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história

abril, 2009

história
Tortura: Medicina na Idade Média
MORTON, David.
Ten Excruciating Medical Treatments From the Middle Ages
IN Oddee ─ publicado em 28/03/2009

traduções, texto & pesquisa: Lygia Cabus
     

 

Na Idade Média, as cirurgias eram procedimentos grosseiros, que exigiam 1. dos pacientes, a capacidade de suportar a extrema dor; 2. dos "médicos" a capacidade de praticar a crueldade.

 

Os doutores tinham pouco entendimento da anatomia humana e menos ainda sabiam sobre técnicas de anestesia e assepsia. Muitas vezes, as infecções eram mais mortais que a doença original.Para aliviar a dor, os pacientes eram submetidos a mais sofrimentos.

 

 

[Hoje tudo mudou!? Os pacientes continuam sofrendo, sim, para aliviar a dor, mas trata-se de um sofrimento civilizado, envernizado: sofre com o difícil acesso aos recursos médicos, dormindo e morrendo nas sarjetas, nas filas da previdência; e sofre, também, com a peregrinação aos consultórios de especialistas que se especializam tanto que nada reconhecem e nada vêem fora de sua especialidade e, depois de passar os olhos 15 segundos pelas folhas diagrâmicas e tabeladas dos laboratórios, emitem pareceres duvidosos, receitam substâncias caríssimas para, não raro, concluir, que houve "erro de diagnóstico". Além disso, embora as técnicas contemporâneas sejam bem mais delicadas que as medievais, continua sendo um suplício ser amassado por prensas e invadido por sondas que são enfiadas nas cavidades mais melindrosas.]

 

 

Durante muito tempo os médicos medievais eram, principalmente, monges que tinham acesso à melhor literatura médica da época. Entre os autores mais prestigiados, estavam os estudiosos árabes. Em 1215, o Papa proibiu os monges de praticar cirurgias.

 

Os religiosos, então, passaram a instruir fiéis, simplórios camponeses, para que eles mesmos pudessem operar. Fazendeiros que somente tinham experiência em castrar animais começaram a ser requisitados para todo tipo de intervenção: desde a extração de um dente até uma operação de catarata.

 

Apesar da cena macabra, havia um certo número de casos bem sucedidos. Na Inglaterra, arqueólogos encontraram o crânio de um homem dos anos 1.100 [século 12]. Havia uma lesão feita com objeto perfurante; um buraco na cabeça. O homem tinha sido submetido a uma trepanação, que serve para aliviar a pressão sanguínea no cérebro. Análises mostraram que ele sobreviveu ao procedimento.

 

 

 

Dwala, a Belladonna: Anestésico Letal

 

Pelas condições, tão precárias, na Idade Média as cirurgias somente eram realizadas em última instância, caso de vida ou morte. Sobre anestésicos, algumas das fórmulas usadas para aliviar a dor e/ou provocar induzir ao sono, eram potencialmente letais.

 

Como esta, que utilizava os seguintes ingredientes: suco de alface, fel [bílis] de um javali castrado, vinho de de Briônia [colubrina - trepadeira que dá pequenos frutos macios e lisos; a planta é toda venenosa até a raiz], ópio, Meimendro negro [Hyoscyamus niger], que é extremamente tóxica, cicuta-verdadeira [Conium maculatum] ─ analgésica e vinagre. Tudo isso, misturado com vinho, compunha a beberagem de má cara que o paciente tinha de beber sem saber se ia acordar do "nocaute" [do desfalecimento].

 

Para o inglês medieval, a palavra belladonna [dwale ─ pronunciada dwaluh] servia como sinônimo para indicar qualquer poção anestésica. O meimendro negro, sozinho, é suficiente para matar. A intenção era fazer o paciente dormir profundamente permitindo, desse modo, a realização da cirurgia. Porém, a fórmula podia desandar e provocar a suspensão da respiração [do paciente, claro].

 

Paracelso, médico suíço medieval, foi o primeiro a usar éter para anestesiar. Mas o éter não foi bem aceito pelos conservadores e seu uso caiu em declínio. O éter somente foi redescoberto na América do Norte, 300 anos depois. Paracelso também usava o láudano e a tintura de ópio como analgésicos.

 

 

 

Encantamentos: Rituais Pagãos & Penitências Religiosas

 

 

Essa medicina primitiva era uma combinação de saberes pagãos, crenças religiosas e uma pequena porção de ciência. Com a Europa ocidental sob total controle da Igreja Católica, os rituais pagãos era criminalizados, sujeitos a punições. Uma destas práticas proibidas era uma simples superstição:

 

Quando o [o curandeiro] se aproxima da casa da pessoa doente, se [ele, ela, curandeiro] encontra uma pedra na vizinhanças, voltará, examinará a pedra e se alguma coisa viva for encontrada ali, debaixo da pedra ou escondida em suas reentrâncias, seja um verme ou um inseto, isso significa que o doente vai se recuperar. [The Corrector & Physician]

 

Um tratamento padrão para vítimas da peste negra, a peste bubônica que assolou as nações européias, era a confissão dos pecados e o cumprimento da penitência prescrita pelo padre, que explicava que com este procedimento talvez o cristão escapasse da morte. 

 

 

 

Catarata

 

 

A catarata, doença dos olhos comum na velhice, consiste na perda de transparência do cristalino, que se torna opaco. É o envelhecimento do cristalino. [Com formato semelhante a uma lentilha, o cristalino é a lente dos olhos, entre a íris e o humor vítreo, o "lubrificante" do olho. Atualmente, a cirurgia remove o cristalino e uma lente artificial é colocada no lugar]. Um dos sintomas é famosa "vista cansada". Conhecida a milhares de anos essa moléstia é tratada com cirurgia há séculos. 

Apesar da antiguidade, o procedimento, muito doloroso, geralmente não produzia bom resultado. As primeiras operações de catarata eram feitas com instrumentos afiados, como espátulas. Tal instrumento era introduzido através da córnea forçando o cristalino para fora de sua cápsula e abaixando-o para aparte inferior do olho.

 

Quando a medicina árabe foi divulgada mais amplamente na Europa, popularizou-se uma nova técnica cirúrgica, mais eficiente: a ponta da agulha de uma seringa vazia era inserida através da parte branca do olho e as "cataratas" eram extraídas através de sucção.

 

Como o cristalino é formado por lamelas [pequenas lâminas muito finas] transparentes e, com o passar do tempo, essas camadas envelhecem e perdem a transparência, o método dos árabes era uma tentativa de retirar as lamelas gastas, e estas são as "cataratas", deixando no órgão lamelas da camada mais abaixo e, potencialmente, em melhor estado de transparência.

 

 

 

Retenção Urinária [Bexiga Presa!]

 

 

 

A bexiga obstruída ou retenção urinária era muito comum, conseqüência da sífilis e de outras doenças venéreas em uma época em que os antibióticos não eram bem conhecidos nem facilmente disponíveis. Para sanar o mal, cateteres metálicos um tubo de metal, era enfiado na bexiga através da uretra [Ui! Doeu aqui!].

 

Quando o tubo [o cateter] não podia passar facilmente, falhando em aliviar a obstrução, outros métodos eram usados para alcançar a bexiga, todos penosos e perigosos especialmente por causa da falta de recurso adequados para a assepsia dos instrumentos. Os cateteres para desobstrução de bexiga forma usados pela primeira vez nos anos de 1300 [século 14].

 

 

 

Pedra nos Rins

 

Para tratar essa doença os "curas" medievais atacavam o órgão errado, a bexiga [e aqui está um exemplo da nociva falta de conhecimento de anatomia], e atacavam mesmo, usando força bruta!

Tendo uma pessoa forte disponível [é um assistente!], faça-a sentar em um banco e que ponha os pés em um escabelo [banqueta]. O paciente sentará no colo desse "assistente", de frente para ele, e que coloque as pernas nos ombros, cruzados os pés em torno no pescoço do ajudante, onde serão atadas com uma faixa de tecido de modo que fique bem firmes sobre os ombros. Feito isso, o "médico" posicionado atrás do paciente, vai inserir dois! dedos da mão direita no ânus [do infeliz]; ao mesmo tempo, usará a mão esquerda para pressionar a púbis [do desgraçado].

[É um exame de tato]. Encaixe os dedos na região da bexiga [o baixo ventre] e pressione de cima, tateando e consultando as impressões do "condenado". Se, com o tato, o "medico" identificar um volume, que pode ser esférico ou irregular, é a pedra. Sendo assim, o paciente deve ser preparado para a extração: fará jejum durante dois dias.

 

No terceiro dia, colocando-se na mesma posição melindrosa e tendo o médico se posicionado novamente [como da primeira vez] localizará a pedra, usando as mão,s conforme foi indicado, conduzirá o objeto até o "pescoço" da bexiga [a uretra] e dali até o orifício de entrada da bexiga, sempre trabalhando na "retaguarda" com a mão direita, empurrando, até tornar a pedra acessível a um instrumento comprido com qual será feita a remoção.

 

 

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



 

 

 

 

 

 



 

 

 

 

 

SOBRE A MEDICINA HERMÉTICA

Papus, batizado Gerard Anaclet Vincent Encausse, nasceu em Coruña, Espanha. Seu pai, Luis Encausse, era Químico. Quando Gerard manifestou vocação para a medicina, foi matriculado na Faculdade de Paris. Na Universidade, teve contato estudiosos do Ocultismo e se interessou pelo assunto. Jamais deixou de lado a paixão pela ciência médica e, ao longo de sua carreira, acabou desenvolvendo uma espécie de hibridização entre as duas formas de conhecimento do Homem.

Pesquisou exaustivamente a etiologia [causas, origem] das doenças e praticou o tratamento mental, uma espécie de sistematização e "aplicação da magia simpática" ou magia das analogias ou afinidades. Precoce, aos 24 anos publicou seu primeiro livro: Thérapeutique Intégrale [Terapeutica Integral]. O pseudônimo, Papus, retirado de uma personagem de um livro de Apollonio de Thyana, apareceu no primeiro texto ocultista publicado, em 1887: L'occultisme contemporain.

Da pré-história aos dias de hoje a associação entre ocultismo e medicina aparece na crônica das ciências e das técnicas humanas desenvolvidas para curar os distúrbios do corpo e da mente [Papus diria: do corpo, do corpo astral e do ser mental]. Não é coincidência que inúmeros nomes destacados da medicina medieval tenham sido também mestres ocultistas ou, ao menos, assumidamente alquimistas. Entre os ocidentais, serão sempre lembrados: Paracelso, Nostradamus [profeta, astrólogo], Cornelius Agrippa e, mais recentemente, em pleno Iluminismo, Papus.

Atualizando o conhecimento da Medicina Hermética Papus encontrou, para este exótico saber, um lugar entre as terapias aceitas pela medicina acadêmica "oficial": chamou a Medicina Hermética de Hipnoterapia e escreveu: "A medicina hermética será utilizada nas afecções psíquicas". Recomendava o emprego da música e da "ação encantadora das palavras" no tratamento de doenças mentais, fossem psiquiátricas ou psicológicas; e a homeopatia, incluindo segmentos como a aromaterapia, cristais, cromoterapia e rituais para as doenças típicas do "corpo astral". Os estudos de Papus sobre homepatia, abrangendo a pesquisa das propriedades das ervas bem como dos minerais e dos animais conduziram-no à pesquisa das tradições da medicina popular. Em seu Tratado Elementar de Magia Prática, abre uma sessão de capítulo para as Tradições da Medicina Hermética Conservadas nos Campos:

Para conhecer se o doente viverá ou morrerá: Diversos são os sinais que, segundo dizem, revelam se um enfermo há de sarar ou morrer; vamos dar aqui um método infalível e seguro... Tomai uma folha de urtiga e metei-a na urina do enfermo logo que ele a tenha expelido e antes que se corrompa [a urina]; deixai ali durante 24 horas. Se decorrido esse tempo a urtiga tiver secado, é sinal de morte; se continuar verde, é sinal de vida.

Contra cólicas: Doença causada pela Lua. [Portanto]... colhei na hora de Marte ou de Mercúrio... os frutos do Loureiro e fazei com eles um pó que deve ser tomado com duas gramas de vinho aromático...

 

Curiosas Revelações Sobre a Virtude de Certas Pedras, Plantas e Animais

Ainda no Tratado..., Papus apresenta correspondências entre os setes globos celestes da magia: Sol, Lua, Marte, Mercúrio, Júpiter, Vênus e Saturno com os atributos de pedras, plantas e animais. São tradições recolhidas da cultura popular  européia que misturam 1. os saberes práticos do camponês com  2. os ecos da ciência acadêmica que alcançam o povo. Boa parte desse acervo de técnicas, poções e simpatias tornaram-se razoavelmente acessíveis aos mais pobres à medida que o negócio da venda de impressos, livros, panfletos, se desenvolvia, reproduzindo exemplares de obras que se tornaram conhecidas como Grimórios.

Os Grimórios, proliferaram na Idade Média e continuaram sendo reimpressos e plagiados nos séculos seguintes até os dias atuais. Geralmente a autoria pomposamente atribuída, supostamente, a grandes mestres das ciências físicas, da química, da biologia, da alquimia! Papus retirou do famoso grimório O Grande Alberto, obra creditada ao monge alemão Albertus Magnus, a maior parte das fórmulas baseadas em correspondências planetárias. Eis algumas "receitas":

 

PEDRAS & PLANETAS

Ametista: pedra de Marte, cor de púrpura, a melhor é a indiana. É maravilhosa para os ébrios; evita a embriaguês.

Lápis-lazuli: pedra de Vênus, o tipo que possui corpúsculos dourados combate a melancolia e a febre quartã.

Esmeralda: pedra de Mercúrio, colocada sob a língua, desperta o dom da profecia.

Cristal [quartzo]: pedra da Lua. Pulverizado, tomado com mel, aumenta o leite das amas.

Coral: pedra da Lua. "Está provado com segurança que ele [também pulverizado] faz estancar as hemorragias" [PAPUS, 1995 - p 236].

 

ERVAS & PLANETAS

Ochtaram ou Meimendro: erva de Júpiter, fecha úlceras e impede que se inflamem as feridas.

Ornoglossa [língua-de-pássaro, bird-tonguePolyganum aviculare ou erva-da-muda, erva-dos-passarinhos, sempre-noiva, sempre-verde, sempre-viva]: erva de Marte. "É boa para dor de cabeça. Usa-se dela [também] para as doenças dos testículos... Seu suco é admirável para a disenteria e as hemorróidas assim como para as doenças do estômago". [PAPUS, 1995 - p 239]

Poligônia ou Ranúnculo [Ranunculus repens ─ erva-ciática, erva-do-monge, erva-do-boi]: erva do Sol. "Cura as dores do coração e do estômago". É afrodisíaca e ..."quem trouxer consigo a raiz, ela cura o mal dos olhos". [PAPUS, 1995 - p 240]

Verbena: "[Erva de Vênus é] sagrada, uma das plantas mágicas mais poderosas e misteriosas que existem. Eis o que dela diz o Grand Albert: 'Alguns chamam-na também Colombaria... Sua raiz sendo posta no pescoço, cura as escrófulas, as parótidas, as úlceras e a incontinência da urina, fazendo-se um emplastro que será posto no lugar em que está o mal'." [PAPUS, 1995 - p 241]

Pedactilus  Quintefeuille [Potentilla, Cinquefoil, quinquefolium, ansarinha, funcho-selvagem]: erva de Mercúrio. Cura chagas, dores de estômago, dores do peito. Introduzida na boca alivia dores de dentes.

Lírio Branco: erva/flor da Lua. Segundo o Grand Albert: "Seu suco elimina a acidez do estômago. A flor desta erva limpa os rins e cura-os É muito boa para doenças dos olhos e torna a vista boa. [Sua raiz] pilada, [colocada] sobre os olhos... aumenta o alcance visual, pois os olhos têm grande simpatia com a Lua e dependem muito de suas influências. [PAPUS, 1995 - p 242]

 

compilado por Papus [Gerard Anaclet Vincent Encausse, 1865-1916]
IN Tratado Elementar de Magia Prática ─ p 429
[Trad. E. P.] ─ São Paulo: Pensamento, 1995
]

 

   

Cirurgiões nos Campos de Guerra

 

 

O uso de arcos longos, que podiam arremessar flechas a longa distância, floresceu na Idade Média. Isso criou um novo problema para os cirurgiões dos campos de batalha; como remover as flechas do corpo dos soldados. As pontas dos dardos não eram sempre fixas na haste. Muitas pontas eram firmadas com o auxílio de cera quente de abelhas. Quando a cera esfriava, as armas podiam ser manuseadas normalmente, mas uma vez que atingiam um alvo, se fossem retiradas com um simples puxão, aquela ponta malsã ficava dentro do corpo da vítima.

 

 

 

Uma solução foi a invenção da "colher de flecha", inventada pelo médico árabe Abucasis*. A colher era inserida na ferida, tão profundamente quanto fosse necessário e "acolhia" o projétil que, dessa forma, era extraído do ferimento sem causar maiores danos aos tecidos periféricos, evitando de forma razoavelmente eficaz a produção e permanência de farpas no organismo.

Uma vez livre de objetos estranhos ao corpo, as feridas podiam ser cauterizadas com ferro quente aplicado na lesão, fechando rupturas em veias e artérias, interrompendo a perda de sangue e evitando as infecções. Esse tipo de cauterização era usado especialmente em casos de amputação de membros. Uma ilustração famosa, The Wound Man [O Homem Ferido] mostra os vários tipos de ferimentos de batalha que um cirurgião poderia esperar em seu trabalho cotidiano.

* Abucasis: Abu al-Qasim Khalaf ibn al-Abbas Al-Zahrawi, 93 -1013 d.C  ─ Córdoba.

 

 

 

Sangria

 

Os médicos medievais acreditavam que a maioria das doenças do homem eram causadas pelo excesso de fluido no corpo [esses fluidos eram chamados humores]. A cura consistia em remover o excesso de fluido drenando grandes quantidades de sangue. Dois métodos eram usados para sangrar os pacientes: 1. aplicação de sanguessugas [Hirudo medicinalis]; 2. a flebotomia, corte de uma veia.

 

 

As sanguessugas eram colocadas diretamente na pele dos pacientes, escolhendo, de preferência, aquela parte afetada pela condição mórbida. A Flebotomia é a direta abertura de uma veia, geralmente da parte interna do braço. O instrumento usado era uma lanceta [foto dir.] fina.Com a lâmina, na ponta,  bem afiada, menos de 2cm de comprimento, procedia-se à incisão na veia deixando um pequeno corte. O sangue vertido era colhido em um vaso para que sua quantidade pudesse ser medida.

Monges de diferentes ordens religiosas católicas submetiam-se regularmente a sangrias estivessem doentes ou não; acreditavam que era um modo de manter a boa saúde. As sangrias acabavam sendo uma boa desculpa mas alguns monges relaxarem seus deveres alegando a necessidade de muitos dias para uma plena recuperação.

 

 

 

     Parto: Mulher, Prepare-se Para Morrer!

 

Na Idade Média, um parto era considerado um evento tão arriscado que a Igreja Católica recomendava às mulheres grávidas que preparassem a mortalha e confessassem seus pecados em caso de morte.

 

A Igreja também considerava as parteiras figuras importantes, responsáveis por providenciar batismos emergenciais evitando, assim, que os anjinhos, morrendo pagãos, fossem para o limbo.

 

E as mães, se pagãs, poderiam, no último suspiro, contando com a diligência da parteira, obter um batismo relâmpago e garantir um lugar, senão no céu, ao menos, no purgatório. No entanto, um popular ditado medieval recomendava: "A melhor bruxa; a melhor parteira".

 

Para reagir contra essa mentalidade da plebe afeita, ainda, à bruxaria, a Igreja passou a emitir e exigir licenças para as parteiras, concedidas por um bispo. As "candidatas" tinham jurar não usar magia enquanto estivessem assistindo aos trabalhos de parto.

 



Em situações nas quais o bebê estava na posição invertida, dificultando o nascimento, a parteira virava a criança no útero e resolvia o problema; algumas parteiras, porém, mais "sem noção" [despreparadas] simplesmente sacudiam a cama na esperança que a criança assumisse a posição adequada... Um bebê morto que não fosse expulso das entranhas da mãe seria cortado em pedaços dentro do útero mesmo e os pedaços eram retirados com uma pinça. A placenta retida era retirada [também] à força.

 

 

Lavagem Intestinal:

Tomando Remédio Pela Porta dos Fundos

 

 

Imagem: Collect Medical Antiques


A versão medieval do enema, conhecido na época como clyster, é um instrumento para injetar fluidos dentro do corpo através do ânus. [É um ancestral do supositório]. O clyster era um longo tubo metálico terminado em forma de taça-funil dentro da qual o líquido medicinal [o remédio] era colocado.

 

Na extremidade deste funil, um ponteira achatada e não-cortante, dotada de vários pequenos orifícios, era introduzida no "orifício", um tanto maior, do paciente. Um êmbolo servia para "bombear" a medicação mais profundamente, na região do cólon. Eram muito usadas: a água morna, o vinagre e preparados, infusões e tinturas, como a de bile de javali diluída.

Entre os séculos 16 e 17, o clyster medieval foi substituído por uma espécie de seringa de borracha e as "lavagens" se tornaram moda na França! Consta que o rei Luis XIV recebeu cerca de duas mil lavagens durante seu reinado, algumas vezes, com a corte reunida assistindo o progresso da "cerimônia"...

 

Hemorróidas? Passa o Ferro!

 


 

 Imagem: The MacKiney Collection of Medieval Medical Illustrations

 

Naqueles tempos medievais, muitos tratamentos de doenças incluíam preces para um santo patrono a fim de obter uma intervenção. O monge irlandês Santo Fiacre era o patrono dos sofredores de hemorróidas.

 

Ele mesmo desenvolveu hemorróidas trabalhando em seu jardim. Um dia, sentou em uma pedra que produziu o milagre da cura! A pedra ainda existe e nela estão impressas! as hemorróidas do santo. É um lugar visitado por muitas pessoas em busca de milagre [para as hemorróidas que, apesar dos apelos ao santo era conhecida como "maldição de Santo Fiacre"].


Em casos extremos, os médicos da Idade Média usavam ferros cauterizadores para tratar o problema. Outros, acreditavam que, simplesmente puxando as hemorróidas com a ponta das unhas, fisgando-as, era possível obter o alívio.

 

Esta solução foi sugerida pelo médico grego Hipócrates. No século 12, o médico judeu Moses Maimonedes, no sétimo capítulo de um tratado, desaconselhou a cirurgia [cauterização a ferro quente] e prescrevia o tratamento mais comum, usado até hoje: o "banho de assento"!


 




      

 

edições: Sofä da Sala

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ed. maio, 2012