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SABEDORIA MILENAR
Se você não tem competência
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O Além Cristão-Católico-Vaticano-ocidental
Segundo  a  Divina Comédia  de D. Alighieri
 por Ligia Cabus

 

      

 

INTRODUÇÃO

 

Em A Comédia, chamada Divina, Dante Alighieri oferece uma visão ampla e detalhada do Além segundo a fé popular cristã-católica-ocidental. A concepção apresentada por Alighieri não se prende à palavra da teologia oficial aprovada pelo Papado desde os tempos em que o Vaticano era a Santa Sé. [O Vaticano somente foi politicamente instituído como cidade-Estado soberano em 1929].

 

No Além de Dante,  o existir no post-mortem é muito mais que um mero estado de inconsciência, sono cadavérico ou espiritual, ou ambos, do qual todos serão despertados no Dia do Juízo Final. Também não é um Mistério indevassável.

 

Em sua licença poética Dante acolhe em seu Além de cristão tradições muito antigas e crônicas não-canônicas, os Evangelhos Apócrifos. Também coloca na cena do Inferno, sobretudo, e também no Purgatório, figuras notórias das culturas judaica e greco-romana da Antiguidade clássica; personagens históricas e personagens mitológicas.

 

 

 

TOPOGRAFIA GEOLÓGICA E COSMOLÓGICA DO ALÉM

 

 

Cosmographia: Figure of the Heavently Bodies. Bartolomeu Velho, cosmógrafo e cartógrafo, trabalho de 1568. Bibliohèque Nationale de France, Paris.

 

 

 

Ao elaborar sua concepção de Além, Dante [1265-1321] utilizou-se da imaginação antropomórfica do desconhecido aliada ao modelo geológico-cosmológico vigentes em sua época, [final da Idade Média, chamada Baixa Idade Média, cujo marco final e passagem para a Idade Moderna é a Queda de Constantinopla, 1453].

 

A idéia corrente e cristã, canônica, era de uma Terra como um planeta esférico, sim, porém compacto, e não composto de diferentes camadas, placas, que se movem e muito menos com rochas em fusão, quentes e fluidas.

 

Além disso, Dante também adotou como modelo cosmológico o Sistema Geocêntrico de Ptolomeu [90-168 d.C., Claudius Ptolemaeus, matemático, astrólogo, astrônomo, geógrafo e cartógrafo], ou seja, uma visão do Cosmos que entende a Terra como um corpo celeste fixo em torno do qual giram os corpos planetários e estelares.

 

Em Dante, o Infernos ou Os Infernos têm uma localização bem precisa. Tendo como ante-sala o Limbo, hoje extinto por decisão do Papa Bento XVI, a morada dos demônios e presídio dos pecadores fica situado no subterrâneo, o inframundo, tenebroso vale, abissal, que se aprofunda por 9 terraços que atravessam todo o diâmetro interior do planeta até a saída, que conduz ao Purgatório, caracterizado como uma colina insular [fig. abaixo].

 

 

 

 

O Purgatório, com já foi mencionado, é uma colina em uma ilha situada no pólo oposto àquele que é entrada dos Infernos. A colina, tal como o Vale infernal, também é pontuada por terraços entre trilhas e grutas que separam os diferentes tipos de penitentes.

 

Nem todos os espíritos têm de passar por todos os estágios de purgação. Somente são visitados os purgatórios correspondentes aos pecados cometidos em ordem ascendente, dos mais graves para os menos graves. O transporte para a ilha também é uma barca, como no Hades dos gregos.

 

Mas ao contrário dos Infernos, não é através de um rio que se chega aos pátios das dores; a ilha Purgatório fica em meio a um mar. Porém, esta barca que serve ao Purgatório não percorre cursos d'água. Ela voa. É uma barca celestial que navega o céu terreno sob o comando de um anjo.

 

 

 

 

 

 

 

ÍNDICE DO ESTUDO

DA DIVINA COMÉDIA

4Introdução 

Limbo & Inferno

O Purgatório

Paraíso I

Paraíso II

Paraíso III

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 

Regularmente, a Barca Celestial pousa na praia da ilha para o desembarque de novos desencarnados que vão passar um temporada terapêutica-purificante nos patamares da colina. Neste lugar ficam os espíritos que cristãos que, se mantiveram cristãos não cometendo heresias, não blasfemando nem cometendo quaisquer pecados mais graves.

 

Estes, têm a chance real de alcançar, em futuro certo, algum degrau do Paraíso posto que o processo de purgação é somente uma questão de tempo, bom comportamento, arrependimento sincero, lágrimas e muitas orações.

 

 

O Paraíso de Dante segue estrutura semelhante [ascensão em estágios] porém sua localização ou território transcende a esfera terrena elevando-se nas alturas siderais da nove esferas ou círculos celestes segundo o Sistema Geocêntrico de Ptolomeu. De tal maneira, também o Paraíso da Comédia não é mesmo para todos os seus habitantes.

 

Os virtuosos são separados conforme o grau de virtude de cada um, do paroquiano mediano, ao beato, ao santo. Quanto mais virtuoso o cristão mais elevada será sua paradisíaca posição. Significa que quanto mais puro for ou estiver o espírito, a alma, mais perto estará de contemplar o próprio Deus em sua racionalmente incognoscível Pessoa Trina. Contemplar Deus, cara a cara [se é que Deus tem cara] é a mais prazerosa recompensa que se pode almejar em termos de post-mortem dantesco.

 

Finalmente, resta, nesta introdução, esclarecer como as almas chegam ao destino que lhes cabe ao desencarnar. A Além tem seus meios de transporte. Nos Infernos, chega-se viajando na Barca do pilotada por Caronte navegando o rio Aqueronte [mit. grega]. Ao longo do trajeto encontra-se ao menos mais um barqueiro em outro rio infernal, o Flagetonte. E para outros obstáculos topográficos existem as quimeras, como Gerião, que pode voar e centauros, que podem ser montados.

 

Na ilha Purgatório, além da barca celestial que conduz as almas até a praia, não existe nenhum outro meio de transporte. Para subir a colina o único meio é usar as pernas mesmo. A escalada, todavia,  conta com uma curiosa anomalia física: árdua, penosa na base da montanha, a subida  torna-se cada vez mais fácil, suave, à medida que o espírito sobe.

 

Não é a força da gravidade que está invertida; é o peso das almas que diminui conforme se livram da carga dos pecados. O pecado é, então, uma impureza ou agregador de impurezas, sujeira material, objetiva, molecular, atômica, energética. Essas impurezas desprendem-se do Ser e se dissipam no ar por efeito do sofrimento-arrependimento.

 

No alto da colina situa-se, enfim, o Paraíso Terreno que é o próprio Jardim do Éden perdido segundo o Livro do Gênesis. O pecado original pesou no primeiro casal; gerou uma impureza tão densa, robusta, que os Pais da Humanidade caíram pesadamente do topo da montanha e desde então, a Humanidade passou a viver nas mais rudes regiões do planeta.

 
 

ANATOMIA DAS ALMAS DANTESCAS

 

NOS INFERNOS – Uma das questões mais relevantes do post-mortem, uma vez admitida uma vida depois desta vida, é como são ou ficam os indivíduos desprovidos de de suporte corporal terreno. Em Dante, os espíritos desencarnados conservam a forma humana: cabeça, tronco, membros. Porém, sua consistência é outra.

 

Não possuem mais o recheio protéico e adiposo da carne [proteínas, gorduras, músculos, tendões etc.], ossos, sangue. Ainda assim são unidades egóicas, indivíduos corpóreos inorgânicos não mais sujeitos à deterioração. Porém, continuam susceptíveis ao sofrimento.

 

Os espíritos são mais leves que um ser humano encarnado na Terra mas a maioria ainda pesa muito para conseguir subir aos céus.

 

Nos Infernos, Dante refere-se às almas como sombras; talvez fosse mais exato dizer que são almas trevosas ou, ainda almas foscas que, no entanto, que não projetam sombra, como de resto todos os desencarnados e nem deixam marcas de pés na terra ou areia [mais um indicativo de ausência de peso terreno e uma informação, espíritos não projetam sombra o que significa que luz os atravessa].

 

Porém, fato de não mais possuírem um corpo carnal não significa que seu corpo espiritual [ou, mais precisamente, anímico, anima, alma do corpo físico, animal] tornou-se insensível aos mais diferentes de tipos de agressões. Os Infernos dantescos são ambientes essencialmente desconfortáveis, violentos e hostis de todas as maneiras: geograficamente, climaticamente, socialmente.

 

 

TORMENTOS

 

Nos Infernos, as almas são extremamente pesadas para os padrões do Além. Por essa razão, de natureza mecânica, quem está no Inferno jamais subirá aos céus. As almas dos danados são tão densamente impregnadas de pecados que conservam, dos males da Terra, os fantasmas de seus órgãos, de suas entranhas, susceptíveis a agressões que os infelizes sentem como se ainda fossem feitos de carne e ossos.

 

Seja por mera sugestão mental, seja porque de fato ainda conservam alguma percepção do tipo terreno, as almas dos Infernos padecem, sentem, as dores das mais variadas torturas que lhes são infligidas; e nisso consiste seu castigo eterno. Os Infernos têm carrascos em toda parte: desde os demônios descendentes dos Anjos Caídos, como Lúcifer, até os monstros mitológicos e os ambientes terrivelmente inóspitos.

 

O clima é péssimo! A idéia do Inferno fornalha ou do Inferno geleira corresponde a somente uma parcela das intempéries infernais: ao longo dos nove círculos os fenômenos meteorológicos são pura tormenta e horror. Ventos gelados e cortantes como navalhas; o ar pastoso, chuvas densas, negras, pestilentas, granizo e neve podre, chuva de fogo também, areias ardentes, pântanos fedorentos e planícies de betume fervente.

 

Os pecadores sufocam, queimam, congelam, padecem dores lancinantes sem nunca desfalecer. A isso, acrescentam-se os verdugos oficiais, demônios que fustigam os infelizes com seus lancetes, açoites e insultos.

 

Centauros vigiam os padecimentos armados com arcos e flechas prontos para atirar nas alma que tentam evadir-se das cloacas. Cães ferozes, os famosos cães do inferno, que dilaceram o Ser, como se de carne fosse feito, para depois de dilacerado, o desgraçado se recompor e recomeçar a ser  perseguido, alcançado e despedaçado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em alguns patamares, aos suplícios exteriores acrescentam-se o sofrimento interior, as perturbações mentais como a paranóia, a psicose, a esquizofrenia, as alucinações, como no quinto círculo, onde os pecadores parecem sofrer de TOC – Transtorno Obcessivo Compulsivo por skin-picking, ou seja, dilaceram a própria pele, autoflagelam-se. Grupos caminham sem cessar envergando mantos de chumbo, outros ardem em chamas ou se vêm envoltos em víboras peçonhentas.

 

 

MOHAMMED

 

Alguns dos hóspedes dos Infernos dantescos são personagens famosos, históricos e a revelação do destino das almas de algumas dessas figuras é especialmente miserável posto que foram personalidades igualmente deploráveis, ao menos no entender de Dante Alighieri e, possivelmente, ainda hoje, é possível que algumas pessoas concordem que estes pecadores merecem mesmo os piores dos suplícios. Caso exemplar é Mohammed, o Maomé, fundador da religião Islâmica.

 

Instalado na Nona Vala do Oitavo Círculo do Inferno, Maomé [como é chamado em língua portuguesa], o pretenso profeta, segundo Dante ali jaz, entregue ao carrasco Mutilador, nas seguintes condições: O corpo todo aberto se lhe via, do queixo ao reto. Entre as pernas, as entranhas; exibidos os pulmões e o feio saco onde o alimento se torna excremento... Tal como Maomé, as almas que ali se encontram são perseguidas por um demônio cruel. É o Mutilador.

 

 

NO PURGATÓRIO

 

Sem dúvida, o Inferno é o pior mas o Purgatório dantesco também reserva tristes penas para os cristãos arrependidos de seus pecados. O preço é alto. As almas que vão para o Purgatório choram muito e este pranto ajuda na purificação; o que não as exime de experimentarem duras penitências. Carregam pedras tão pesadas quanto suas culpas, alguns têm os olhos costurados com fio de ferro, mas choram assim mesmo. Outros padecem são assombrados pelas lembranças de seus atos impuros e ainda há os sofrem fome e sede insaciáveis.

 

As almas do Purgatório, apesar de muito menos supliciadas do que aquelas que penam nos Infernos, ainda são criaturas sombria, deprimidas e deprimentes em sua maioria. Quando alguma está contente e bem disposta é porque está subindo, está na chamada ascensão, já um tanto mais purificada, uma patamar acima mais perto dos Céus. A maior parte porém, tem um aspecto deplorável: esgotadas, exauridas, transtornadas, rosto retorcidos pela dor seja das penas do arrependimento que amargam, corpos vergados, faces encovadas. Ainda são espectros que habitam ambientes inóspitos e sombrios.

 

 

NO PARAÍSO
 

No Paraíso, finalmente acaba o show dos horrores infernais, as tragédia lacrimosas do Purgatório. Começa o espetáculo das luzes. As almas que alcançam os Céus, os Paraísos, já a partir do Primeiro destes Paraísos, que o Jardim do Éden, o bíblico, ainda na esfera terrena, estas almas, aos invés da aparência sombria, fosca, pesada e sofrida, apresentam-se luminosas, esvoaçantes, translúcidas. E quanto mais elevado o patamar paradisíaco, mais brilhantes se tornam de modo que os olhos dos encarnados e das almas impuras sequer poderiam contemplá-las sem que se lhes ofuscasse a  visão, tal como é ofuscante a contemplação direta da luz do Sol.

 

Objetivamente, no que se refere à  aparência das almas bem-aventuradas dos Paraísos, Dante utiliza uma imagem bastante usada por diferentes concepções teológicas. O Espírito é um santo lume, uma centelha, um aglomerado de luz viva que pode assumir diversas formas: da esfera de luz às feições humanas que tinha quando estava encarnado.

 

       

 

referências

 

ALIGHIERI, Dante. A Divina Comédia. [Trad. de José Pedro Xavier Pinheiro]. Ed. online Portal São Francisco – acessado em 12/07/2007.

[http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/dante-aligheri/a-divina-comedia.php]

 

ALIGHIERI, Dante. A Divina Comédia.  [Trad. Fábio M. Alberti]. São Paulo: Nova Cultural, 2003.

 

ENCICLOPÉDIA BARSA, vol. 5. Dante Aliguieri. São Paulo, Rio de Janeiro: Britannica Editores, 1966

 

Dante-Worlds, University of Texas, Austin. IN [http://danteworlds.laits.utexas.edu/paradiso/index.html]

 

DICIONÁRIO DE MITOLOGIA GRECO-ROMANA. São Paulo: Abril Cultural, 1973.

 

GREEK MYTHOLOGY. [http://www.allaboutturkey.com/sozlukmit1.htm]

 

RAEPLE, Eva Maria. An Intercultural Crossroad Between Christians and Muslimsin Thirteenth Century Italy: Reflections on Dante’s Divine Comedy, 2003

 

 

 

 

 


 

 

      

 

Sofä da Sala
edição: julho, 2010
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