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SABEDORIA MILENAR
Não deixe que o medo te impeça de vencer a covardia
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religião, budismo

novembro, 2009

RAM BONJOM

O BUDDHA

PÓS-MODERNO DO NEPAL

por Lygia Cabus

 

O jovem hoje conhecido com Buddha Boy nasceu em um período de lua cheia [Chaitra Purnima], na pequena cidade de Ratanapuri, distrito de Bara, no Nepal em 09 de abril de 1990. Seu nome de família é Ram Bahadur Bomjom; Palden Dorje, é seu nome budista. 

 

Ele é o terceiro dos nove filhos e filhas de um casal de agricultores. Desde a gestação, a biografia do rapaz já dava sinais de que algo extraordinário estava acontecendo.

 

Durante a gravidez, sua mãe tornou-se completamente intolerante à ingestão de carne. Ram Bomjom jamais comeu carne e desde de muito pequeno, isolava-se para meditar e à medida em que crescia, muito calmo, ao invés de se reunir a outras crianças para brincar, preferia estudar escrituras sagradas. E meditava.

 

 

Os nepaleses acompanham a história de Ram Bomjom observam vários fatos significativos que, ao que parece, estabelecem uma clara relação de identidade entre o jovem e o Iluminado, o Buda Sakyamuni. O local de nascimento, Ratanapuri, fica bem próximo de Lumbini, onde nasceu o príncipe Sidarta Gautama [o Buda].

 

O Buddha Boy é, também, um Tamang, ou seja, um descendente dos Lamas Tamang; por isso também é nomeado Tamang Tulku Rimpoche; o nome de sua mãe é Maya Devi Tamang [nome igual ao nome da mãe do Buda Sakyamuni]. [Rimpoche = Mestre].

 

Estes Lamas são conhecidos por suas excepcionais habilidades de passar longos períodos em absoluto jejum, alimentando-se de prana [energia vital onipresente] através da prática da meditação. Segundo as lendas, os Lamas Tamang também são capazes de voar e falar com as árvores, pássaros e outros animais. Não temem nem mesmo feras selvagens como tigres, leões, ursos ou cobras.

 

 

Seis Anos de Meditação

 

Ram Bomjom decidiu cedo abraçar a vida religiosa. Ele começou seus estudos formais com dois Lamas em sua própria aldeia. Depois, tornou-se discípulo do Guru Som Bahadur Lama, de Sudha. Com este mestre, compartilhava os ensinamentos com outros nove estudantes.

 

Quando chegou a época da cerimônia de iniciação, recusou-se a cortar o cabelo, rompendo com a tradição budista. Em seguida, foi encaminhado para continuar sua educação em Dehradun com os Lamas de Dehradun. De volta à casa paterna, adoeceu e logo depois desapareceu, pela primeira vez. Isso aconteceu na noite de 16 de maio de 2005.

 

 

A família percebeu o sumiço do garoto, o vilarejo foi alertado e muitos se organizaram para as buscas. Um menino disse que tinha visto Ram Bomjom em uma ravina. Bomjom tinha subido em uma árvore árvore, uma mangueira, para colher um fruto.

Depois, desceu e entrou no rio próximo completamente vestido. O menino comentou: Eu pensei que você tinha desaparecido. Bonjom respondeu: Eu? Desaparecido? É melhor você voltar para casa e tome cuidado para não me tocar.

 

Os parentes foram buscá-lo. Ele explicou que somente voltaria mais tarde, às 4 horas. Os familiares acharam bom, por cautela, ficarem de olho nele e, por isso, alguns de seus irmãos ficaram por perto, vigiando.

 

As quatro horas, ele pegou um par de mangas e começou a comer uma das frutas. Chamou seu irmão mais novo e pediu que trouxesse água, arroz, suas vestes de Lama, um rosário e uma imagem de Buda. O irmão obedeceu.

 

Então, o jovem guru sentou-se em lótus e pareceu entrar em transe. Curiosos observavam a cena mística. Ele falava consigo mesmo; fazia perguntas e respondia às perguntas em voz alta.

 

Alguns aldeões cogitaram que Bomjom era um tolo e devia voltar para casa; outros, temiam que estivesse louco ou doente, delirando. Um dos irmãos tomou a iniciativa de tocá-lo e neste momento o corpo do pequeno guru ficou muito quente e vermelho. Ele reagiu dizendo: Por favor, deixe-me sozinho ou um de nós pode morrer.

 

 

Deixem-me Sozinho

 

Então, o jovem guru sentou-se em lótus e pareceu entrar em transe. Curiosos observavam a cena mística. Ele falava consigo mesmo; fazia perguntas e respondia às perguntas em voz alta.

 

Alguns aldeões cogitaram que Bomjom era um tolo e devia voltar para casa; outros, temiam que estivesse louco ou doente, delirando. Um dos irmãos tomou a iniciativa de tocá-lo e neste momento o corpo do pequeno guru ficou muito quente e vermelho.

 

Ele reagiu dizendo ─ Por favor, deixe-me sozinho ou um de nós pode morrer. E continuou, dirigindo-se aos curiosos: Se algum de vocês perturbar meus pensamentos à meia-noite eu terei que meditar por 20 anos, mas se tudo correr bem, precisarei meditar por apenas seis anos.

 

E para garantir, Bomjom retirou do local. Acompanhado de um dos irmãos, penetrou na floresta em busca de paz.
 


Em 18 de maio ele chegou a uma pipal tree ─ uma figueira. Ali fez uma oferenda de 10 diferentes tipos de frutas diante da imagem de Buda. Depois, sentou-se sob a árvore e voltou a meditar.

 

Na ocasião, cerca de 30 aldeões observavam o rapaz e deixaram diante dele uma oferta de mais de rúpias. Naquela noite, desocupados tentaram perturbar o Guru e resolveram roubar o dinheiro da oferta dos aldeões. Não desfrutaram do roubo. Logo foram descobertos e desmascarados na frente de toda comunidade. Pediram perdão ao Guru.

 

Mais uma vez o Buddha Boy deixou o lugar e rumou para o norte: em 24 de maio de 2005. Levou consigo seis folhas da figueira. Os parentes choravam mas ele se foi. Novamente localizado, novamente deixou o local de meditação. Desta vez, foi para o leste onde encontrou outra figueira.

 

Deixou bem claro para a família a amigos próximos que ele precisava e ia continuar meditando a qualquer custo. Afinal, algumas pessoas começaram a colaborar, não somente familiares mas, também, aldeões. Traçaram um limite em torno do lugar da meditação; fizeram um muro para Bomjom.

 

Apesar dessa proteção, multidões passaram a se aglomerar no local. Construíram uma espécie de cabana e cercaram-na com plástico. Bomjom se abrigou ali por 15 dias. Nesta época, uma terrível seca assolava a região. O Guru aconselhou que rezassem para um deus-serpente. Depois de 5 dias de orações, começou a chover.

 

 

O Veneno da Cobra

 

Em 06 de novembro de 2005 o deus-serpente Naga Sheshha falou com o jovem lama dizendo que ele [o garoto] estava prestes a alcançar o nível de um Bodhisattva [Corpo de Sabedoria]. Então, o deus-serpende mordeu Bomjom e, naturalmente, ele ficou envenenado padecendo dos efeitos da peçonha. Mas continuou meditando. Suando copiosamente ele eliminava o veneno.

 

Os seguidores do Buddha Boy acreditam que naquele dia o guru atingiu a Iluminação tornando-se, de fato, um Bodhisattva, condição que permite ao sábio sobreviver nas condições mais adversas, como os iogues que são enterrados vivos e vivos saem da cova; ele pode, ainda, resistir às intempéries e entender a linguagem de todas criaturas.

 

Em 08 de novembro, Ram Bomjom falou com seus devotos. Disse a eles que não tinha a energia de um Iluminado e que não se referissem a ele como a reencarnação do Buda Sakyamuni.

 

Em 11 de novembro uma luz brilhante apareceu sobre a cabeça de Bomjom e mais uma vez, ele se dirigiu à multidão e profetizou: Deixem-me meditar sossegado e logo haverá paz neste país. [O país vive uma situação soio-política conturbada]

 

 

2008-2009

 

 

Ao longo dos últimos anos, desde 2005, quando ganhou manchetes dos midia de todo o mundo, o Buddha Boy tem mantido seu carisma e sua jornada de meditação. Para conhecer alguns de seus pronunciamentos públicos, consulte Palden Dorje, na Wikipedia. Um exemplo, em pronunciamento feito em 02 de agosto de 2007:

 

 

Estou meditando no desapego deste mundo caótico do oceano da emoção, no nosso desinteresse da raiva e tentação, sem sair do caminho por um só momento, estou renunciando a minha própria ligação à minha vida e a minha casa para sempre, estou trabalhando para salvar todos os seres vivos. Mas neste mundo indisciplinado, a prática da minha vida é reduzida ao mero entretenimento. Palden Dorje

 

 

NOVEMBRO, 2008Apesar de haver tantas ideologias e religiões, eles estão falando todos sobre a mesma coisa. Os seres humanos são incapazes de ver além das suas religiões e ideologias. Alguns obstinadamente seguem as suas religiões só para descobrir que se arrependem de sua vida inteira... O Kali Yuga (era) causou fraqueza e falta de respeito e devoção entre seres humanos. As pessoas esqueceram a conexão entre o si-mesmo e o Eu mais alto, devido à perseguição de prazeres passageiros. Palden Dorje

 

 

Neste novembro de 2009, está programada uma nova aparição pública de Palden Dorje. O jovem Lama pretende fazer desta ocasião uma oportunidade para protestar contra o sacrifício de milhares de animais no próximo Festival de Gahdi Mai [entre 18 e 23 de novembro], que será realizado no distrito de Bara bem como em muitas outras localidades do Nepal. É uma tradição milenar e acontece a cada cinco anos, contrariando o ensinamento basilar do budismo de respeito a todas as formas de vida.

 

 

 

 

Palavras de Palden Dorje, o Buddha Boy

 

Assassinato, violência, ódio, tentação têm feito do mundo humano um lugar de desespero. Uma tempestade terrível descerá sobre esta Humanidade e isso arrastará o mundo para a destruição. Existe somente um caminho para salvar o mundo e este caminho é dharma [A Lei].

 
Se este mundo continuar ignorando o caminho correto da prática espiritual, este mundo desesperado será, certamente, destruído. Por isso, sigam o caminho da espiritualidade e espalhem esta mensagem. Nunca coloquem obstáculos, ira ou descrença no caminho da minha missão de meditação.

 

Eu estou apenas mostrando a vocês o caminho; mas vocês devem procurá-lo em vocês mesmos. O que eu serei, o que farei, isso será revelado nos dias do futuro.

 

A salvação dos homens, a salvação dos seres vivos e a paz no mundo são os meus objetivos e este é o meu caminho: Namo Buddha sangaya, Namo Buddha sangaya, namo sangaya.

 

Eu medito sobre a libertação desse mundo caótico, oceano de emoções; medito sobre superar a raiva e a tentação sem me dispersar do caminho em nenhum momento. Eu renunciei aos laços [mundanos] com minha própria vida e com minha família para sempre. Eu estou trabalhando para salvar todos os seres vivos. Mas neste mundo sem disciplina minha prática tem sido reduzida a um mero entretenimento [de multidões].

 

A prática e devoção de muitos Budas [Iluminados] é dirigida à melhoria do mundo e à felicidade. Isso é essencial porém é muito difícil entender a prática [da contemplação, meditação] e a devoção. Fácil é levar essa existência ignorante mas os seres humanos não entendem [não se conscientizam] de que um dia deverão deixar este mundo de incertezas para encontrar o Senhor da Morte.

 

Nossos vínculos [apegos] aos amigos e familiares vão se dissolver no nada. Temos de deixar para trás [ser indiferentes] as riquezas e bens que acumulamos. Qual é o sentido da minha felicidade quando aqueles que amo desde o começo [desta minha vida], minha mãe, meu pai, meus parentes, são todos infelizes?

 

Para salvar todos os seres sensíveis e conscientes eu devo alcançar o espírito de um Buda [de um Iluminado] e sair de minha caverna para fazer meditação vajra.

 

Para salvar todos os seres sensíveis e conscientes eu devo alcançar o espírito de um Buda [de um Iluminado] e sair de minha caverna para fazer meditação vajra*.

 

Para fazer isso eu devo reconhecer o caminho certo e o conhecimento certo; não posso e não devo ser perturbado em minha prática. Esta prática separa [permite] que eu me desprenda do meu corpo, da minha alma [personalidade], dessa existência. Nessa situação eu me defronto com 72 deusas Kalis [aspectos destrutivos do ser humano].

Diferentes deuses vão se apresentar, ao som dos trovões e do tangur [possivelmente, sinos ou, ainda, literalmente, as palavras de um texto sagrado homônimo] e todos os deuses celestiais estarão em adoração [puja].

 

Quando eu tiver uma mensagem eu a transmitirei [a vocês]. Enquanto isso não acontece, não venham aqui e, por favor, expliquem isso a outros. Espalhem a mensagem espiritual em todo o mundo. A mensagem de paz. Busquem o caminho correto e a terão a Sabedoria.
 

* Meditação Vajra, unindo compaixão e sabedoria, é a prática que destrói todo tipo de ignorância enquanto a prática, Vajra, em si mesma, é indestrutível. Este tipo de meditação está relacionado com Vajrayana, uma das três mais importantes modalidades da disciplina budista. A meditação Vjara é também chamada de Caminho do Trovão ou, ainda, Caminho do Diamante.

 

Pronunciamento em 02 de agosto de 2007
Trad. L. Cabus

 

 

 

Fontes ─ El Nuevo Buda ─ Youtube

[http://youtu.be/qdsm5ccOdRQ]

Palden Dorje Website ─ Biography

Palden Dorje Brasil

 

 




 

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