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  antropologia, moche, pesquisa,povos pré-colombianos
 
SEÑORA DE CAO – A CLEÓPATRA PERUANA
  por ligiacabus@uol.com.br, maio de 2011

 

      

 

PERU – Provincia de Trujilo (maior cidade da região), Departamento de La Liberdad (como um estado federado). No complexo Arqueológico de El Brujo, antigo monumento da cultura Moche, no templo de Cao Viejo, foi descoberta, em 2005, pelo arqueólogo peruano Régulo Franco Jordán, a múmia da Señora de Cao, interessante personagem da história dos povos pré-colombianos, mulher poderosa, que governou todo o território a noroeste do Peru. A Señora de Cao morreu no século IV d.C (anos 300) e hoje é também conhecida como a Cleópatra Peruana.

 

 

 

A CULTURA MOCHE dominou a costa do Pacífico do Peru entre os séculos I e VIII d.C. (entre os anos 900 e 700 d.C).  Nessa época foram construídos os templos do Sol e da Lua, onde eram realizados cultos ao Deus da Montanha, chamado Ai-apaec, a quem os moches ofereciam, em sacrifício, os corpos dos inimigos derrotados em batalha. Enquanto a representação religiosa ficava à cargo de sacerdotes, o poder político mais alto era exercido pelo Regente. Em certo período histórico de grande esplendor, esse regente foi Señora de Cao.

 

 


Réplica da Señora de Cao. Foto: 2007.

 

No templo de Cal Viejo, localizado na praça cerimonial homônima, com capacidade de conter 10 mil pessoas, os restos mortais da governante foram encontrados, sepultados sob um marco formado por grandes blocos de adobe, uma construção com 35 metros de altura, 90 de largura e 180 metros de comprimento.

 

Estudos indicaram que a sacerdotisa-regente morreu entre os 20 e 25 anos de idade, em trabalho de parto, possivelmente em decorrência de eclampsia (convulsões)*. Seu quadris estavam afastados e pele de seu abdômen, preenchido com um óxido chamado cinabrio (cinabre ou cinabrita, um sulfeto de Mercúrio – HgS), estava coberto de estrias. Para evitar a decomposição do cadáver, este foi untado com sulfato de mercúrio (HgSO4). Era uma mulher extraordinariamente pequena, com 1,45 m de de altura.

 

* Conforme divulgado na reportagem: Señora de Cao habría muerto por complicaciones en el parto. IN El Comercio/Peru, publicado em 15/02/2011. [http://elcomercio.pe/peru/713979/noticia-senora-cao-habria-muerto- complicaciones-parto_1]

 

EMPACOTADA

 

 

A múmia estava muito bem protegida. Seu rosto estava coberto com um tecido de algodão seguro por uma tigela de cobre dourado [foto acima]. Do mesmo metal era feita a placa de cobria seu peito. Para completar, entre tecidos havia uma verdadeira armadura de jóias: 18 colares de ouro, prata, lápis-lazúli, quartzos e turquesas. Usava adornos de ouro como um piercing no nariz ou nariguera. Havia também diademas, quatro coroas de cobre dourado 44 anéis de nariz, seis pares de brincos e outras tantas gemas preciosas mais oriundas de todas as partes da América Latina. O peso total do aparato: 200 quilos.

 

TATUAGENS

 

Além de todos esses sinais de distinção social, a Senõra de Cao possui as marcas definitivas de uma sacerdotisa, de alguém detentor de poderes incomuns: suas numerosas tatuagens. Estão em todo o seu corpo: braços, mãos, pernas, dedos. Ela é a Dama das Tatuagens. Representam aranhas e cobras, cavalos marinhos e outros símbolos até hoje não decifrados (2011). (Os arqueólogos, que não raro são simbologistas de signos antigos, também, associam, neste caso as cobras e aranhas com fertilidade, cavalo marinho com oceano mas isso, é relativo.).

 

Todavia, as tatuagens como sinal de distinção social são incontestáveis e os estudiosos concordam que denotam um status elevado na sociedade Moche. Os corantes usados nas tatuagens também não foram identificados pela ciência contemporânea (ainda) mas a técnica utilizada para produzir os desenhos pode ter sido muito semelhante à artesanal praticada nos dias atuais.

 

Sobre o significado das tatuagens arqueólogo Régulo Franco Jordán, descobridor da múmia, explica: Esta mulher, além de ser governante, detendo poder político na sociedade Moche do Vale do Chicama seria, (supostamente) dotada de poderes sobrenaturais. É muito possível que fosse uma Xamã, uma sacerdotisa capaz de compreender os sinais do céu estrelado ou curar doenças do corpo e da alma.

 

SACRIFÍCIOS HUMANOS

 

 

Sala sagrada no templo de Cao Viejo. Em destaque,

o Deus Descapitador Ai-apec,  meio aranha,  meio

homem, segurando  uma  cabeça  humana  decepada.

Foto: IRA BLOCK/National Geographic

 

Não foi sepultada sozinha. À esquerda do fardo mortuário estava o corpo de uma adolescente, cerca de 15 anos – que os arqueólogos/historiadores acreditam, ser uma serva. Esta, morreu estrangulada. Além dela, acompanhavam a nobre defunta, quatro homens. Ao sul do tumba,um segundo indivíduo, ao qual os arqueólogos chamam "guardião do túmulo". Além desses, mais três homens estavam ali sepultados. Corpos mais antigos, de personagens que morreram ente 100 a 50 anos antes da Señora.

 

Os sacrifícios humanos eram prática comum no vale governado pela Señora de Cao. No templo da Lua, escavações e restauração arqueológica revelaram relevos decorados com as cores preto, vermelho e amarelo representando a divindade Al-Apaec. O templo ergue-se em cinco patamares (piramidal).

 

Os desenhos nas paredes falam de cerimônias em que homens eram drogados com uma substância presente no cactos "Sampedro" (Sampedrito, Wachuma, Echinopsis pachanoi o ––  famoso Peyote). Trata-se  da mescalina. Depois, eram despidos e levados para a morte nas mãos de um sacerdote. O sangue era bebido pelo xamã, jogado na terra e nos genitais do condenado.

 

Como sempre, os estudiosos interpretam tais cerimônias como rituais destinados a propiciar fertilidade. Em apenas um dos recintos do templo foram encontrados 70 esqueletos completos de vítimas sacrificiais cujas idades variam entre os 15 e os 38 anos.

 

 

MUSEO DE CAO

 

Em Abril de 2009 foi inaugurado o Museu de Cao, onde foram dispostos à exibição a tumba e as jóias da governante aborígene morta há uns 1700 anos (La Republica, 2009).

 

 

 

No site do museu [Fundación Wiese/Mochica], está escrito: o principal objetivo do museu é contar uma história. Objetos, textos, imagens, falam, não somente da Señora de Cao mas resgatam a experiência de uma civilização, do povo que habitou o vale do Chicama, a cultura Mochica que desenvolveu-se no litoral norte do Peru.

 

 

El Brujo é um dos complexos arqueológico dos mais antigos importantes do Peru. Encontra-se localizado no vale do rio Chicama (no distrito de Madalegna de Cao, província de Ascope, departamento de Liberdade, em Trujillo. Está aberto ao público desde maio de 2006. O lugar abriga cinco mil anos de ocupação histórica. Diferentes povos viveram na região: os Moches mas, também, a cultura Cupisnique, Lambayeque, Chimú e, finalmente, os Incas. Os principais monumentos do Complexo são as praças cerimoniais ou Huacas: Huaca Prieta, Huaca de Cao e Huaca Cortada.

 

      

 
 
FONTES
 

REBOLLO, Esther/EFE. El enigma de los tatuajes de la Señora de Cao.
IN EL País, publicado em 04/03/2088
[http://www.elpais.com/articulo/internacional/enigma/tatuajes/Senora/Cao/elpepuint/20080304elpepuint_7/Tes]

La "Cleopatra peruana" recibe a la Ruta Quetzal en el complejo de El Brujo
[http://www.google.com/hostednews/epa/article/ALeqM5hj4cWVGnR6GEfsSVq_5iGAR8uaVA?docId=1553712]
Inauguran Museo de la Señora de Cao
IN La Republica/Peru, publicado em 02/04/2009
[http://www.larepublica.pe/02-04-2009/inauguran-museo- de-la-senora-de-cao-0]
Señora de Cao – El Misterio de la Momia Tatuada de la Cultura Moche.
IN Peru Ecológico, publicação: janeiro, 2009.
[http://www.peruecologico.com.pe/esp_senoracaomoche_1.htm]

 

 

 

 

 

 

 

 



 

 

 

 

 



 

 

 

 
   El pozo cerimonial


 
  

É uma das construções mais enigmáticas do Complexo Arqueológico El Brujo. O Poço tem 3,4 metros de diâmetro. A descida, de 12 metros em espiral, conduz a um espelho d'água. Em algum momento de sua história, o poço foi aterrado.

 

Em meio ao material que o vedava foram encontrados fragmentos de cerâmica Moche e Gallinazo além de ossos de 15 diferentes indivíduos. No fundo, além do lago, oferendas. Entre as oferendas, restos de um homem e uma vértebra de baleia decorada.

 [Fundación Wiese/Mochica]

 

 

 

 

 

 

 
 

 


      

 

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edição: Sofä da Sala – junho, 2011
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