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religião, história

06/05/2012

OS PAPAS MALDITOS

MORTON, David.
Ten Worst Popes of all time
IN Oddee ─ publicado em 09/01/2009
traduções, texto & pesquisa: Lygia Cabus


[+] PAPAS MALDITOS PARTE 2

 

      

 

INTRODUÇÃO

 

Papa, o cargo mais elevado da hierarquia eclesiástica católica, foi desde o início, um ponto polêmico nas discussões e divergências doutrinárias que abalaram o cristianismo dede o primeiro ano da Era Cristã. O cristianismo primitivo tem sua história envolta nas incertezas decorrentes da falta de documentação escrita original.

 

Na Idade Média, a organização hierárquica, como sistema dinâmico, buscava acomodação entre uma série de erros que foram mais significativos que os acertos. O papado era definido pelos desígnios dos jogos de poder político e econômico e, deste modo, os Papas verdadeiramente pios, devotos, seguidores de Cristianismo acima de tudo, alternaram-se com nobres cidadãos desprovidos de qualquer senso ético, moral ou religioso.

 

A chegada da Idade Moderna, anunciada pela cultura Renascentista, encontrou a Igreja Católica Apostólica Romana viciada pelas manobras da corrupção enraizada. A degeneração dos padres, bispos, cardeais e, até daquele que deveria ser infalível, o Papa, tal degeneração tinha se tornado um escândalo público que resultou na Reforma Protestante deflagrada por Martinho Lutero.

 

Os Papas relacionados nesta matéria são alguns daqueles mais pervertidos. Seus pecados escabrosos tornaram-se amplamente conhecidos. Eles contribuíram decisivamente para manchar o nome do Cristianismo ocidental sediado, primeiro em Roma, depois no Vaticano.

 

Até hoje a Casa de Pedro é questionada pelos abusos do passado perpetrados a partir do péssimo exemplo daqueles senhores Papas. Foram ladrões, estelionatários, assassinos, estupradores, perdulários, arrogantes, violentos. Mais do qualquer Anticristo ou Anti-Papa, esses pontífices encarnaram a verdadeira manifestação do avesso do Cristianismo.

 

 

Stephen VI: Juiz de Cadáver!

[período do papado: 896-897]

Le Pape Formose et Etienne VII, 1870. Concile cadavérique de 897 (The Cadaver Synod). Jean-Paul Laurens [1838-1921] ─ Musée des Beaux-Arts, Nantes

 

 

Stephen VI

 

Cheio de ódio por seu antecessor, o Papa Formosus em janeiro de 897, Stephen VI [ou Estevão] mandou exumar o corpo putrefato do desafeto e submeteu-o a um julgamento, que ficou conhecido com o Cadaver Synod [Sínodo do Cadáver ou Conselho Cadavérico ou, ainda Synodus Horrenda].

 

 

O defunto foi colocado em um trono e um diácono foi encarregado de responder pelo morto. Formosus foi acusado de ter exercido funções de bispo enquanto estava na condição de leigo excomungado [embora tenha sido reintegrado depois]; por ter recebido o Pontificado em circunstância irregular, abandonando Bispado do Porto entre outras acusações que tinham sido levantadas no pontificado de João VIII. No quadro geral, o Papa morto foi acusado de ter agido com extrema ambição para alcançar o posto máximo da Igreja Católica.

 

 

O cadáver, considerado culpado, foi despido de suas vestes pontifícias, foram-lhe decepados três dedos da mão direita [os dedos da benção], vestiram-no com roupas ordinárias de leigo, e enterraram de novo o mais rápido possível; mais tarde, achando pouco, Estevão VI mandou exumar mais uma vez: sepultura era bom demais para Formosus; foi atirado no rio Tibre e todas as ordenações oficializadas foram anuladas.  O corpo foi recuperado por um monge e depois da morte de Estevão VI, foi aceito de volta na sepultura da antiga basílica de São Pedro.

 

 

Sergius III : O Papa da Pornocracia

[período do papado 897-911]

Filho de nobres romanos, o Conde do Túsculo, bispo do Cere*, data de nascimento desconhecida: este é mais um Papa classificado como desgraçado e funesto. Chegou ao posto pela influência política-econômica da família Teofilacto. Ficou conhecido por ser o mandante do assassinato de outro Papa e por ter gerado um filho [com sua amante e irmã ilegítima, Marósia da família Teofilacto]. Anos depois, esse filho também seria Papa [Papa João XI ─ período do papado: 931-935]!

O papado de Sergio III foi chamado de "Pornocracia" [segundo o historiador Liutprand de Cremona 922-972], com a sede do catolicismo entregue aos arbítrios das prostitutas [Liber pontificalis ou Livro dos Papas]. Naquela época, início do século X, um tempo chamado século de ferro, foi também a "era do poder das mulheres" na cena política e sócio-econômica dos reinos europeus que se definia a partir de Roma, na Itália.

No pontificado de Sergio III quem mandava era matrona Theodora ─ A Maior, assessorada por suas filhas: Theodora, a Jovem e Marósia. Toda a linha de parentesco era escandalosa: Sergio era filho bastardo de Theodora e, portanto, irmão natural de Marósia, que tornou sua amante e com quem teve um filho que também veio a ser Papa [veja abaixo]. Quando fala das "prostitutas sem-vergonha" na sede da Igreja, o historiador Liutprand refere-se principalmente a estas mulheres, ricas e influentes.

Na acirrada disputa pelo papado, Sergio III foi eleito Papa [por uma facção da Igreja] em 897 mas o Papado estava, de fato, nas mãos de João IX e, depois da morte deste, Leão V. Assim, durante algum tempo Sergio foi uma espécie de Papa clandestino ou não legitimado, coisa muito comum na História dos Papas medievais e mesmo entre os Papas da Idade Moderna. Na Idade Média houve alguns Antipapas.

Sergio III chegou a ser excomungado pelo Papa João IX [898–900]. Somente conseguiu oficializar sua pretensão em 904, em Roma, quando o "Antipapa" Christopher [Cristóvão] acabava de ocupar o papado à força [entre 903 e 904]. A família Teofilacto reagiu obtendo a deposição do usurpador e reinvestiram Sergio III no cargo, em janeiro de 904. Sergio III ordenou a prisão dos rivais, Cristovão e Leão V [outro que disputava o lugar], instituiu um processo contra eles e condenou os dois à degola!

 

 

João XII: Estuprador de Peregrinas e Herege Pagão!

[período do papado: 955-964]

Era o filho de uma relação incestuosa entre o Papa Sergio III e sua irmã natural, [ilegítima], Marósia [veja acima], que na época do parto tinha 15 anos. Em 963, o Imperador do Sacro Império Romano, Otto I [912-973, Alemanha], reuniu um conselho e fez várias acusações a este Papa: sacrilégio, simonia, perjúrio, assassinato, adultério, incesto. Ele excomungou seus juízes mas foi deposto assim mesmo.

João XII tinha ordenado um diácono em um estábulo; consagrou um menino de 10 anos Bispo de Todi em troca de dinheiro; mandou castrar e assassinar um cardeal; transformou o Lateran Palace [na época, residência Papal] em um bordel onde estuprava peregrinas; sodomizava crianças!

Roubava as doações que os fiéis entregavam à Igreja, erguia brindes ao Diabo e invocava a ajuda de Jove [Júpiter], Vênus e outros deuses pagãos quando estava jogando dados. Quando perdia no jogo pagava com o dinheiro da Igreja e prestava culto à deusa Cibele na colina do Vaticano. Consta que tornou-se amante da própria mãe, Marósia.

 

 

 

Sergio III O Incestuoso, O Papa da Pornocracia. DIR.: João XII, na lista de antipapas. Na figura: encontro com o imperador Otto I, 1450.

 

 

 

João XVI: Distribuindo a Grana de Deus Com os Parentes!

[período do papado: 985-996]

O Papa venal [mercenário, desonesto] e nepótico tornou-se extremamente impopular perante os fiéis. Era público e notório: ele dissipava os recursos do Vaticano enchendo as bolsas dos parentes. Foi descrito como "ambicioso, comprometido com dinheiro sujo e corrupto em todos os seus atos".

 

Ele foi deposto mas retornou ao posto de Papa quando Otto deixou Roma. Vingativo, o "religioso" mandou aleijar e mutilar todos aqueles que a ele se opuseram. Em 964, foi espancado pelo marido traído de uma de suas amantes. Morreu três dias depois sem direito a confissão ou receber sacramentos.

 

 

Benedito IX: Demônio, Assassino, Homossexual ─ Vendeu o Papado!

períodos de papado:
outubro de 1032 a setembro 1044
abril a maio de 1045
novembro a julho de 1048

Um papado descontínuo, impensável nos dias atuais, ilustra bem a grande confusão política da época em torno da legitimidade das autoridades, fossem papas, príncipes ou reis. Seu nome de batismo era Theophylactus of Tusculum e assumiu pela primeira vez o papado quando tinha entre 12 anos de idade. Por isso, foi chamado de o Papa Criança sendo, o papa mais jovem da história da Igreja Católica e possivelmente, o mais maldito entre os malditos.



Sobre Benedito IX, São Pedro Damião [1007-1072] comentou em Liber Gomorrhianus, um tratado sobre corrupção e sexo no papado: "...banqueteava-se na imoralidade... era um demônio do inferno disfarçado de padre". Era um ser bestial, bissexual e zoófilo, ou seja, mantinha relações sexuais com animais inclusive sodomizando os bichos!
 


O Papa Victor III [período do papado: maio de 1086 a setembro de 1087], em seu livro Dialogues, menciona "seus estupros, assassinatos e atos inconfessáveis. ...Sua trajetória como Papa... vil, execrável, abominável, nojenta". Na Enciclopédia Católica Benedito IX é descrito como "uma desgraça para a Cadeira de Pedro". O bispo Benno de Piacenza acusava-o de adultérios e assassinatos.

Em 1044, ele vendeu! o Papado por uma boa quantia em dinheiro. Porém, no ano seguinte renunciou à renúncia e voltou a ocupar o cargo. Um mês depois, vendeu o cargo de novo! ─ por 650 quilos de ouro, desta vez, com o propósito de se casar!

 

O comprador foi seu padrinho ou "pai espiritual", o padre John Gratian [muito pio, muito devoto, mas disposto a fazer tal negociata e rico o bastante para isso; assumiu o nome Gregório VI]. Mas Benedito IX não ficou longe do Lateran Palace [residência papal]: ele "tomou" a cidade, Roma, e "declarou-se" Papa outra vez.
 

 


 

 

 

 

 

 

 










 

 

 

 

 




 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

A essa altura já havia mais de um Papa: além de Benedito, Gregório VI e Silvester III também reivindicavam para si a legitimidade do papado. A maioria dos fiéis reconhecia Gregório como verdadeiro Papa. Era uma disputa política na qual os reis intervinham para "fazer o Papa" garantindo, deste modo, o apoio popular dos cristãos-católicos.
 


O rei germânico [alemão] Henrique III [reinou entre 1039-1056] interferiu na questão e, no Concílio de Sutri [região do Lácio, província de Vieterbo Itália], dezembro 1046, tanto Benedito IX quanto Silvester III foram depostos e Gregório VI* foi "persuadido" a renunciar.

 

 

Um novo pontífice foi escolhido: era o bispo alemão Suidger, Clemente II. Mas Clemente II morreu no ano seguinte. Benedito IX voltou ao ataque e conseguiu mais um brevíssimo período de papado de novembro de 1047 até julho de 1048, quando tropas alemãs expulsaram-no de Roma.


O bispo Poppo, conde de Brixen, foi eleito novo Papa e assumiu como Damasus II**. Em 1049, Benedito IX não compareceu ao julgamento onde seria julgado por simonia***.

 

Foi excomungado; porém, mais tarde, o Papa Leão IX [papado: 1049-1054], que substituiu Clemente II, suspendeu as condenações contra Benedito IX. Apesar dessa "reintegração" ele não foi enterrado entre os Papas, na Basílica de São Pedro, mas na Abadia de Grottaferrata onde morreu, segundo registros, cumprindo penitência. A data de sua morte é incerta, situada entre 1065 e 1085.

 

* Gregório VI, o "padrinho" de Benedito IX e seu concorrente morreu em 1048, retirado em um mosteiro, em Cluny.

** Dâmaso II ─ período do do papado: de julho a agosto de 1048, ano de sua morte, causada pela malária. Um papado de 23 dias.]

*** SIMONIA: crime eclesiástico, consiste na venda de favores divinos, bênçãos, cargos eclesiásticos, prosperidade material, bens espirituais, coisas sagradas, etc. em troca de dinheiro.

 

 

Inocêncio IV: Introduziu a Tortura na Inquisição

[período do papado: 1243-1254]

Durante a Inquisição, esta página sombria da história da Igreja Católica, foi o Papa Inocência IV que aprovou o uso da tortura para obter confissões de heresia. Agressivo, ele acreditava que "os fins justificam os meios".

 

E os meios eram os instrumentos de tortura aos quais foram submetidas milhares de pessoas, inocentes ou não [porque a tortura é barbárie instituída, sempre injusta mesmo com os culpados de qualquer crime]. Galileu, que foi julgado no pontificado deste Papa, teve bons motivos para renegar qualquer de suas teorias e até o próprio nome considerando a perspectiva dos interrogatórios mais "severos".

 

 

Alexandre VI ─ afresco de Pinturicchio.

 

Alexandre VI: Orgias & Nepotismo

[período do papado: 1492-1503]

Retrato Lucrécia Borgia de Bartolomeo Veneto
século XVI
[anos 1500].

 

Nascido Roderic Llançol ou Lanzol, em Valencia Espanha, trocou o sobrenome por Borja i Borja [em italiano Rodrigo Borgia] quando um Borja, seu tio, irmão de sua mãe, Alonso de Borja foi eleito Papa [Calisto III], em 1455. Era uma questão prestígio.

Rodrigo seguiu a carreira eclesiástica. Foi bispo, cardeal e vice-chanceler da Igreja. Serviu à Cúria romana em cinco pontificados: Calisto III, Pio II, Paulo II, Sisto IV e Inocêncio VIII.

 

Adquiriu muita experiência administrativa e muitos bens. Bens que, disseram as más línguas, embora não seja provado, serviu para comprar o papado em 1492. Naquele conclave, depois da morte de Inocêncio VIII, havia três candidatos ao pontificado: além de Rodrigo Borgia, também foram cotados Ascanio Sforza e Giuliano della Rovere.

 

Diz a lenda que Sforza saiu do conclave com quatro mulas carregadas de prata, preço do apoio que deu a Rodrigo. Quanto a Della Rovere, sua "campanha", que custou 300 mil ducados de ouro, teria sido financiada em 200 mil pelo rei da França e 100 mil, providenciados pela República de Gênova.

 

Sobre a eleição de Rodrigo Borgia, Giovanni di Lorenzo de Medici, que mais tarde se tornaria Papa Leão X, criticou a escolha e advertiu: "Agora estamos nas mãos de um lobo, um predador, um opressor como, talvez, jamais o mundo tenha visto igual. Se não fugirmos ele vai, inevitavelmente, devorar a nós todos".

 

No começo, o pontificado de Alexandre VI encaminhava-se bem, com uma administração justa e ordeira. Porém, movido pela ambição, este Papa cercou-se de parentes, nomeando-os para cargos eclesiásticos, manobra que permitia engordar os cofres da família e aumentar sua influência político-econômica muito rapidamente.

 

 

Alexandre VI foi um daqueles Papas que jamais respeitaram a castidade exigida do sacerdócio católico: teve ao menos duas amantes conhecidas e muitos filhos: Girolama, Isabel e Pedro Luis, filhos de uma amante cujo nome se perdeu na história. Depois, quando ainda era cardeal, teve mais quatro, com Vannozza Cattanei: a famosa Lucrécia Bórgia [1480-1519], Cesar, Juan e Godofredo [ou Jofre]. Com uma terceira concubina, Julia Farnesio, teve mais dois herdeiros.

Todos os parentes, aderentes e apadrinhados receberam postos importantes. Ordenou cardeais: o filho Cesar Borgia com a idade de dezesseis anos; e os sobrinhos Francisco Borgia, Juan Lanzol de Borgia de Romani, dito o maior; o primo Juan Castellar y de Borgia; os sobrinhos-netos Juan Lanzol de Borgia de Romani, o menor; Pedro Luis de Borgia Lanzol de Romani, Francisco Lloris y de Borgia; e o cunhado de seu filho e cardeal! Cesar [que, portanto, teve uma mulher] Amanieu d'Albret.

A filha Lucrécia, dotada de grande beleza, foi um caso à parte. Colaborava para aumentar o poder do pai através do casamento. Assim, em 1493, aos 13 anos, ela desposou Giovanni Sforza em magnífica cerimônia realizada no Palácio do Vaticano.

Quando Sforza deixou de ser politicamente interessante para os Borgia, o Papa-pai de Lucrécia tratou de articular o divórcio. A princípio, Giovanni Sforza recusou a separação e acusou Lucrécia de manter relacionamento incestuoso com o pai e o irmão Cesar. A força de ameaças, este marido acabou cedendo, confessou que era impotente, admitiu que o casamento jamais se consumara e o sacramento foi anulado. Ela ainda se casou mais duas vezes, sempre tendo em vista aliança política, com Alfonso de Aragon [Duque de Bisceglie] e Alfonso d'Este [Príncipe de Ferrara]. Teve inúmeros amantes e oito filhos. No último parto, morreram mãe e filha, em 1519.

O primogênito, Giovanni Borgia, gestado e tido em segredo no intervalo entre o primeiro e o segundo casamentos, suscitou comentários maliciosos. Sua paternidade tornou-se uma incógnita: foi atribuída a um amante dela, mensageiro de Alexandre VI, chamado Perotto. Mas corria a boca pequena que, na verdade, Giovanni era fruto de incesto, filho de Lucrécia com seu pai ou com seu irmão Cesar. Uma outra versão, dizia que Giovanni era filho do Papa com uma amante desconhecida ou, ainda, filho de Cesar. Assim, Giovanni poderia ter sido meio-irmão ou sobrinho de Lucrécia, escândalo em qualquer caso posto que Papa e cardeal traíram o voto de celibato. Nada discreto, Alexandre VI reforçou sua fama de devasso promovendo grandes festas que beiravam à orgia.

 

 

   

IGREJA & RELIGIÃO ─ CORPO & ESPÍRITO

 

Diante dos erros pavorosos cometidos pelos "homens das igrejas", muitos pensadores chegaram a condenar duramente a religião [ou todas as religiões] como se Igreja e religião fossem sinônimos. Porém, somente um raciocínio apressado e muito raso pode confundir as as duas coisas.

 

Religião precede Igrejas: antropologicamente,, culturalmente, historicamente [aliás, pré-historicamente]. O pensamento religioso nasce primeiro; somente depois, muito depois, instituem-se comunidades religiosas, as Igrejas organizadas, hierarquicamente, ritualisticamente, financeiramente, para agir na rotina do mundo; e, ainda, orientadas por uma doutrina, um ensinamento destinado à disciplina do Espírito, fator educacional indispensável ao avanço de qualquer civilização.

 

A Igreja é o corpo do qual a Religião é o Espírito. Mas a anima, a energia que confere vida, movimento às Igrejas é a vida dos homens que a Instituição congrega. É a qualidade do caráter dos homens que determina a qualidade, a qualificação de uma Igreja. Homens corruptos; Igreja corrupta. E as Igrejas tornam-se corruptas quando caem  no domínio dos POBRES DE ESPÍRITO [e ricos em animalidade].

 

O pensamento religioso em si, a agonia humana em torno dos seus próprios enigmas existenciais, a necessidade de alcançar explicações para o fenômeno de Ser, essa meditação, nos homens, é incorruptível. É um anseio espiritual, do Espírito.

 

Sempre presente, sempre a mesma inquietação instigando o raciocínio há tempos imemoriais. Mas as Igrejas são corpos, e os corpos são sempre corruptíveis.  sempre que Igrejas mostram uma cara feia, esta é a mesma cara do tempo de uma  Nação, do estado, do Povo ao qual ela serve.

 

 

 

 

 

Leão X: Rachou a Igreja no Meio

[período do papado: 1513-1521]

Giovanni di Lorenzo de' Medici foi eleito papa em 1513. Adotou o nome Leão X. Ele se preparou para aquele destino: estudou teologia e direito canônico, foi bispo e cardeal e tornou-se famoso um comentário a ele atribuído quando alcançou o papado: Uma vez que Deus nos conferiu o pontificado, vamos aproveitá-lo.

 

Festejou sua própria eleição com um exótico cortejo pelas ruas de Roma: desfilaram bobos, músicos e animais selvagens. Também ofereceu um jantar luxuoso durante o qual, um rapaz pintado de ouro e fantasiado com asas representava um anjo para os convidados. O jovem morreu envenenado pelo ouro. Promovia caçadas. Queria realizar construção da Basílica de São Pedro.
 


Enfim, esvaziou os cofres do Vaticano. Na urgência de levantar dinheiro, teve a idéia de estimular a venda de indulgências. Aquilo logo se transformou em um comércio ultrajante complementado pela venda de relíquias de procedência quase sempre duvidosa.

 

A "salvação" podia ser comprada nas bancas dos representantes de Deus! Os milagres podiam ser alcançados pela nem sempre módica quantia que pagava um pedaço da cruz de Jesus ou um dedo de João Batista.
 


A degradação do cristianismo, com o papa validando práticas muito próximas da superstição pagã, provocou revolta em meio ao clero europeu e ali surgiu a figura de Martinho Lutero, o homem que deflagrou a Reforma Protestante dividindo os fiéis cristãos do continente em duas facções rivais.

 

Quando Lutero fixou suas 95 teses na porta da Igreja de Wittenberg, Leão XI emitiu uma bula, Exsurge Domini, em junho 1520, censurando o texto de Lutero e ameaçando-o com a excomunhão. Ameaçou e fez. O precursor da reforma protestante foi excomungado em 1521 e o cristianismo europeu perdeu sua unidade.

 

      

 

 

[+] PAPAS MALDITOS PARTE 2

[+] leia também  Medicina na Idade Média

 

Fontes Consultadas:

 

20 Most Evil People of 10th Century.

IN One-Evil ─ acessado em 25/04/2009.


KEANE, Thomas. The Wickedness of the Popes

IN doubting Thomas ─ acessado em 25/04/2009


MOORE, Ryan. Papasellus.

IN Alexander Street Press, 27/06/2007 ─ acessado em 25/04/2009
Papal Impropriety. IN Lilith-Ezine ─ acessado em 25/04/2009

 


 

 

 

 

 

 

 

 



 

 




      


edições: Sofä da Sala
maio, 2012
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