercúrio assim aquoso ou animado deve ser ainda destilado numa retorta de vidro duas ou três vezes...

8. Escolhei sempre para esta obra um Ouro puro e sem mistura... Transformai [Ouro puro] em pó sutil... bem fino...


9. Agora vamos à mistura: tomai uma onça ou duas desse corpo preparado [o Ouro puro pulverizado] e duas ou três onças mais [repare-se na inexatidão da medida] de Mercúrio animado... Juntai-os [Ouro e Mercúrio] num vaso de mármore aquecido... Macerai-os [o Ouro e o Mercúrio] e triturai-os até que estejam incorporados juntos [sugere mistura homogênea] ...

 

[Neste ponto, o alquimista introduz um estranho procedimento. Uma vez obtida a massa homogênea de Ouro e Mercúrio, recomenda]: ...colocai vinagre e sal até a perfeita pureza, em seguida, suavizar [lavar] com água quente. Secai-o. [O objeto resultante? Uma pedra...]

 

 

10. O décimo princípio de Philalèthe revela um segredo: o sucesso da operação depende da correta graduação do fogo e duração do cozimento do amálgama [Ouro + Mercúrio] e, curiosamente, essa duração e graduação são diferentes para cada alquimista; como se para cada operador houvesse uma medida particular; como se fosse necessária uma especial harmonia entre a energia do alquimista, a intensidade do fogo e o tempo necessário à produção de tal Pedra. Porque cada homem tem seu próprio fogo e seu próprio tempo.

 

Sobre tal particularidade, Philalèthe esclarece e adverte: O fogo secreto interno é o instrumento de Deus e suas qualidades são imperceptíveis aos olhos dos homens. Falaremos com freqüência desse fogo, embora pareça que nos referimos ao calor externo [físico terreno]: é daí que nascem os erros, onde caem os falsos Filósofos e os imprudentes. Este fogo é nosso fogo graduado...  [Apud SADOUL, 1970 – p 40] 

 

O fogo físico terreno é regulado muitíssimo lentamente em em alterações de graduação mínimas: ...avivado pela seqüência do cozimento, as cores são alteradas e o composto amadurece.

11. Deveis estar provido de um vaso ou recipiente de vidro... que seja de forma oval ou esférica [capaz de conter duas vezes a matéria, o composto. [É o ovo filosófico]: ...que o vidro seja espesso, bem transparente, sem nenhum defeito. O gargalo do ovo deve ser selado hermeticamente... pois a menor abertura deixaria evaporar o espírito mais sutil, e estaria perdida a obra

 

 

 


Athanor: Variados modelos de antigos fornos de Alquimistas.

LINK RELACIONADO:  Alquimia Brasil

 

 

12. O ATHANOR – É preciso também um forno, que os Sábios chamam Athanor... O forno deve ter ter dimensões tais que possa conter somente a caldeira do Alquimista, com cerca de uma polegada de folga. A caldeira deve ter a capacidade de conter apenas um vaso, um Ovo... [Lembrando as palavras de um filósofo]: um só vaso, uma só matéria, um só forno. [Apud SADOUL, 1970 – p 41]  

 

Philalèthe é minucioso nas instruções sobre o Athanor: a chamas devem envolver todo o ovo. Determina as dimensões relativas da chaminé e da porta do forno para que o calor não se disperse demasiado. 

 

13. ...Colocai o Ovo com vossa matéria nesse forno e dai-lhe o calor que pede a natureza, isto é, fraco, não muito violento [fogo brando]...

 

14. A linguagem torna-se ainda mais enigmática: Todo o progresso desta obra é uma destilação da Lua sobre o Sol...

15. ...para que a natureza celeste possa subir e a natureza terrestre descer... 

 

16. ...Não precipiteis nada na esperança de colher antes da maturidade... ao contrário, trabalhai com confiança durante cinqüenta dias ou mais...Julgais... que o Ouro... possa mudar de forma em... pouco tempo? É preciso esperar atento até o quadragésimo dia para que o negrume comece a aparecer. Quando for perceptível [o negrume], conclui que vosso corpo [composto] está... reduzido a uma alma viva...

 

17. Tomai cuidado para que vosso fogo não feneça, nem por um momento, pois se uma vez a matéria esfriar, a perda da Obra é certa....

18. A PEDRA BRANCA – Continuai então [controlando] vosso fogo até a aparição de cores e podereis ver, afinal, a brancura. Quando ela aparecer [a brancura] (o que acontecerá ao fim do quinto mês note-se aqui a imprecisão do tempo que a Obra demanda) a conclusão da Pedra branca se aproxima.

 

 

O ouro é o mais perfeito de todos os metais: é o Pai de nossa Pedra e, entretanto, isso não é a matéria; a matéria da Pedra é a semente contida no ouro.

[Philalèthe, Fonte da Filosofia química Apud SADOUL p 226]



 

SEGREDO, SEMPRE SEGREDO

 

A fórmula de Philalèthe, é considerada senão uma das mais objetiva ao menos, uma das  mais reveladoras da literatura alquímica. Como se vê, o claro em alquimia ainda é obscuro. Os próprios alquimistas ocultam-se em pseudônimos e biografias incertas. A questão sobre como transformar metais ordinários em ouro permanece um segredo. Porém, tanto no passado quanto no presente essa fórmula só é segredo para os leigos; os leigos em Química.

 

É possível obter o elemento químico, o metal ouro a partir de metais outros. Não é uma idéia absurda. Um estudante do ensino médio sabe: a identidade de um elemento químico é definida pela configuração de suas forças eletromagnéticas, resultante do número de partículas que compõem a estrutura de seus átomos. Teoricamente, se alteramos o número atômico [chamado Z] de um elemento metal igualando este número com número do Ouro, aquele material "torna-se" ouro.

 

Sobre a transmutação da matéria, Jacques Bergier escreve: ...A ciência retomou o caminho dos alquimistas quando admitiu que o átomo não é a menor parte possível de matéria. Com a descoberta das partículas elementares, a transmutação tornou-se possível. ...Prova disso é a fabricação... de centenas de quilos de plutônio, elemento que não existe normalmente na natureza. [Bergier Apud SADOUL p 48]
 

 

 

 

 

(a) Spacefilling e (b) bola-e-vara representações do átomo de ouro nanoparticle-102; (c, d) átomo de ouro de superfície do núcleo-79 com 23 átomos camada protetora; (e) Close-up de unidades camada protetora; (f, g) 79-átomo central.

FONTE: Relatório sobre a Estabilidade e Propriedades Eletrônicas de nanopartículas de ouro

VEJA TAMBÉM: TABELA PERIÓDICA DOS ELEMENTOS
 

 

 





 







 

 

 

 


 



 

 







 







 





 

 

 





 

 

 




 

 

 




 



 



 



 

 

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Princípio da Incerteza

 

Até a época das descobertas da moderna Teoria Quântica, pensava-se que o universo físico e os nossos pensamentos sobre ele fossem coisas totalmente distintas.

 

A Física Quântica mostra-nos que aquilo que visualizamos é aquilo que vemos. Em outras palavras, nossos pensamentos sobre o mundo e a maneira como aparece a nós estão, ambos, fundamentalmente inter-relacionados... Não há átomos presentes até o momento em que, efetivamente, passamos a olhá-los.

 

[É o Princípio da Incerteza] ...Esse princípio diz que é impossível conhecer, simultaneamente, a posição e a trajetória de um objeto em movimento. [Quando se determina] ...um desses atributos com excelente precisão será sempre às expensas do outro... [TOBEN/WOLF, 2006 –p 127].

 

 

 

 

 


O Misterioso Azoth

 

Azoth é um dos numerosos vocábulos que os ocultistas empregam para designar aquele elemento que, em si mesmo, é o grande segredo para a obtenção da Pedra  Filosofal.

 

Numerosos autores tentaram definir Azoth em palavras que o tornassem essa coisa inteligível. Mas Azoth permanece sendo algo sem tradução na linguagem da ciência contemporânea.

 

Em Blavatsky, AZOTH  – É o princípio criador na Natureza, cuja parte mais densa encontra-se localizada na luz astral. [Nas palavras de F. Hartmann] ...É o princípio criador da natureza; a panacéia universal, o ar espiritual que dá vida.  em seu aspecto inferior, é o poder eletrizante da atmosfera: ozônio, oxigênio, etc..

 

Não se deve confundir o AZOTH  como o Azoto, da química [convencional]. O Azoth dos alquimistas é o princípio anímico ou vital, ao o oxigênio deve seu poder vivificante. O oxigênio do ar é seu veículo. ...Esta Essência Vital absorvida do Azoth do Éter-ambiente circula no sangue por todo o nosso organismo [BLAVATSKY, 1995].

 

 

 

 

 

 


Os Espagíricos – Alquimia Verde

 

Seriam mais precisamente, Alquimistas Espagíricos. Espagírica, Spargyric, é o nome dado ao cultivo de ervas e plantas diversas para serem usadas em procedimentos alquímicos. É como uma espécie de Alquimia Verde. O termo foi, muito provavelmente, cunhado por Paracelso a partir do grego: spaô=separar + ageirô=reunir.

 

Paracelso acreditava que que o verdadeiro propósito da Alquimia não era a vulgar ambição de obter ouro mas, mas, antes para produzir medicamentos eficazes e técnicas para alcançar a cura dos males do corpo e do espírito. Este médico ocultista usou a palavra Espagíria em seu livro Liber Paragranum.

 

O vocábulo chegou a ser empregado, inclusive, como sinônimo de Alquimia e, em épocas mais recentes, resgatada na roupagem das chamadas medicina alternativa e/ou medicina holística.

 

No contexto da linguagem hermética, codificada dos Alquimistas, entre os Espagíricos as principais correspondências simbólicas eram:

MERCÚRIO – refere-se aos elementos aquosos (líquidos, fluidos), alusão à vida essencial das plantas cujo extrato, alcoólico, detém o poder dinâmico da Vida.


SAL
Quando falavam do elemento terra, representando os sais extraídos dos vegetais e, geralmente, submetidos a processo de calcinação resultando nas cinzas do corpo da planta.


ENXOFRE
relaciona-se ao elemento fogo, virtude do vegetal que reside no óleo essencial da planta.

 

 
 

 

 

Au – do latim aurum, é o símbolo do Ouro na Tabela Periódica dos elementos químicos. Seu número atômico é 79.  Seu número de massa [chamado A, soma de prótons e nêutrons] é 197.

 

Significa que o Ouro possui 79 prótons [partículas de carga positiva] em seu núcleo e, correspondentemente, 79 elétrons em sua eletrosfera. Um metal ordinário será ouro se, por meio de reação fisio-química perder ou ganhar elétrons e prótons e também nêutrons [que estão no núcleo do átomo cujo número chama-se N] suficientes para igualar seu numero atômico e número de massa aos números do Ouro.

 

 

De fato, a produção de Ouro a partir de Mercúrio já foi realizada em laboratório: O isótopo 189 do Mercúrio (Hg, número de massa 200,5 e número atômico 80), desintegra-se em Ouro por meio de captura eletrônica. Também já foi feita a transmutação do Mercúrio em Platina.

 

Considerando essa possibilidade é intrigante e difícil admitir que os antigos alquimistas pudessem ter conhecimento de tais coisas. Até onde se sabe, a estrutura dos átomos é um conhecimento recente da Ciência, coisa de menos de 150 anos. O estudo e as experiências com elétrons, prótons, nêutrons e outras tantas e tantas partículas subatômicas hoje conhecidas pertence ao ramo da Física de Partículas.

 

Mesmo hoje, o equipamento necessário para trabalhar com tais e tão sutis energias é extremamente caro e sofisticado. Um Colisor de Partículas, por exemplo, não se monta em laboratório caseiro e a transformação de um átomo em outro não se faz usando alambiques, retortas ou fornos.

 

Nesse caso, o Alquimista que detém o conhecimento da transmutação dos metais seria apenas uma lenda ou, ainda, a transmutação, a Pedra Filosofal em si mesma seria uma alegoria representativa de uma transformação pessoal, espiritual. É o que diz a lógica. Mas um experimento que produziu estranho fenômeno parece contradizer a lógica reacendendo a polêmica sobre a credibilidade dos Alquimistas.

 

 

 


O Ouro dos Alquimistas

 

Segundo PARACELSO em seu The hermetic and alchemical writings, os Alquimistas fazem distinção e conhecem três tipos de ouro: Ouro Astral, Ouro Elementar e Ouro Vulgar.

 

O Ouro Astral tem sua fonte no centro do Sol e suas virtudes são transmitidas para todas as coisas inferiores conduzidas pelos raios do Sol. 

 

O Ouro Elementar é a parte mais fixa e pura dos elementos e de tudo o que é composto por eles. (note-se que como conceito estende-se sobre a questão da pureza de todos os elementos químicos).

 

Todos os seres sublunares incluídos nos três reinos (da Natureza física terrena: mineral, vegetal, animal) possuem, no centro mais secreto de seu Ser essencial, um grão precioso desse Ouro Elementar.

 

Muitos ocultistas, Blavatsky, enfaticamente, identificam esse grão como a centelha divina que propicia a religião (religare, re-ligação, conexão) do Ser-Indivíduo com sua Matriz Criadora (pode chamar de Deus mesmo, se quiser). 

 

O Ouro Vulgar é o metal, tão conhecido, de símbolo Au na Tabela Periódica dos Elementos Químicos. É o mais maravilhoso metal que conhecemos. O melhor que a Natureza (física terrena) pode produzir e tão mais perfeito é quanto inalterável por si só

 

O ouro produzido pelo pó de projeção de Pedra Filosofal é da segunda espécie, Ouro Elementar.

 

 

 

 

GALINHAS & A TRANSMUTAÇÃO BIOLÓGICA

 

A experiência foi concebida pelo biólogo francês Korentin Louis Kervran [1901-1986] e o resultado foi chamado de transmutação biológica. Sadoul (1970) descreve:

 

As galinhas necessitam de Calcário [rocha sedimentar composta em mais de 30% por carbonato de Cálcio], para sintetizar o Cálcio com o qual produzem as cascas de seus ovos. O experimento consistiu em privar, propositalmente, um grupo dessas aves do calcário. A substância foi substituída pela Mica [rica em silício], que é um silico-aluminato de potássio. Apesar da substituição, as galinhas continuaram a produzir ovos normais. As aves simplesmente passaram a sintetizar a mica, transmutando o potássio (K, número atômico=19) em Cálcio (Ca=20) pela captura de um íon de hidrogênio (H=1).

 

Sadoul conclui: ...Existem métodos totalmente diferentes de transmutação... os alquimistas puderam muito bem realizá-la, ao nível do átomo e de elétrons periféricos sem precisar bombardear os núcleos com partículas altamente energéticas. [SADOUL, p 50]
 

 

Assim, entre o desdém e o espanto, a ciência acadêmica atual vem constatando que Alquimistas e outros Mestres das chamadas Ciências Ocultas não estavam/estão longe de alguma Verdade em seus ensinamentos e praticas de remota Tradição.

 

Nos laboratórios avançados os metais mais usados nas experiências para transmutação em Ouro são o Mercúrio e o Chumbo. Os mesmos recorrentemente citados e utilizados pelos Alquimistas em sua Grande Obra.

 

O mistério da Pedra Filosofal resiste. Mito, realidade, meia-verdade... a Pedra é, no mínimo o símbolo do mais ardente desejo humano: possuir Vida, saúde, juventude e riquezas eternas, infinitas. A Pedra é o fim dos mais tenebrosos terrores do Homem: miséria, doença, velhice, morte.

 

 

 

A CIBER-PEDRA FILOSOFAL: EM BUSCA DA VIDA ETERNA

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Na falta da Pedra mágica, sem matéria-prima, portanto, para fabricar o extraordinário Pó de Projeção, que transforma chumbo em ouro e velhice em juventude, os cientistas, acadêmicos ou não, jamais recuaram em sua busca de um meio, ciência, técnica capaz de vencer a decrepitude e a morte.

 

Recentemente, dezembro de 2010, pesquisadores Digital Immortality Institute anunciaram o advento próximo de uma espécie de Pedra da juventude e vida eternas. Não é o ideal, mas pode servir ao que se propõe.

 

Esta Pedra funciona de modo diferente da Pedra dos Filósofos. Desprezando a preservação do corpo, não deixa de ser uma Pedra da Imortalidade ou Pedra das muitas vidas. Ela não transmuta elementos nem o organismo, não regenera tecidos do Filósofo; muito diferente, ela captura o Filósofo, seu Ser mental, alma, espírito, individualidade metafísica e armazena este Indivíduo em suporte de silício.

 

É curioso: seja lá o que for ESSA COISA que a ciência considera que pode ser capturada e armazenada na Pedra (ou, no chip), significa que os cientistas admitem a existência real, material, energética de UM ALGO que é, em última instância, o Verdadeiro Ser da criatura humana.

 

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NOTÍCIA COMPLETA SOBRE A CIBER-PEDRA FILOSOFAL

 

[+] LENDAS DA PEDRA FILOSOFAL

[+] ANOTAÇÕES DESTE ESTUDO

LEVI, Eliphas. Dogma e ritual da alta magia. [Trad. Rosabis Camayasar]. São Paulo: Pensamento, 1993.

.....................  História da Magia. [Trad. Rosabis Camayasar]. São Paulo: Pensamento, 2004.

BLAVATSKY, H. P.. Glossário Teosófico. [Trad. Silvia Sarzana]. São Paulo: Ground, 1995.

PERUZZO, Tito Miragaia e CANTO, Eduardo Leite do.  Modelo atômico de Rutherford IN Química. São Paulo: Moderna, 1996.

PARACELSUS. The hermetic and alchemical writings. BiblioBazaar/LLC, 2009. IN Google Books.

SADOUL, Jacques. O Tesouro dos Alquimistas. São Paulo: Hemus, 1970.

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edição: Sofä da Sala

novembro, 2010/março, 2011
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