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  personagens
 
SÃO CIPRIANO, O FEITICEIRO
  pesq., trad. e texto:  ligiacabus@uol.com.br

 

       

 

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A FEITICEIRA DE ÉVORA
 


 

São Cipriano, cognominado O Feiticeiro, para distingui-lo do também famoso Cipriano, Bispo de Cartago. Cipriano, o paradoxal santo padroeiro dos ocultistas, bruxas e bruxos, segundo a maioria das fontes,  viveu em Antioquia da Pisídia, situada em região montanhosa da Ásia Menor, atualmente província da Antália, Turquia. Outros, afirmam que ele nasceu em Cartago embora tenha passado grande parte da vida em Antioquia da Pisídia.

 

O nome Cipriano é sinônimo de cipriota, relativo ao inglês Cyprus em inglês ou Chipre, em português,  ilha do mar Egeu, (mar interior da bacia do mar Mediterrâneo), ao sul da Turquia. Isso pode sugerir que este Cipriano Bruxo não nasceu em nenhuma das duas cidades anteriores, e sim,  Chipre, poderia ser sua terra natal. Talvez, o bruxo sequer se chamasse Cipriano e esta qualificação se aplicasse para diferenciá-lo de outros homônimos.

Porém as biografias concordam em alguns pontos. A época era a segunda metade do século III d.C. (anos 200). Sua família, abastada e pagã, consagrando-o desde o nascimento ao deus greco-romano Apolo, incentivou e patrocinou uma formação completa nas ciências da magia. Segundo o Ortodox Christian Information Center, os estudos de Cipriano levaram-no a conhecer diferentes países, culturas e sistemas de magia.

 

Começou sua iniciação aos sete anos. Aos dez foi levado para o Monte Olimpo [Mount Olympus], a morada dos deuses e dos demônios, onde havia numerosos cultos. Aqui, mais uma vez, a confusão biografia se estabelece porque, ao contrário do que pensam muitos, existem vários Montes Olimpo, e não somente aquele que figura na mitologia grega, mais conhecido no Ocidente.

 

No leste europeu existem ao menos sete deste Mounts Olympus. Todavia, um deles, situado em Chipre, tem muita chance de ter sido a escola do mago. Pode ser que, afinal, ele seja Cipriano porque passou muito tempo em Cyprus, aprendendo as artes mágicas. Todavia, nas pesquisas do medium e ocultista Marquês de Mirville, Cipriano se refere a essa iniciação em um Monte Olimpo durante sua passagem por Atenas, na Grécia.

 

O fato é que nesta montanha o jovem mago teria aprendido todo tipo de encantamento diabólico: aprendeu a mudar a natureza do ar para comandar o clima, trazendo ventos, chuvas, trovões, produzindo tempestades na terra e no mar. Conheceu o modo de amaldiçoar os jardins e as lavouras, a adoecer pessoas e animais. Adquiriu o poder de ver os demônios, espectros, fantasmas e conjurá-los para que servissem aos seus malignos propósitos.

 

Aos quinze sua formação estava aos cuidados de sete poderosos feiticeiros. Mais tarde, foi para Argos onde serviu à deusa Juno, iniciando-se em seus mistérios por algum tempo. Em seguida, passou outra temporada em um templo dedicado a Diana, em Taurapolis (Icara island). Depois, em Esparta, aprofundou-se na Goecia, estudando e praticando a conjuração dos mortos, obrigando-os a falar por meio de encantamentos. Aos vinte anos, foi para o Egito, estabeleceu-se em Mênfis e ali enriqueceu seus estudos.

 


Aos 30 anos, Cipriano estava na Babilônia para aprofundar seus estudos em Astrologia e outras especialidades dos magos caldeus. Ali, tornou-se discípulo de uma bruxa famosa, a Bruxa de Évora*, cartomante, quiromante (leitura de mãos) e oniromante (leitura dos sonhos).

 

Depois de ter obtido notáveis poderes sobrenaturais, de tornar-se um mestre da Necromancia, dos oráculos, encantamentos e evocações, não satisfeito, o Cipriano, firmou um pacto com o Diabo e, assim, veio a ser um feiticeiro com capacidades ainda mais fenomenais.

 

* A Bruxa de Évora é outra personagem da história da Bruxaria cuja biografia é incerta, nebulosa, repleta de contradições.



Em sua biblioteca, além dos livros de estudo, havia apontamentos próprios que ele fazia em toda parte, inclusive nas paredes e além disso, um tesouro exclusivo de Cipriano: sua mestra morrera e, trancado em uma arca, ele possuía todo o conhecimento da Bruxa de Évora contido em cadernos e pergaminhos, memórias e anotações de uma vida inteira, uma herança para o mais destacado de seus alunos. Cipriano se sentia bem com suas crenças e desfrutava todos os prazeres que o dinheiro e o prestígio podiam proporcionar. Tudo isso mudou diante do "Caso Justina".
 

 

 

JUSTINA

 

 
  Cipriano, o Feiticeiro, tramando com o Demônio

  a tentação de Santa Justina.  Iluminura  de   um

  manuscrito do Século XIV.

 


Justina era uma jovem cristã rica e bela. Embora educada no paganismo, na idolatria, tornou-se cristã por conta própria e converteu os pais, Edeso e Cledônia. Muito devota, consagrou-se totalmente ao Cristo Jesus, determinou-se a manter a virgindade e recusava casar. Vivia em retiro mas mesmo assim um homem apaixonou-se por ela. Seu nome era Aglaide.

Tendo sido rejeitado como noivo, Aglaide resolveu apelar para a feitiçaria e procurou Cipriano a fim de obter a simpatia da donzela por meio das forças ocultas. O bruxo, não só desprezava o cristianismo como também se deleitava em ridicularizar os símbolos sagrados daquela religião bem como seus sacerdotes tendo, inclusive, se engajado em um movimento de perseguição aos fiéis.

Diante do problema de Aglaide, aceitou prontamente fazer o "trabalho" e, de fato, empregou todos os seus conhecimentos e auxiliares diabólicos para enfraquecer e dominar a vontade determinada de Justina. Porém nada surtia efeito; os recursos iam se esgotando e Cipriano incomodava-se porque começava a desconfiar que não era suficientemente poderoso, ou não tanto quanto se achava ser.

Atormentou a jovem com todo o tipo de armadilhas da sedução mental; falhando a sutileza, atacou enviando demônios que produziam terríveis visões. Mas Justina não se deixou intimidar sempre protegida por uma infinita fé na proteção de Jesus. Contra todas as investidas do Mago, usava somente um signo, fazia somente um gesto, o Sinal da Cruz. Furioso com aquele fracasso, Cipriano pediu contas ao Demônio e questionou:

– Pérfido, já vejo a tua fraqueza, quando não podes vencer a uma delicada donzela, tu, que tanto de jactas do teu poder de obrar prodigiosas maravilhas! Diz-me logo de onde procede esta mudança, e com que armas se defende aquela virgem para deixar inúteis os teus esforços?

Sem saída o demônio confessou que nada podia fazer contra a moça por conta do Sinal da Cruz que ela usava com uma fé profunda e inabalável. Justina não tinha medo e rechaçava qualquer ataque em nome de Jesus e este, era o Senhor de todas as coisas, dos Céus, da Terra e dos Infernos. Diante Dele, aos demônios, nada restava a fazer senão pôr-se em fuga.


– Pois se isso assim é – replicou Cipriano – eu sou bem louco em não me dar ao serviço de um senhor mais poderoso do que tu. E assim, se o sinal da cruz, em que morreu o Deus dos cristãos, te faz fugir, não quero mais servir-me dos teus prestígios, antes renuncio inteiramente a todos os teus sortilégios, esperando na bondade do Deus de Justina que haja de me admitir por seu servo.


 

 

CIPRIANO, CRISTÃO


Mas o demônio não desiste facilmente. Vendo que estava a perder tão valioso comparsa, tentou ainda apoderar-se do corpo de feiticeiro. Mas Cipriano estava completamente decidido e, fazendo o Sinal da Cruz, pela primeira vez, invocou a proteção do "deus de Justina".

 

A Graça do Senhor desceu sobre ele e o maligno teve seus poderes anulados. Naquele momento, Cipriano rompeu o Pacto com o Diabo e dali em diante começou uma trajetória de duras provas que confirmaram sua fé em Jesus Cristo. Quando se converteu definitivamente, teria confessado:  

 

Eu vi o próprio príncipe das trevas depois de oferecer a ele os sacrifícios. Ele apareceu. Cumprimentei-o e à corte que o seguia, formada por diabos muito antigos. Ele gostava de mim. Elogiou minha inteligência e disse: Aqui está um novo Jambres, sempre pronto para a obediência, digno de comunhão conosco. E prometeu fazer de mim um príncipe depois da minha morte e durante minha vida terrena, dispôs-se a ajudar-me em tudo. E concedeu uma legião de demônios para me servir.

Sua aparência era semelhante a uma flor: a cabeça coroada por uma tiara espectral dourada como ouro e ornada com pedras brilhantes. Como resultado, o espaço à sua volta resplandecia... Me entreguei totalmente a seu serviço naquela época, obedecendo a seu comando todos os dias.
Ortodox Christian Information Center
 

Uma vez converso cristão, o ex-bruxo teria queimado todos os seus cadernos de feitiçaria além de distribuir seus bens entre os pobres. Essa informação, repetida em várias versões da vida do bruxo, de que ainda no século III, Cipriano, o Feiticeiro, atirou seus estudos ao fogo, coloca em dúvida a autenticidade da autoria de todos os Livros de São Cipriano, desde a Idade Média até os dias de hoje.

 

Possivelmente, alguns textos sejam de fato anotações de Cipriano que escaparam à destruição através de seus antigos discípulos. Em geral, são feitiços hoje denominados feitiços do campo, do povo, que ficam longe do conhecimento ocultista que o mago acumulou em mais de três décadas de Iniciação em magias. De todo modo, não há dúvida de esses livros não foram escritos originalmente pelo autor que lhes é atribuído.

 

 

 

CONFISSÃO

 

Mas, qual é a fonte dessa confissão? Onde ficou registrado este relato? Sobre este aspecto desta confissão de bruxaria do Cipriano, Helena Pretrovna Blavatsky, teósofa e pesquisadora de ciências humanas e religião, escreveu: Este documento curioso foi descoberto, no Vaticano, pelo Marquês de Mirville [Charles, Jules Eudes de Catteville de Mirville – 1802-1873], autor de Des Esprits*. Mirville traduziu o texto [da confissão de  Cipriano]  para o francês. Blavatsky Collected Writings, vol. 14 p 162

 

* Des Esprits: De l'Esprit saint et du miracle dans les six premiers et les six derniers siècles de notre ère, spécialement des résurrections des morts, des exorcismes, apparitions, transports, etc., Paris, 1863. Obra em seis volumes.

[Do Espírito Santo e milagres nos seis primeiros e últimos seis séculos de nossa era, sobretudo, a ressurreição dos mortos, exorcismo, fantasmas, transportes, etc..]

 

 

Blavatsky dispõe-se a reproduzir trechos de Des Sprits: As cenas [fatos] descritos aconteceram em Antioquia, em meados do século III, em 252 d.C., informa o tradutor [o Marques de Mirville]. Esta confissão foi escrita pelo feiticeiro penitente depois de sua conversão e, portanto, não ficamos surpresos quando ele se lamenta acusa e repugna-se falando de seu iniciador, Satanás ou a Serpente Dragão, como ele [Cipriano] o chama.  Mirville reproduz as palavras do feiticeiro converso cristão:

 

 

Oh, vós que rejeitam os mistérios do Cristo, vejam minhas lágrimas! ...Vocês que chafurdam em práticas demoníacas, prendam por meio deste meu triste exemplo... Eu sou Cipriano, que prometido a Apolo, desde a infância fui iniciado nas artes do Dragão. Antes do sete anos eu já tinha sido introduzido no templo de Mitra. Aos dez anos meus pais me levaram para Atenas [Grécia]... [onde] me foi permitido penetrar nos Mistérios de Ceres e ali tornei-me guardião do Dragão no templo de Palas.

Mais tarde, no cume do Monte Olimpo, assento dos deuses... foi-me revelado, em visões, com a ajuda de demônios, os prodígios das ervas. [E sobre os demônios] ... eu vi suas danças, suas intrigas, suas armadilhas, suas ilusões, sua promiscuidade. ...por quarenta dias consecutivos... Naquela época eu vivia somente de frutos, comia somente depois do pôr-do-sol e as virtudes [dos seres e elementos da natureza] eram-me ensinados por sete sacerdotes de sacrifício. ...
[Na Caldéia, aos 30 anos] ... Acreditem-me; eu vi o diabo.

 


Ainda sobre esta Confissão de Cipriano, a versão mais antiga que se tem notícia data do período medieval. Sem data, em cópias manuscritas, três textos contavam a história da conversão, confissão e martírio do feiticeiro convertido. Estes textos circularam entre a Europa e o Oriente Médio em diferentes idiomas: latim, grego, siríaco, copta, árabe.

 

 

 

MORRER COMO CRISTÃO

 

Mais tarde, já como cristão converso e penitente, por ser cristão, ele foi perseguido, preso e julgado pelo imperador Diocleciano [Gaius Aurelius Valerius Diocletianus, imperador romano adverso ao Cristianismo, 244-311 d.C.]. Cipriano e Justina foram mortos em 26 de setembro de 304 [SUMMERS, p 41] em Antioquia [alguns dizem, na Nicomédia]. Ele, juntamente com sua conversora, Justina foram degolados depois de um terrível martírio.

 

Naqueles primeiros tempos da Cristandade, entre opiniões controversas sobre a fé religiosa nascente, em meio a simpatias e antipatias de diferentes governantes, os cristãos, não raro, caíam no desagrado dos poderosos [como Diocleciano] e eram condenados a mortes cruéis somente por se recusarem a abjurar de sua fé em Jesus, o Cristo.

 

Freqüentemente, o cristão considerado teimoso e arrogante era submetido a duras penas antes do desfecho fatal: assados vivos, cozidos em fornos ou caldeiras. Foi o que aconteceu com Cipriano e Justina. Primeiro, foram chicoteados com açoites guarnecidos com ponteiras de ferro.

 

 

Depois, irritado com a indiferença dos condenados à dor lancinante dos açoites, o imperador mandou executá-los lentamente, sob tortura, com requintes de maldade imergindo-os, cozinhando-os em uma caldeira contendo banha e cera quentes. nenhum resultado obteve Diocleciano. Os condenados permaneciam impassíveis e, pior, vivos. O jeito foi apelar para o clássico: Cortem-lhes as cabeças!

 

 

 
  Justina e Cipriano morreram juntos e degolados

 

Cipriano e Justina, dois beatos, ambos foram enterrados lado a lado, em Roma, na Basílica de São João de Latrão, perto do Batistério.

 

 

Pela sua história de pecados e maravilhas, pela sua conversão e pelo suplício que padeceu em nome de Cristo, Cipriano virou o São Cipriano que se conhece hoje. Textos remanescentes do seu período satânico foram recuperados e reunidos nos famosos Livros de São Cipriano. São simpatias e bruxedos para obter sorte no amor, sucesso nos negócios e coisas do gênero. 

 

Como Santo católico, tendo seu nome sempre associado ao nome de Justina, ele tinha sua festa no calendário da Igreja romana-Vaticana desde do século XIII [anos 1200]. Porém, em 1969, este Cipriano foi retirado do calendário por causa da falta de evidências históricas de sua existência. Em 2001, seu nome foi removido do Martirológio Romano, lista de santos depois de uma revisão acadêmica-hagiográfica. Para aumentar o mistério sobre a identidade deste santo feiticeiro, apesar daquela revisão, o Martirológio atual inclui cinco santos chamados Cipriano.

 

       

 

 

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A FEITICEIRA DE ÉVORA

 

FONTES:

 

BUTLER, Alban. The Lives of the fathers, martyrs and other principal saints: compiled from original monuments and other authentic records, illustrated with the remarks of judicious modern critics and historians, vol. 9. Harvard University: 2009. In Google Books.

DAVIES, Owen. Ancient and medieval grimories. IN Grimoires: a history of magic books. Oxford University Press, 2009. Google Books.

MISSLER, Peter. Las Hondas raíces del Ciprianillo, 2ª parte: Los Grimórios. IN Culturas Populares Revista Eletrônica, 2006. [http://www.culturaspopulares.org/textos3/articulos/missler.pdf]

SUMMERS, Montague. Witchcraft and Black Magic. Courier Dover Publications, 2000. IN Google Books.

The Lives of Sts. Cyprian and Justina. IN Ortodox Christian Information Center. [http://www.orthodoxinfo.com/death/cyprian_justina.aspx]

From The Orthodox Word, Vol. 12, No. 5 (70) (September-October, 1976), pp. 135-142, 167-176.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


   JAMBRES

 

 

Foi um dos magos egípcios que disputaram com Moisés e Arão o poder sobre as forças da natureza, transformando bastões em serpentes. A serpente de Moisés matou as serpentes dos magos.

 

O episódio consta no Antigo Testamento, Livro do Êxodo. Mas os nomes dos magos não aparecem no Êxodo. Estes magos são citados no Novo Testamento em Timóteo 3:8.

 

O outro mago chamava-se Janes e, segundo Orígenes, existiu um livro apócrifo, que se perdeu nas curvas do tempo histórico, chamado o Livro de Janes e Jambres.

 

Seus nomes podem ser grafados de diferentes maneiras: Jannes & Jambres, Johanai & Mamre, Iannes & Mambres ou, ainda, Janis & Jamberes. WIKIPEDIA, english

 

 

 

 

 

 

 


   O LIVRO DE SÃO CIPRIANO

 

 

Antes de quaisquer considerações, sobre este texto antológico da História da Magia, é preciso deixar claro que nenhuma das edições do Livro de São Cipriano foi, de fato, escrito com base em originais produzidos, em qualquer tempo, pelo Santo Feiticeiro.

 

De todo modo, essa é a regra de vários e prestigiados textos antigos: são de segunda mão. Assim é com os Evangelhos, canônicos e apócrifos, assim com o Antigo Testamento judaico-cristão e muitos dos filósofos da antiguidade clássica.

 

Em relação ao Livro de São Cipriano, seja o Capa Preta, o Capa de Aço ou sem-capa, não importa, simplesmente tem praticamente chance zero de reproduzir uma frase sequer daquele bruxo. Existem boas razões para se chegar a essa conclusão.

 

1 – Os poucos registros históricos sobre caso, aqueles que foram resgatados pelo Marquês de Mirville na biblioteca do Vaticano, afirmam que logo depois de convertido ao Cristianismo Cipriano queimou seus cadernos e pergaminhos que continham toda uma vida de estudos e experiências sobre as artes mágicas.

 

2 Considerando os mais de 30 anos de formação e práticas em tais artes ou Ciências, Cipriano deve ser considerado como um ocultista, um erudito da magia e não somente mero bruxo versado em simpatias populares e receitas grotescas como o material que constitui o conteúdo de todos os Livros de São Cipriano publicados até hoje.

 

3 Cipriano viveu no século III [anos 200] e morreu nos primeiros anos do século IV, em 304 d.C.. As primeiras versões/edições de seu Livro somente começaram a circular no leste Europeu muitos séculos depois. Rastreando a história do Livro encontram-se os seguintes registros:

 

 

   BREVE HISTÓRIA DO LIVRO

 

 

SÉCULO XI, anos 1000 – Um feitiço do amor do século XI consiste em trecho da confissão, em primeira pessoa, feita por Cipriano, sobre sua tentativa de usar sua magia contra Justina. [O feitiço] ... inclui a Conjuração de um anjo ao invés de um demônio... Sim, Eu te conjuro, Oh! Gabriel! Vá até N...., filha de N.... Pegue-a pelos cabelos ou pelos cílios dos olhos. Traga-a para ele, N... filho de N... e que ela venha com anseio e desejo * DAVIES, p 33.

* An eleven-century love spell consists of a first person confession by Cyprian relating his attempt to use his magic against Justa, and includes a conjuration to an angel rather than a demon that begins, Yea, I adjure you, O Gariel: Go to N.... daughter of N.... son of N.... Hang her by the hair of her head an by the lashes of her eyes. Bring her to him N... son of N... in longing and desire.

 

 

Os anos 1000, século XI, são a referência de data mais recuada sobre a origem do Livro de São Cipriano. A veracidade desta versão e a identidade do autor são contestados por estudiosos.

 

O próprio tradutor do texto, escrito em hebreu, identifica o autor como Anônimo. O título desta edição, em língua espanhola, é El Libro de San Cipriano: Tesoro del Hetichero.

 

Esse livro foi, supostamente, encontrado em um mosteiro de Broken [em Broken Montain, Alemanha] pelo monge Jonas Sufurino, bibliotecário do monastério, alemão que traduziu os textos para sua língua natal. Escreve o monge nas páginas introdutórias do livro:

 

Eu, Jonas Sufurino, monge do monastério de Brooken, declaro solenemente, prostrado, de joelhos ante o firmamento estrelado, que tenho estado em contato com todos os espíritos superiores da corte infernal. Eles me mostraram este livro, escrito em pergaminho imaculado em caracteres hebreus.

 

Sobre a montanha de Broken, escreve o editor do livro aumentado a mística da obra: ...montanha onde, segundo as lendas, os diabos e as bruxas celebram mal-feitos em meio a danças macabras.

 

Apesar de ostentar o nome de Cipriano no título, este Grimório do século XI reúne, na verdade, vários trechos de diferentes Grimórios famosos. segundo o editor, o volume inclui:  A Clavícula de Salomão, Invocações, Pactos e Exorcismos, Re-compilação da magia Caldéia e Egípcia: filtros, encantamentos, feitiçarias e sortilégios etc..

 

El Libro de San Cipriano: Tesoro del Hetichero embora escrito em 1001 somente foi publicado em 1510 pelo editor canadense Jean Jacques Kean.

 

 

 

 

1460 Em um julgamento, na França, em 1841, nos autos de um processo encontra-se uma referência a um livro impresso em francês e latim com o título Cyprien Mago ante Conversionem, edição de Salamanca [Espanha]  datada de 1460.


1498
Cópias de orações de São Cipriano eram impressas e vendidas na Espanha.

 DAVIES, p 45

 

1510 El Libro de San Cipriano: Tesoro del Hetichero foi descoberto pelo editor canadense Jean Jacques Kean, e publicado em 1510.

 

1712 – Os Pergaminhos ou os Rolos de Cipriano, impressos em Constantinopla em 1712, eram usados como talismãs no período moderno [Idade Moderna]. Continham um relato da vida do santo-bruxo e as populares orações para todas as ocasiões

 

1849 Neste ano apareceu, na Europa ocidental, a primeira edição completa do Grimório, em português, com o título: O Livro de São Cipriano transcrito do manuscrito redigido pelo próprio santo que ensina como desfazer todos os encantamentos dos Mouros neste Reino de Portugal.

 

Nesta época, século XIX, o Livro de São Cipriano já estava largamente difundido entre Portugal e Espanha e, como se vê, associado à presença de Mouros [árabes muçulmanos] na Península Ibérica. 

 

Isso significa que São Cipriano, como mago negro, transcendeu à condição histórica firmando-se definitivamente como uma figura lendária folclórica e arquetípica, representativa da imagem de todo bruxo poderoso, mestre de feitiços.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 




 

 

edição: Sofä da Sala – agosto, 2010
ligiacabus@uol.com.br