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mistério ─ apócrifos
pesquisa,
traduções, adaptação e texto: Ligia Cabus
Nos últimos cinqüenta a setenta anos, a Cristandade viu a arqueologia e a história desencavarem de passados distantes numerosas Bíblias apócrifas. Embora tenham sido ignoradas pelo Vaticano, representante da Igreja Cristã Católica Apostólica Romana [Ocidental], essas Bíblias excomungadas contêm informações que preenchem numerosas lacunas notáveis nas Escrituras canônicas tradicionais. Eventos como a infância e a vida de Maria de Nazaré, de José, infância de Jesus e outras passagem completamente ausentes do quatro evangelhos sinóticos e demais textos do Novo Testamento [Mateus, Marcos, Lucas, João, Atos Apóstolos e Apocalipse].
O Kolbrin Biblos é uma coleção de textos que foram resgatados de um incêndio na Abadia de Glastonbury, em 1184 d.C.. Diz a lenda que o incêndio foi criminoso e visava justamente destruir livros considerados heréticos, entre eles, mais este apócrifo, o Kolbrin.
Em uma época na qual a benção dos Papas legitimava o poder político, os soberanos e candidatos a soberanos tinham obter e preservar a sanção divina ao seu direito ao trono. E ainda, naquele tempo era fato histórico, de conhecimento corrente, que os 1.920 acres [cerca 7,7 km²] do território de Glastonbury era considerado, tradicionalmente, a terra da família de Jesus! ─ terra sagrada, um reino independente, que não pagava impostos a coroas e representava uma ilha de mistério e religiosidade extremamente embaraçosa para as autoridades político-religiosas. Uma história que não estava na Bíblia católica. O livro escapou do fogo porque muitos dos manuscritos estavam grafados em finas lâminas de metal, de bronze [por isso, Bíblia de Bronze]
The Culdian Trust ─ Desde
o incêndio da Abadia, essas escrituras Kolbrin foram
escondidas e passaram a ser protegidas por uma sociedade
secreta por mais de 800 anos, até os dias de hoje. Segundo a
lenda, o incêndio foi criminoso. A Sociedade é conhecida
como The Culdian Trust ou os Culdianos. Sobre
essa sociedade sabe-se muito pouco: apenas que no começo do
século XIV [anos 1300] existia na Escócia uma comunidade
liderada por certo John Culdy. Seus seguidores foram
chamados culdianos [culdians] Os Culdianos eram os
herdeiros de uma sociedade mais antiga e misteriosa, a
Sociedade de Kailedy [ou Koferils] e guardavam a
tradição de serem os guardiões de algo a quê se referiam
como O Tesouro da Bretanha. Histórico
Ninguém sabe quem escreveu os textos. São vários autores e diferentes épocas. Os textos abordam desde a Criação do Mundo até os primeiros registros do Cristianismo e sua doutrina. Porém, o aspecto mais curioso desta Bíblia de Bronze é a revelação da presença de judeus nas Ilhas Britânicas em uma época muito recuada até um período mais recente: desde o Êxodo, passando pelos tempo dos profetas [hebreus] e chegando à diáspora dos Cristãos perseguidos dos primeiros anos d.C; um registro que não aparece nos estudos mais gerais e conhecidos da História do Mundo. Uma das crônicas do Kolbrin relata a migração de judeus para a Escócia; outro trecho, fala da Irlanda.
Escócia
A terceira parte do Koldrin
Bible relata o Êxodo, a saída do Egito depois de 400
anos de escravidão, a época de Moisés. Naquele tempo,
contemporânea de Moisés, viveu a princesa Scota,
filha de Ramsés II. Ela teria sido uma das muitas princesas
que cuidaram de Moisés na infância. Casando-se com um nobre
hebreu, Scota mudou-se com marido. Deixando o
Oriente Médio, o casal foi viver na Bretanha, na região hoje
conhecida como Escócia, ou seja, o nome do país seria derivado do nome da
princesa egípcia.
Tumba do profeta Jeremias, Irlanda
José de Arimatéia & Glastonbury ─ O Evangelho de Kailedy, assim como outras fontes apócrifas que tratam da biografia de Jesus e dos primeiros tempos do Cristianismo depois da crucificação, relata a trajetória de personagens que, nos evangelhos canônicos, são citados apenas de passagem, sem maiores esclarecimentos. Uma dessas figuras é José de Arimatéia: o homem que reclamou o corpo e Cristo junto às autoridades romanas; aquele que providenciou o "sepulcro novo".
No Kailedy, assim como em outros evangelhos marginais, José de Arimatéia não é apenas um simpatizante da nova doutrina, ele é parente de Jesus. Tio de Maria, ele teria fundado a primeira comunidade cristã na Bretanha, precisamente em Glastonbury onde foi construída a primeira igreja do mundo, em 63 d.C.. Escreve James D. Tabor em A Dinastia de Jesus:
Há lendas de que Jesus foi à Índia quando criança para estudar com mestres hindus... Talvez as histórias mais fantásticas sejam as de Jesus viajando quando menino para a Grã-Bretanha com José de Arimatéia. Segundo estas lendas, José, tido como tio de Maria, era um mercador de estanho e fazia viagens de negócios regularmente para a Cornualha. A cidade de Glastonbury, no sudoeste da Inglaterra, na antiga ilha de Avalon... até hoje comemora essa tradição [TABOR, 2006 ─ p 102]. Depois da morte de Jesus, José de Arimatéia não somente cuidou das formalidades funerárias do Messias mas, também, segundo os apócrifos, migrou para a França em comitiva que incluiu Maria Madalena e o apóstolo Thiago. Mais tarde, José de Arimatéia se estabeleceu na Inglaterra.
O Livro
A Bíblia de Bronze é composta do Kolbrin [Coelbren] propriamente dito e de outra coleção de textos reunidos no chamado Coelbook. São onze livros ou capítulos divididos em duas partes: os primeiros seis livros são os textos egípcios, que teriam sido escritos por sábios judeus-egípcios no período do Êxodo. O cinco livros restantes são textos Celtas ou Evangelho de Kailedy [The gospel of Kailedy], este sim, Kolbrin que, portanto, é uma espécie de Evangelho Bretão. São os 11 livros:
Criação |
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O Kolbrin é o único documento judaico-cristão que narra a História da Criação do Homem em sua totalidade, incluindo os seres [inteligentes, antropomorfos] que estavam neste mundo antes do advento de Adão e Eva [como símbolos da Humanidade atual]. Nele, cosmogênese, geo-gênese e antropogênese são conciliados com o atual entendimento científico de evolução humana com o criacionismo associado ao design [engenharia-arquitetura] inteligente.
Os princípios matemáticos encontrados no Kolbrin refletem o antigo interesse do Druidas, pelas estrelas, pela própria matemática e suas conexões com catástrofes globais. Astrofisicamente profético, o Kolbrin fala do retorno de um astro ali denominado Destroyer, corpo celeste trevoso que, no passado, causou um desastre, uma grande convulsão planetária, geológica. Foi previsto que Destroyer voltaria, cumprindo o destino de sua trajetória, de sua órbita cósmica.
O termo Anjos Caídos, no Gênesis do Kolbrin, não se refere a seres espirituais; antes, fala de homens que desposaram mulheres da linhagem de Adão e Eva e procriaram com elas [dando origem a uma raça híbrida]. Esses homens-anjos pré-adâmicos vieram de uma sociedade avançada em termos de ciência e religião. Eram os sobreviventes de uma Humanidade anterior, que escaparam, refugiando-se em cavernas, de um cataclismo global. Chamam a si mesmos de Filhos de Deus. Na lógica mística ou esotérica, a Queda dos Anjos foi causada pelos graves erros cometidos por aquela raça de homens-divinos.
Trechos do Kolbrin
Os estudiosos de documentos históricos têm todos os motivos para desconfiar da antiguidade e originalidade do Kolbrin. Mais especificamente, o Livro é suspeito, principalmente, porque nenhum original manuscrito, nenhum fragmento das folhas de bronze foi exibido até hoje. O texto apareceu, supostamente, em 1992 e as únicas e poucas informações disponíveis parecem ter saído da redação do editor norte-americano.
Ali, o Kolbrin é datado em 3 mil e seiscentos anos, considerando a idade dos capítulos mais antigos, correspondentes ─ na proposta ─ ao Antigo Testamento judaico-cristão. Inusitado no livro, enquanto considerado como escritura sagrada judaica-cristã, são as referências clara: 1. à intervenção de agentes extraterrestres no processo de criação da espécie humana; 2. ao advento de um Apocalipse, um catástrofe planetária resultante de um evento cósmico. A seguir, alguns trechos traduzidos do Kolbrin, do livro da Criação ou Gênese:
Do Livro da Criação ─ Trechos
3. Antes do Princípio somente existia uma única consciência, esse Eterno Um cuja natureza não pode ser explicada em palavras. Era o Espírito do Um Solitário, o Auto-Gerado, que não ser subtraído; que não pode ser dividido, o Desconhecido, o Um Incognoscível, pensado em si mesmo no profundo silêncio fértil [gestando].
4. O Grande ser que permanece [que é] não-Nomeado é o começo e o fim, além do tempo, além do alcance dos mortais e nós, em nossa simplicidade, chamamos a Ele, Deus.
5. Ele, que precede o Todo existente em sua estranha morada de Luz incriada, que permanece sempre, inextinguível; Aquele cuja visão nenhum olhar é capaz de suportar...
9. Da mente-Deus um pensamento foi projetado [o Verbo]. Isso gerou a Força que produziu Luz e isso formou uma substância semelhante a uma névoa de poeira invisível. A substância dividiu-se em duas formas de energia e através vazio da Matriz Geradora Universal [no útero universal, as duas forças girando em redemoinhos] emitiram centelhas que vieram a ser a infinita variedade de mentes-Espíritos, cada um regente de seus próprios poderes criativos.
10. A palavra ativante foi proferida. Seus ecos ainda vibram e houve um movimento agitado-agitante que causou instabilidade. Um comando foi emitido e este veio a ser a Lei Eterna [Suprema]. Desde então a atividade foi controlada em um ritmo harmonioso e, assim, a inércia inicial foi superada. A Lei dividiu o caos materializando o Caos de Deus; e assim foram estabelecidos os limites das Esferas Eternas.
11. E o Tempo não mais dormia no âmago de Deus porque agora havia mudança onde antes Tudo tinha sido imutável; e mudança é Tempo. E ainda, agora, no útero de Deus havia calor, excitação, substância e Vida ; e contendo Tudo estava a Palavra; e a Palavra é a Lei.
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17. O Sol, vendo a perplexidade Dela, lutou com o Espírito da Vida e submeteu-o. Estando [O Espírito da Vida] subjugado e tendo cessado a luta, o Sol entregou-o [o Espírito da Vida] a sua irmã [Terra]. E o Espírito da Vida purificado, apaziguado, em silêncio, desceu sobre as águas da Terra e a Terra foi tocada, e reagiu, e se emocionou. Ovos de lama de Vida potencial formaram-se nos pântanos, nos lugares onde as águas se encontravam a terra.
18. Do pó da terra se fez o homem e a água escura
engendrou a mulher; eles se uniram e multiplicaram-se. Os
dois unidos produziram o terceiro. A Terra não era mais
virgem e o Espírito da Vida, envelhecido, retirou-se. E a
Terra vestiu-se com o manto da matrona, da Mãe, da Senhora,
o manto do Verde das ervas que cobriam seu corpo. 19. Nas águas desenvolveram-se peixes e outras criaturas, criaturas que se moviam sobre si mesmas e criavam redemoinhos; eram as serpentes, os répteis rastejantes e as bestas de terrível aspecto que existiram no passado. Criaturas enormes e dragões de aparência repugnante cujos ossos gigantescos ainda podem ser encontrados.
20. Então, da potência geratriz da Terra surgiram
todas as bestas dos campos e das florestas. E todas as
criaturas da Criação tinham sangue em seus corpos; e isso
estava terminado. Bestas erravam na terra seca e as
criaturas aquáticas nadavam nos mares. Havia pássaros nos
céus e vermes nas entranhas do solo.
CRT:1:3-4-5-8-9-10-11-12-15-16-17-18-19-21-22-23 ─ Trad. L. Cabus In MANNING, Janice. The Kolbrin Bible. Your Own World, Inc.: 2005 ─ In Google Books
Fontes:
─ In [http://www.bibliotecapleyades.net/hercolobus/kolbrin00.htm#INTRODUCTION]
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edição:
Sofä da Sala
agosto, 2009