notícia | BLOG | ocultismo | livros-estudos | ficção-imagens | links-biblioteca | seu recado | ler recados | contatos
|
saúde, beleza, eletrodomésticos, cursos, imóveis, viagens, livros, empregos, lojas, cd, dvd, documentario.
|
história
Na Idade Média, as cirurgias eram procedimentos grosseiros, que exigiam
1.
dos pacientes, a capacidade de suportar a extrema dor;
2.
dos "médicos" a capacidade de praticar a crueldade. Os doutores tinham pouco
entendimento da anatomia humana e menos ainda sabiam sobre técnicas de anestesia
e assepsia. Muitas vezes, as infecções eram mais mortais que a doença
original.Para aliviar a dor, os pacientes eram submetidos a mais sofrimentos.
[Hoje tudo mudou!? Os pacientes continuam sofrendo, sim, para aliviar a dor, mas trata-se de um sofrimento
civilizado, envernizado: sofre com o difícil acesso aos recursos médicos, dormindo e morrendo nas
sarjetas, nas
filas da previdência; e sofre, também, com a peregrinação aos consultórios de especialistas que se especializam
tanto que nada reconhecem e nada vêem fora de sua especialidade e, depois de passar os olhos 15 segundos pelas
folhas diagrâmicas e tabeladas dos laboratórios, emitem pareceres duvidosos, receitam substâncias caríssimas para, não raro,
concluir, que houve "erro de diagnóstico". Além disso, embora as técnicas contemporâneas sejam bem mais delicadas
que as medievais, continua sendo um suplício ser amassado por prensas e invadido por sondas que são enfiadas nas
cavidades mais melindrosas.]
Durante muito tempo os médicos medievais eram, principalmente, monges que tinham acesso à melhor literatura médica
da época. Entre os autores mais prestigiados, estavam os estudiosos árabes. Em 1215, o Papa proibiu os monges de
praticar cirurgias. Os religiosos, então, passaram a instruir fiéis, simplórios camponeses, para que eles mesmos
pudessem operar. Fazendeiros que somente tinham experiência em castrar animais começaram a ser requisitados para
todo tipo de intervenção: desde a extração de um dente até uma operação de catarata.
Apesar da cena macabra, havia um certo número de casos bem sucedidos. Na Inglaterra, arqueólogos encontraram o
crânio de um homem dos anos 1.100 [século 12]. Havia uma lesão feita com objeto perfurante; um buraco na cabeça. O
homem tinha sido submetido a uma trepanação, que serve para aliviar a pressão sanguínea no cérebro. Análises
mostraram que ele sobreviveu ao procedimento.
Dwala, a Belladonna: Anestésico Letal
Pelas condições, tão precárias, na Idade Média as cirurgias somente eram realizadas em última instância, caso de
vida ou morte. Sobre anestésicos, algumas das fórmulas usadas para aliviar a dor e/ou provocar induzir ao sono,
eram potencialmente letais. Como esta, que utilizava os seguintes ingredientes: suco de alface, fel [bílis] de um
javali castrado, vinho de de Briônia [colubrina - trepadeira que dá pequenos frutos macios e lisos; a planta é
toda venenosa até a raiz], ópio, Meimendro negro [Hyoscyamus niger], que é extremamente tóxica, cicuta-verdadeira
[Conium maculatum] ─ analgésica e vinagre. Tudo isso, misturado com vinho, compunha a beberagem de má cara
que o paciente tinha de beber sem saber se ia acordar do "nocaute" [do desfalecimento].
Para o inglês medieval, a palavra belladonna [dwale ─ pronunciada
dwaluh] servia como sinônimo para indicar qualquer
poção anestésica. O meimendro negro, sozinho, é suficiente para matar. A intenção era fazer o paciente dormir
profundamente permitindo, desse modo, a realização da cirurgia. Porém, a fórmula podia desandar e provocar a
suspensão da respiração [do paciente, claro].
Paracelso, médico suíço medieval, foi o primeiro a usar éter para anestesiar. Mas o éter não foi bem aceito pelos
conservadores e seu uso caiu em declínio. O éter somente foi redescoberto na América do Norte, 300 anos depois.
Paracelso também usava o láudano e a tintura de ópio como analgésicos.
|
Encantamentos: Rituais Pagãos & Penitências Religiosas Essa medicina primitiva era uma combinação de saberes pagãos, crenças religiosas e uma pequena porção de ciência. Com a Europa ocidental sob total controle da Igreja Católica, os rituais pagãos era criminalizados, sujeitos a punições. Uma destas práticas proibidas era uma simples superstição:
Quando o [o curandeiro] se aproxima da casa da pessoa doente, se [ele, ela, curandeiro] encontra uma pedra na vizinhanças, voltará, examinará a pedra e se alguma coisa viva for encontrada ali, debaixo da pedra ou escondida em suas reentrâncias, seja um verme ou um inseto, isso significa que o doente vai se recuperar. [The Corrector & Physician] Um tratamento padrão para vítimas da peste negra, a peste bubônica que assolou as nações européias, era a confissão dos pecados e o cumprimento da penitência prescrita pelo padre, que explicava que com este procedimento talvez o cristão escapasse da morte.
Catarata
A catarata, doença dos olhos comum na velhice, consiste na perda de
transparência do cristalino, que se torna opaco. É o envelhecimento do
cristalino. [Com formato semelhante a uma lentilha, o cristalino é a lente dos
olhos, entre a íris e o humor vítreo, o "lubrificante" do olho. Atualmente, a
cirurgia remove o cristalino e uma lente artificial é colocada no lugar]. Um dos
sintomas é famosa "vista cansada". Conhecida a milhares de anos essa moléstia é
tratada com cirurgia há séculos. Quando a medicina árabe foi divulgada mais amplamente na Europa, popularizou-se uma nova técnica cirúrgica, mais eficiente: a ponta da agulha de uma seringa vazia era inserida através da parte branca do olho e as "cataratas" eram extraídas através de sucção. Como o cristalino é formado por lamelas [pequenas lâminas muito finas] transparentes e, com o passar do tempo, essas camadas envelhecem e perdem a transparência, o método dos árabes era uma tentativa de retirar as lamelas gastas, e estas são as "cataratas", deixando no órgão lamelas da camada mais abaixo e, potencialmente, em melhor estado de transparência.
Retenção Urinária [Bexiga Presa!]
A bexiga obstruída ou retenção urinária era muito comum, conseqüência da sífilis e de outras doenças venéreas em uma época em que os antibióticos não eram bem conhecidos nem facilmente disponíveis. Para sanar o mal, cateteres metálicos um tubo de metal, era enfiado na bexiga através da uretra [Ui! Doeu aqui!].Quando o tubo [o cateter] não podia passar facilmente, falhando em aliviar a obstrução, outros métodos eram usados para alcançar a bexiga, todos penosos e perigosos especialmente por causa da falta de recurso adequados para a assepsia dos instrumentos. Os cateteres para desobstrução de bexiga forma usados pela primeira vez nos anos de 1300 [século 14].
Pedra nos Rins
Para tratar essa doença os "curas" medievais atacavam o órgão errado, a bexiga
[e aqui está um exemplo da nociva falta de conhecimento de anatomia], e atacavam
mesmo, usando força bruta! No terceiro dia, colocando-se na mesma posição melindrosa e tendo o médico se posicionado novamente [como da primeira vez] localizará a pedra, usando as mão,s conforme foi indicado, conduzirá o objeto até o "pescoço" da bexiga [a uretra] e dali até o orifício de entrada da bexiga, sempre trabalhando na "retaguarda" com a mão direita, empurrando, até tornar a pedra acessível a um instrumento comprido com qual será feita a remoção.
Cirurgiões nos Campos de Guerra
O uso de arcos longos, que podiam arremessar flechas a longa distância, floresceu na Idade Média. Isso criou um novo problema para os cirurgiões dos campos de batalha; como remover as flechas do corpo dos soldados. As pontas dos dardos não eram sempre fixas na haste. Muitas pontas eram firmadas com o auxílio de cera quente de abelhas. Quando a cera esfriava, as armas podiam ser manuseadas normalmente, mas uma vez que atingiam um alvo, se fossem retiradas com um simples puxão, aquela ponta malsã ficava dentro do corpo da vítima.
Uma solução foi a invenção da "colher de flecha", inventada pelo médico árabe
Abucasis*. A colher era inserida na ferida, tão
profundamente quanto fosse necessário e "acolhia" o projétil que, dessa forma,
era extraído do ferimento sem causar maiores danos aos tecidos periféricos,
evitando de forma razoavelmente eficaz a produção e permanência de farpas no
organismo. * Abucasis: Abu al-Qasim Khalaf ibn al-Abbas Al-Zahrawi, 93 -1013 d.C ─ Córdoba.
Sangria
Os médicos medievais acreditavam que a maioria das doenças do homem eram
causadas pelo excesso de fluido no corpo [esses fluidos eram chamados humores]. A
cura consistia em remover o excesso de fluido drenando grandes quantidades de
sangue. Dois métodos eram usados para sangrar os pacientes:
1. aplicação de sanguessugas [Hirudo medicinalis];
2. a flebotomia, corte de uma veia.
Parto: Mulher, Prepare-se Para Morrer!
Na Idade Média, um parto era considerado um evento tão arriscado que a Igreja
Católica recomendava às mulheres grávidas que preparassem a mortalha e
confessassem seus pecados em caso de morte. A Igreja também considerava as
parteiras figuras importantes, responsáveis por providenciar batismos
emergenciais evitando, assim, que os anjinhos, morrendo pagãos, fossem para o
limbo. E as mães, se pagãs, poderiam, no último suspiro, contando com a
diligência da parteira, obter um batismo relâmpago e garantir um lugar, senão no
céu, ao menos, no purgatório. No entanto, um popular ditado medieval
recomendava: "A melhor bruxa; a melhor parteira".
Lavagem Intestinal: Tomando Remédio Pela Porta dos Fundos
Imagem: Collect Medical Antiques A versão medieval do enema, conhecido na época como clyster, é um instrumento para injetar fluidos dentro do corpo através do ânus. [É um ancestral do supositório]. O clyster era um longo tubo metálico terminado em forma de taça-funil dentro da qual o líquido medicinal [o remédio] era colocado.
Na extremidade deste funil, um ponteira achatada e não-cortante, dotada de
vários pequenos orifícios, era introduzida no "orifício", um tanto maior, do
paciente. Um êmbolo servia para "bombear" a medicação mais profundamente, na
região do cólon. Eram muito usadas: a água morna, o vinagre e preparados,
infusões e tinturas, como a de bile de javali diluída.
Hemorróidas? Passa o Ferro!
Imagem: The MacKiney Collection of Medieval Medical Illustrations
Naqueles tempos medievais, muitos tratamentos de doenças incluíam preces para um
santo patrono a fim de obter uma intervenção. O monge irlandês Santo Fiacre era
o patrono dos sofredores de hemorróidas. Ele mesmo desenvolveu hemorróidas
trabalhando em seu jardim. Um dia, sentou em uma pedra que produziu o milagre da
cura! A pedra ainda existe e nela estão impressas! as hemorróidas do santo. É um
lugar visitado por muitas pessoas em busca de milagre [para as hemorróidas que
apesar dos apelos ao santo era conhecida como "maldição de Santo Fiacre]. |
edição: sofä da sala abril, 2009
ligiacabus@uol.com.br